Imagens de Alfama

Proposta para a Doca do Jardim do Tabaco


Passando na Doca do Jardim do Tabaco reparamos que está colocado um outdoor enorme com a descrição do trabalho dos Arq. Marco Simões da Silva e Daniela Trigo Lopes, para o concurso da Trienal de Arquitectura de Lisboa.

Resumindo pretendem os arquitectos colocar no espaço ocupado pelo estacionamento e doca, praticamente desactivada, o seguinte:

Uma piscina, no local onde hoje se encontra a doca, um café com esplanada, e um género de espaço ondulante onde as pessoas se podiam sentar, brincar, deitar, como que o seguimentos das ondas do mar e do rio. Por debaixo deste local ficaria na mesma o estacionamento para veículos. É uma forma diferente de criar novas vidas para estes vazios urbanos, criando espaço publico para uma cidade e para um bairro como alfama que não o tem.

Os Bexigas - Conto baseado em factos reais

Naquele dia, igual a tantos outros, parecia normal. Tinha ido trabalhar e ao final do dia, como de costume, fui visitar os meus pais. Trabalho a cerca de 500 metros e não custa nada passar pelo restaurante deles. Estava a chegar quando ouvi conversas de pessoas na rua de que alguém tinha morrido. Não percebi quem.
Quando entrei no restaurante a curiosidade, algo “genético” de quem é de Alfama, chamado de cusquice pelos de fora, fez-me perguntar quem tinha morrido.
“O Bexigas” – disse a minha mãe.
-“Caiu pelas escadas quando estava a subir. Andava sempre bêbado. Era o desgosto. Enterrou duas mulheres, um filho e os dois que cá andam, tu sabes”.
E sabia. Os Bexigas é daquelas famílias que quem a conheceu ao início nunca podia pensar que iriam terminar assim. É o fado de Alfama.
A família não tinha o nome de Bexigas. Na realidade nunca soube o nome de família. Eram os Bexigas por causa da doença que o pai tinha – Bexigas. Tais nomes são típicos de Alfama – existem os das gravatas, os pipis, os do barracão, etc. Títulos de um bairro do povo.
O pai casou a primeira vez e teve dois filhos. Eram os filhos da mamã. Gémeos. A mãe nunca os deixava sozinhos. Eu era pequeno, mas lembro-me de ver aquela mãe a passear na rua de S. Pedro com os dois meninos pela mão. Eram considerados os meninos mais bem comportados de Alfama. Grandes esperanças tinha aquela mãe nas suas crias. O pai tinha deixado a educação para a mãe. Resquícios da “outra senhora”. O pai trabalhava na estiva e era essa a sua função para a estabilidade da casa. A mulher tinha a função dos filhos e da casa e segundo consta muito bem. Conforme dizem os mexicanos “os alicerces da casa não é o chão mas a mulher”.
No entanto o fado de Alfama voltou a falar. Um cancro veio abalar os alicerces da família, senão mesmo destruí-los. Os meninos ficaram órfãos de mãe, quando a sua educação não estava minimamente completa. Ficaram desamparados, sem mãe, com um pai presente mas ausente. Num bairro onde a droga entrava facilmente, onde a falta de esclarecimento e o prazer inicial que estas davam, esquecendo todos os males do mundo, fizeram muitos cair em tentação.
A desgraça apoderou-se da mente frágil do Bexigas. O álcool era como que um escape para a desgraça que tinha de enfrentar diariamente. Como iria ele tomar conta da família? Como iria ele fazer a função que nunca soube? Como poderia ele ser os alicerces da casa se ele próprio baseavasse na mulher? Como?
Sem reparar deixou os dois filhos desamparados andavam na rua mas sem a mão da mãe, andavam desejosos que alguém lhes desse a mão. E nessa altura quem aparece não é a pessoa mais indicada. Amigos, que dizem ter a solução para a tristeza, que lhes prometem o céu, mas que lhes dão o inferno.
Passado algum tempo casou novamente e teve outro filho. Mas vida nunca mais foi igual. Não sei se por desgosto, se por infelicidade ou se por fado. O álcool passou a fazer parte da vida. Da dele e da nova mulher. Os filhos mais velhos foram como que deixados ao vento. Não sei por culpa de quem, de todos, ou se houve mesmo culpa, senão do fado. A droga entrou na família pelas mãos dos irmãos mais velhos. Lembro-me de vê-los caídos nas ruas de Alfama. Os filhos da mamã estavam perdidos. Nunca mais foram capazes de fugir a este vício. E a droga trouxe todos os outros problemas. Já foram presos inúmeras vezes, são mal vistos no bairro, e quando estão soltos não conseguem arranjar emprego. Mas nunca os ouvi serem mal-educados, resquícios da educação da mãe, que continuava a soar naquelas cabeças.
Quanto à segunda mulher faleceu há cerca de 2 anos com uma cirrose. O fado da família continuo a mandar na família.
Mas não é da família Bexigas que vos quero falar, mas do filho mais novo, o Paulo. Esse, eu conheci desde menino. Jogámos futebol, falámos de namoradas, andámos á porrada por razões estúpidas. No fundo, crescemos juntos. Em 2007 faria cerca de 29 anos se fosse vivo. Era um miúdo inteligente, bonito, traquina, magro, que me vencia, sempre a jogar xadrez. Mas aquela mente não parava. Podia ser alguém na vida, mas o fado não o deixou. Vivia numa casa destroçada – Por um pai que vivia no passado, por uma mãe que por nunca se sentir ser os alicerces, desligou-se dos mais velhos (que nunca os considerou dela) e não deu atenção ao mais novo. Se quisesse não estudava, nem ia às aulas. Muitas vezes nem a casa ia para comer. E nunca ninguém se preocupou. Cresceu com a ideia de uma vida fácil. E foi essa vida fácil o seu fado.
Sem estudos, os empregos não prestavam e eram mal pagos. Sem família para o orientar. Num passo caiu na tentação do dinheiro fácil – a prostituição. Queria o que via nos outros e não podia ter. Conforme me disse um dia “se não tivesse visto riquezas, não me importava de ser pobre”. Conforme dizia o povo – Ganhava dinheiro só por baixar as calças.
Mas o povo esquece-se o que isso faz à cabeça dos rapazes. Aquilo por que passaram, por que passam, o que fazem para ter aquele dinheiro “fácil”, tem de ser esquecido. Nada melhor do que a droga para ajudar a ter este dinheiro “fácil”.
Não sei se pela droga se por ter relações desprotegidas (soube que essas são mais bem pagas) o destino pregou-lhe novas partidas – o HIV/SIDA.
Não sei quando a apanhou, mas lembro-me ver aquele rapaz onde a inteligência o tinha colocado assim, a beleza tinha desaparecido, a traquinice tinha-se desvanecido, mas magro, magro como nunca. Ninguém lhe dava 24 anos. A vida fácil foi muito desgastante e tinha tornado velho e doente um rapaz jovem.
O Paulo Bexigas nunca foi piloto de aviões da força aérea, seu sonho de criança, nunca casou com uma mulher loira e bonita, nunca teve uma casa em Cascais. No final nunca teve vida.
O fado de Alfama ganhou mais uma vez. No fim ficou-me a lembrança deste jovem que no futuro ninguém se vai lembrar, onde os sonhos escorreram pelas mãos como areia fina, onde os sonhos se tornaram pesadelos e a vida fácil tornou-se num inferno.
A morte do pai Bexigas veio colocar fim à sua vida desgraçada. Duma vida talhada na pedra para a felicidade mas que uma falha veio estragá-la.
Fados de Alfama.

Panteão Nacional e Obras de Santa Engracia

Fundada em 1568 por iniciativa da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, figura ímpar do Humanismo português, aquando da criação da nova freguesia de Santa Engrácia por breve do Papa Pio V, a primitiva igreja foi construída pelo arquitecto Nicolau de Frias, segundo traças aprovadas pelo Arcebispo D. Jorge de Almeida. Nada resta deste templo, que em 1630 foi alvo de um roubo sacrílego e, de seguida, de obras de reconstrução da capela-mor, a cargo de Mateus do Couto (Sobrinho), capela essa que viria a ruir em 1681, o que obrigou a mesa da Confraria dos Escravos do Santíssimo Sacramento, formada por nobres e poderosos, a erigir uma nova e mais sumptuosa igreja. Feito concurso em 1683 para estudo do melhor projecto, foi este ganho pelo arquitecto João Antunes (1642-1712), que dirigirá a primeira fase da construção. O risco de Antunes, tira partido da desafogada situação paisagística do sítio, a meio da encosta defronte do Tejo, e constitui a primeira obra de claro figurino barroco no panorama arquitectónico nacional. O modelo é centralizado, de vastas proporções, definindo uma cruz grega de flancos sinuosos, com associação de quatro torreões-bloco, numa longínqua evocação de San Pietro in Montorio e San Satiro em Milão, de Donato Bramante, e com influências de Guarini (fachada do palazzo Cornaro), acrescido de riquíssimo ornamento mosaicista.
O templo, mostra um desenho encurvado dos braços da cruz grega, formando absides que se articulam com o pano murário rectilíneo dos torreões e criam um efeito espacial único, tirando partido da parede-ondulante, tal como as igrejas e palácios romanos e parisienses do século XVII. O portal mostra quatro colunas espiraladas de pedra rósea, com capitéis compósitos e remate de baixo-relevo com a padroeira.
À morte de João Antunes a igreja estava longe de acabada, sendo as obras dirigidas por Manuel do Couto (que cerra a abóbada central) e Santos Pacheco, com intervenções do cônsul-arquitecto Antoine Duverger, até sofrer os efeitos do terramoto. Tais vicissitudes levaram a que as obras só fossem acabadas em meados do século XX (já como Panteão Nacional, criado em 1916), pelos arquitectos da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (Raul Lino, Lyster Franco), sem término das torres e com adjacência de uma abóbada com lanternim, demasiado desproporcionada para a sólida estrutura espacial definida no projecto barroco de Antunes. Mesmo com tais adições, que os atrasos impuseram, houve respeito pela traça aprovada no concurso de 1683, deixando incólume a novidade estrutural daquela que é a primeira igreja portuguesa verdadeiramente barroca

Esta Igreja foi construída no local de uma outra antiga igreja paroquial e construído em honra de Santa Engrácia . Como as alterações e as construções que sofreu ao longo dos tempos, estas obras converteram-se na expressão popular daquilo que não tem fim.
A lenda referente a esta Igreja está ligada a um jovem que foi condenado à fogueira pela Inquisição a 3 de Fevereiro de 1631. Junto destas tão conhecidas obras existia o Convento de Santa Clara e diz-se que uma freira se enamorou por um jovem de seu nome Simão Pires Solis. Tão grande era o amor deles que todas as noites o rapaz vinha ter ao convento para se encontrar ás escondidas com a amada. Uma noite, o Sacrário com as hóstias foi roubado do convento e, embora estivesse inocente, Simão Solis foi denunciado pela vizinhança à Inquisição. Simão foi condenado à fogueira sem pena nem piedade. Quando ia a caminho do seu destino e ao passar pelas obras da Igreja de Santa Engrácia disse: “Morro inocente! É tão certo eu estar inocente como é certo que aquelas obras nunca se acabem!” Desde então ( século XVII) que as obras de Santa Engrácia se tornaram difíceis de terminar. Quando estavam quase concluídas as obras, a cúpula ruiu, dificuldades técnicas impediram o retorno das obras. Após o terramoto de 1755 tentou-se novamente a sua reconstrução mas só no século XX é que as obras se deram por terminadas fazendo-se uma cobertura metálica.
No entanto elas terminaram, mas como demoraram muito ficamos sem saber se era inocente ou não. Lendas da nossa cidade.

Arco escuro

Beco do Arco Escuro é hoje um arco de volta abatida com dois metros e meio de largo, e abre-se a partir da rua dos Bacalhoeiros pelo lado norte. Passando um pequeno troço da rua das Canastras e a Travessa de Santo António chega-se ao largo da Sé.
Para alguns autores este lugar seria o antigo postigo da rua das Canastras, aberto na muralha depois da reconquista, e que serviria mais para serventia do que para defesa.
Para outros autores dizem que neste lugar terá existido a Porta do Mar, pois por ali entrava o mar aquando da maré-cheia.
Um facto é indesmentível, depois da reconquista e com o desenvolvimento da cidade as portas tornaram-se inúteis, mudaram-se em arcos. Passou-se da porta medieva para o arco, de fins guerreiros para fins pacíficos e urbanos. O crescimento da cidade e a conquista da cidade ao Rio Tejo, veio tornar a muralha prejudicial ao movimento da cidade com o rio.
Sabemos pela carta do Cruzado Osberto de Bawdsey que o último assalto à cidade se fez a partir desta zona, e a cidade foi conquistada ao fim de 17 angustiosas semanas.

Trienal de Arquitectira e o Museu de Teatro Romano



Estive a ver o Blog da Trienal, nesta morada:




E vi que um dos 15 projecto finalistas do concurso de Vazios Urbanos era o Museu de Teatro Romano. Quem o conhece sabe que apesar de terem recuperado o museu, tem muito mau aspecto a parte que mostra o palco e parte do anfiteatro junto à Rua da Saudade.


Assim, os Arquitectos Ana Maria Lopes e Tiago Mestre apresentam esta proposta:




"Propõe-se a remoção total das coberturas metálicas que actualmente abrigam o local, a limpeza sistemática da ruína deixando somente os elementos em pedra e alvenarias, a remoção de todo o paramento que actualmente faz a ligação, pela Rua de S. Mamede, ao museu, a reconstrução de todo o sistema público de ruas em lajetas em lioz com dimensões variáveis, a inclusão de guardas metálicas sobre cada uma das três áreas de escavação, a implementação de uma pequena cafetaria reutilizando a pequena construção existente sobre a plataforma mais a Sul e um sistema de iluminação geral que valorize o conjunto durante a noite.
Mais uma vez, a tecnologia construtiva joga aqui um papel de grande importância pois, sendo ela uma das matérias em que a arqueologia se debruça é também ela que virá afirmar e diferenciar os elementos que esta proposta desenha. É esta linha sinuosa de contacto entre o “aparelho” de pedra que constrói o sistema pedonal e os vestígios construídos que lhe servem de base que se constituirá como chave para a leitura e entendimento do Lugar, do Teatro Romano, do passar do Tempo.

O que disse o júri:
A proposta que basicamente propõe retirar a cobertura das ruínas do teatro Romano de Lisboa tem o mérito de defender uma integração das mesmas no tecido urbano da cidade contemporânea reclamando o seu uso quotidiano e contrário a uma ideia de património arquitectónico musealizado ao ponto de se tornar inútil.

Contributo para uma reflexão:
Se um museu é, por definição, um espaço de democracia no que respeita ao acesso à arte e à cultura, conceber um espaço-museu é abri-lo à vivência pública e torná-lo, ele mesmo, em espaço vivo e vivido. É esse o repto da proposta de Ana Maria Ribeiro Lopes e Tiago Mestre, que fazem abrir à cidade as ruínas do teatro Romano de Lisboa. No seu desenho, fazem coexistir novos acessos pedonais com o conjunto museológico, integrando apontamentos funcionais que permitam dotar o espaço de um percurso próximo e uma experiência mais íntima."
Segundo a organização do evento nos próximos dias (finais de Julho ou principio de Agosto vão ser afixados nos locais, dos 15 vazios urbanos, vão ser publicamente expostas em painéis de grandes dimensões, nos locais para os quais foram pensadas. Os outdoors pretendem promover o debate sobre a requalificação idealizada para os lugares em questão.
Boas ideias são sempre bem vindas. É necessário saber como se pode mudar algo errado na cidade e preservar o nosso passado.

Administração do Porto de Lisboa - relatório do Tribunal de Contas

Ao ler o jornal Sol do sabado dia 21 de Julho com a noticia de que o Tribunal de contas arrasa a gestão da Administração do Porto de Lisboa (APL), considerando que existe “ponderação para eventual procedimento criminal”.
A razão para tal conclusão é a seguinte:
Em primeiro lugar uma divida, provocada pelas três administrações do porto de Lisboa, entre 2002 e 2006, no valor de 20 milhões de Euros.
Em segundo lugar a APL (empresa publica) não consegue cobrar da Lisboagaz (empresa publica) e da Refer (empresa Publica) uma divida global de 940 mil Euros. Estranho estando a falar de dívidas de várias empresa publicas para outras empresas publicas.
Em terceiro lugar, a APL não sabe aquilo que gere, nem temo levantamento topográfico das zonas concessionadas. O que vem mostrar que esta empresa não tem organização para poder concessionar zonas que nem sabe se lhe pertencem. Faltando segundo o tribunal de contas cobrar cerca de 5 milhões de Euros referentes a taxas de áreas concessionadas.
Em quarto lugar, o Estado ainda não estipulou a compensação, muito menos pagou, a desvinculação de espaços afectos à Expo 98. Não tendo a APL feito nada para que o valor fosse estipulado e pago.
Em quinto lugar, considera ruinosa para a APL (e para Lisboa –considero eu) a afectação dos terrenos junto ao Cais do Sodré para duas agências europeias. Ficando o ónus de construção para a APL, no valor total de 32,3 Milhões de Euros.
Em ultimo lugar, uma empresa com tantas dividas, não compreende o Tribunal de Contas e os cidadãos, como poder ter afectado 800 mil Euros para a compra de viaturas para a administração de quadros superiores.

É esta empresa que diz pretender rejuvenescer a zona ribeirinha, não ceder a interesses imobiliários e criar uma zona aprazível?
Muitas duvidas me deixa a noticia publicada. Penso que tudo o que se fizer na zona ribeirinha devia ser apresentado aos lisboetas para poderem discutir e aprovar o que a classe politica decide. Já estamos fartos de aceitar as obras efectuadas como facto consumado. Já oiço os lisboetas a criticarem o que se passa no Cais do Sodré mas a dizerem que o Estado manda e nada podemos fazer.
Acontece que as pessoas esquecem que o estado somos todos. O estado existe porque os contribuintes existem. Os políticos existem porque cidadão votantes existem. As coisas existem porque nós deixamos e não criticamos. Não utilizamos o nosso direito de criticar, falar das coisas, de nos manifestar. Estamos dentro do nosso casulo e nada achamos que podemos fazer. Por isso é que os políticos acham que podem fazer tudo e quem não está na politica critica e tem inveja de não estar naquele lugar. Esquecendo todos que a politica é uma palavra de origem grega que quer dizer actividades relativas à polis (ou sociedade). A politica não é fazer o que se quer mas trabalhar para a polis, para a sociedade – Algo que todos se esqueceram.

Feira de Ladra Alternativa


Vai-se realizar nos dias 28 e 29 de Junho, no Largo do salvador, em Alfama, a Feira de Ladra alternativa - denominada de "Ladralternativa".

Um grupo de criadores vai mostra o resultado da reciclagem de objectos criando objectos novos de acessórios e de cerâmica.

A associação " Aprender África" é a convidada desta edição e tem ,entre outros projectos, a implementação de uma biblioteca dirigida essencialmente ao público jovem na cidade de Nacala no norte de Moçambique.
Quem quiser contribuir para esta iniciativa, basta levar para o evento livros usados, novos,antigos,recentes,....assim ajuda e renova as prateleiras lá de casa!!!!
A "Ladralternativa" juntamente com a "Aprender África" agradecem.

É uma feira que vale a pena, num bairro indispensável de conhecer e de visitar.

MORADORES SUSPIRAM POR ALFAMA DE "ANTIGAMENTE"


Foi publicado no Diário de Noticias de 2 de Junho de 2007 aquilo que os habitantes de Alfama consideram das obras existentes no bairro:


"Obras municipais de reabilitação paralisadas e outras que correm a conta gotas em Alfama fazem a população suspirar pelo bairro de antigamente, antes da saída de muitos moradores e quando as ruas eram percorridas por milhares de turistas. Comerciantes, moradores e os presidentes das juntas de freguesia de São Miguel e Santo Estêvão são unânimes em considerar que as obras são necessárias, mas queixam-se do arrastar dos trabalhos, alguns há 10 anos, e dos estaleiros espalhados pelo bairro lisboeta que dificultam a passagem nas ruas íngremes e estreitas da zona. "Isto está um caos, está tudo parado, só se vê tapumes. São as obras de Santa Engrácia", afirmou José Meggi, proprietário de uma papelaria na rua de São Miguel, que teve de mudar de instalações há mais de dois anos quando começaram as obras no edifício, que entretanto pararam. As obras têm causado um prejuízo "muito grande" a José Meggi, justificando que os andaimes e o piso irregular causado pelas obras afastam as pessoas da rua. Numa padaria em frente à loja de José Meggi, a funcionária, Maria, contou que os moradores estão sempre a reclamar das obras. "Há muito ratos e estes andaimes e tapumes dão muito mau aspecto ao bairro de Alfama, muito procurado pelos turistas", sustentou. Por todo o bairro, encontram-se várias obras paradas tapadas com telas, já amarelecidas pelo tempo, com a inscrição "Obras de Reabilitação" da Câmara de Lisboa. “As telas ainda são do tempo de Pedro Santana Lopes", comentou à Lusa Carlos Dias, em frente a um edifício no largo de São Miguel, cujas obras de requalificação nem sequer chegaram a começar. Nascido no bairro há 52 anos, Carlos Dias confessou que é com "muita tristeza" que vê o bairro em obras permanentes: "é mau para quem visita e para quem mora". No Beco das Bandas, as obras de um grande edifício, integradas no Projecto Integrado do Chafariz Dentro, pararam há mais de seis meses, restando apenas algum entulho em frente à obras, contou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, Francisco Maia. "Temos queixas contínuas dos moradores. A Câmara de Lisboa não actua e nós somos descredibilizados perante a população", referiu o autarca. Na Rua de São Pedro, quatro edifícios em obras, cujas telas e tapume escureceram a estreita rua, têm posto os nervos dos moradores em franja. Um deles é o Sr. Gonçalves, proprietário de uma mercearia, que se queixa da quebra no negócio. "Tiraram-nos a clientela toda e as obras nunca mais acabam para as pessoas poderem voltar para o bairro". Ao cimo da Rua Norberto Araújo, quatro edifícios aguardam pacientemente há 10 anos a sua reabilitação e gera queixas dos moradores. "Isto já devia estar mais que pronto", afirmou um morador, acrescentando que esta situação prejudica o turismo: "quando os turistas vêem isto até têm medo de passar e ser assaltados". Na Rua de São Pedro, um prédio, que ocupa quase um quarteirão, está com as obras paradas há cerca de três meses e na Calçadinha de Santo Estêvão um imóvel mantém-se emparedado há mais de 15 anos, suscitando alguma preocupação dos residentes. Alguns metros mais há frente, no Beco do Espírito Santo, um edifício espera há cerca de seis anos pela conclusão das obras e obrigou, tal como nos outros prédios, ao realojamento das pessoas. "A minha mãe morou aqui toda a vida e teve de sair, com o desgosto sofreu um acidente cardiovascular", contou a filha da moradora." Muitos gostavam de voltar para o bairro, porque isto é uma família, mas já não voltam porque morrem entretanto, salientou Carlos Jorge, nascido em Alfama há 69 anos. Para a presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão, Maria de Lurdes Pinheiro, as obras têm causado enormes prejuízos para os moradores que ficaram no bairro e para os que tiverem de sair devido às obras. "São idosos que tiveram de ser realojados noutros locais e têm muitas saudades do bairro e dos vizinhos", justificou, lembrando ainda que é a autarquia que paga a renda dessas pessoas. Uma das lutas da população é a retirada de estaleiros do bairro, que consideram não ter utilidade, uma vez que as obras estão paradas. Um desses estaleiros está situado no Largo Chafariz Dentro e outro no largo de Santo Estêvão. "O estaleiro no largo de Santo Estêvão - que servia de apoio a uma obra na Rua Guilherme Braga que está parada desde 2006 - está completamente vazio, com placas de metal a tapar o espaço, que está constantemente a ser vandalizado", disse a autarca. Além disso, acrescentou, está a ocupar uma zona onde os lugares de estacionamento são necessários. "Só tivemos prejuízos. As obras têm afastado muitos para atrapalhar, uma vez que está vazio", sustentou. A crise financeira na autarquia acabou por implicar, "por falta de pagamento", a suspensão das obras de reabilitação urbana em Alfama, Mouraria e São Bento, segundo um relatório de execução financeira da autarquia relativo ao primeiro trimestre deste ano divulgado pelo Rádio Clube Português. A Lusa contactou a Câmara de Lisboa para saber quantos edifícios foram recuperados e quantos faltam por reabilitar em Alfama, no âmbito dos três programas de requalificação 'Alfama Quem Cuida Ama', 'Lisboa a Cores' e 'Repovoar Lisboa', mas não obteve resposta em tempo útil."

Lisboa/Eleições: Costa (PS) quer bloquear projectos de construção da Administração do Porto de Lisboa

Em 8 de Julho a Lusa deu esta noticia sobre a opinião do candidato a presidente da Câmara de Lisboa, hoje verdadeiramente Presidente da Câmara indigitado, António Costa sobre a Administração do Porto de Lisboa:

"O candidato do PS a presidente da Câmara insurgiu-se hoje contra os projectos da Administração do Porto de Lisboa de construir centros de congressos e comercial, dizendo que esta entidade não pode comportar-se como autarquia "sombra".
"O Porto de Lisboa não pode ser uma Câmara Municipal sombra e tem de ser posto no seu devido lugar", declarou António Costa no final de um passeio de barco pelo rio Tejo, em que participaram vários empresários do sector do turismo.
No seu discurso, o candidato do PS a presidente da Câmara de Lisboa criticou duramente os projectos da Administração do Porto de Lisboa no sentido de construir um centro comercial na zona de Santa Apolónia e um centro de congressos nos terrenos da Docapesca.
António Costa afirmou que tem de ser mudada a relação com entre a autarquia e a Administração do Porto de Lisboa, cabendo a esta última entidade "fazer aquilo que sabe fazer, que é a actividade portuária".
Na perspectiva do candidato socialista, tanto a construção do centro comercial, como do centro de congressos, "são duas iniciativas mal pensadas e próprias de quem não sabe o que é gerir a cidade".
"É um erro o Porto de Lisboa pretender fazer um centro de congresso quando a Associação Industrial Portuguesa já tem um projecto idêntico. Por outro lado, não aproveitar o novo terminal de cruzeiros próximo do Terreiro do Paço para revitalizar a baixa, fazendo antes um centro comercial para concorrer com a baixa, é também um erro", sustentou.
Segundo Costa, o Porto de Lisboa "deve dedicar-se à actividade de mercadorias e de passageiros e a Câmara deve dedicar-se a planear e a gerir a cidade".
"A partir do momento em que a Câmara tiver autoridade política, estou certo que o Porto de Lisboa vai ser posto no seu lugar, devolvendo à autarquia as competências que não pode continuar a desempenhar", acrescentou.
Numa acção de campanha em que estiveram presentes o presidente do Instituto de Turismo de Portugal, Luís Patrão, o presidente da Parque Expo, Rolando Borges Martins, e vários empresários do sector do turismo (casos de André Jordan, António Trindade, Jorge Rebelo de Almeida e Alexandre Almeida), o candidato do PS apontou três prioridades para o sector do turístico da capital.
Em primeiro lugar, Costa defendeu que a Câmara tem de "articular estratégias" com outras entidades ao nível regional, com o Estado e investidores.
"A Câmara tem de adoptar um programa de simplificação administrativa (o Simplis), de forma a agilizar e racionalizar a análise dos processos", adiantou.
Como terceira prioridade imediata, o candidato socialista prometeu apostar "na qualidade do espaço público -pequenas coisas que são indispensáveis à imagem da cidade".
"Podemos ter muitos hotéis de cinco estrelas, mas se a cidade não estiver cuidada nunca terá imagem de qualidade", sustentou."


Esperemos que não tenha fraca memória e que lute com toda a força para que os maus planos da Administração do Porto de Lisboa, contra a própria cidade não sigam em frente.

Àguas de Alfama

Neste link, que podem seguir, vão encontrar um estudo feito sobre as águas em Alfama feito pelas Técnicas Superiores do Instituto nacional de Engenharia, Elsa Cristina Ramalho e Maria Carla Lourenço sobre a importância deste liquido, incolor, inudor e sem sabor para o Bairro de Alfama. Tanto mais onde de todas as fontes do bairro, só uma se encontra a funcionar.



Vale a pena ler e pensar nisto.

Especulação imobiliária temida na zona ribeirinha

Vi esta noticia no Jornal de Noticias assinada pelo jornalista José António Domingues:
"A Comunidade Portuária de Lisboa, que reúne vários operadores do porto de Lisboa, alertou ontem para os riscos de especulação imobiliária caso a gestão das zonas ribeirinhas passe para a autarquia lisboeta. "Estes terrenos são muito valiosos e tememos que se houver mudança de gestão da zona ribeirinha deixemos de ter esta zona e passemos a ter aqui especulação imobiliária", disse o presidente da Comunidade Portuária de Lisboa, João Carvalho, durante uma conferência de imprensa ontem em Lisboa.
Num documento distribuído aos jornalistas, os responsáveis da Comunidade Portuária vão mais longe e consideram que "passar para a gestão camarária as áreas da zona ribeirinha do Tejo, não significa preservar essas zonas, mas receamos antes pelo contrário, abri-los à voragem da especulação imobiliária".
Acrescentam que se esta zona está hoje razoavelmente preservada "foi exactamente porque se impediram excessos aos apetites camarários".
A discussão em torno da futura gestão das zonas ribeirinhas marcou a campanha eleitoral para a câmara de Lisboa, depois de ter sido conhecido o convite feito a José Miguel Júdice, mandatário da candidatura de António Costa (PS), para liderar o projecto governamental de reabilitação da frente Tejo da cidade. O projecto equivaleria a uma nova Expo'98 na zona ocidental e envolveria como parceiros as câmaras de Lisboa e Oeiras e Administração do Porto de Lisboa (APL), que veria a sua autonomia reduzida.
Todos os 12 candidatos à câmara municipal de Lisboa defenderam durante a campanha a limitação das competências da Administração do Porto de Lisboa (APL) nas zonas ribeirinhas, argumentando que é necessário devolver o rio aos lisboetas."
No entanto à algo que acho estranho que a APL tenha dito. Por exemplo:
  1. "passar para a gestão camarária as áreas da zona ribeirinha do Tejo, não significa preservar essas zonas, mas receamos antes pelo contrário, abri-los à voragem da especulação imobiliária" - Estranho, se pensarmos que aquilo que o plano da APL para o Jardim do tabaco, tendo dinheiro a fundo perdido a 40% da União Europeia, não vai, segundo as contas do próprio APL, custar nada ao erário publico. Tal indica que vai vender ou arrendar o espaço a quem pagar mais. Isto penso que é especulação imobiliária. Tanto mais que se pretende fazer um hotel e um centro comercial.
  2. "Acrescentam que se esta zona está hoje razoavelmente preservada foi exactamente porque se impediram excessos aos apetites camarários" - Basta olhar para a Praça do Comércio, Cais do Sodré, jardim do Tabaco, para vermos que nada está preservado. Por outro lado, não considero não fazer nada nos outros sítios como preservação mas sim abandono.
  3. Por ultimo, tenho medo que criem uma nova Expo na zona central e ocidental da cidade. cada vez mais se torna difícil viver na zona do Parque das Nações. Existindo apenas nos 10 metros junto ao rio algum espaço para passear. Deixou-se a especulação imobiliária tomar conta do sitio. Não existindo casas de valor justo, mas de valor para estratos da população que se arrependeram de ali comprar casa.

EMEL - não existe juridicamente?


A propósito do texto que escrvi sobre o estacionamento encontrei este texto da revista Automotor que vem falar sobre a EMEL.


Passo a transcrever:


"A EMEL nunca existiu

Um dia a casa vem abaixo. Tragédia que facilmente acontece quando as fundações que a sustentam estão presas na atmosfera. Ora, tais noções básicas de construção civil não deviam apanhar de surpresa o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carmona Rodrigues, dada a sua recente – ainda que efémera – passagem pelo ministério das Obras Públicas, Transportes e Habitação.
Mas enquanto o autarca, ao melhor estilo do seu antecessor, Santana Lopes, avança perante os gravadores dos jornalistas com a intenção de alargar as competências dos fiscais da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL), a fim de estes poderem multarem os veículos infractores mesmo fora das áreas reservadas aos parquímetros, a AutoMotor tem algo a sugerir-lhe, muito modestamente, como alvo prioritário das suas atenções: é que, segundo apurámos, e revelamos em primeira mão nestas páginas, a EMEL não tem quaisquer bases legais. Nem estrutura que a sustente do ponto de vista jurídico. E, tal como um prédio degradado, poderá estar à beira de ruir pelos alicerces.
Onde pára a escritura? A nossa revista sabe ainda mais... Precisamente ao mesmo tempo que o leitor estiver a ler estas páginas, estará quase concluído um processo interposto pela Associação de Defesa do Condutor (ADEC), e conduzido pelo advogado Nuno Ribeiro, que dará muitas dores de cabeça a Carmona Rodrigues e ao vereador do Trânsito, António Monteiro – que acumula com o cargo de presidente da EMEL.
A acção, que obrigou este jurista a dois meses de trabalho aturado e exclusivo, nasceu quase por acaso, quando, a propósito de uma pequena notícia da RTP, relacionada com um reboque alegadamente indevido, se chegava à conclusão de que ninguém na EMEL sabia da existência e até da obrigatoriedade de uma escritura pública na génese da empresa.
O episódio ficou-lhe na retina. E as investigações confirmaram não haver ninguém que respondesse por semelhante documento – da parte da administração da EMEL também não houve qualquer resposta às várias perguntas colocadas pela AutoMotor sobre o assunto.
Qual a gravidade desta lacuna? “É que a EMEL, simplesmente, não existe sem ela”, afirma Nuno Ribeiro, explicando ainda que, “até 1998, não havia lei das empresas municipais, por isso, estas eram constituídas por escritura pública ou por decreto”. A partir de 1998, “apenas por escritura pública poderiam ser criadas empresas municipais”, conforme consta no Artigo 5º da Lei 58/98 de 18 de Agosto (alínea 1), publicado em Diário da República (DR). “Algo que não aconteceu”, enfatiza o advogado.

Significa isto que não bastava aos responsáveis escrever no site da empresa que a EMEL “foi criada”. Não. “A informação que a própria EMEL disponibiliza é que foi constituída por deliberação da assembleia, sob proposta da CML”, diz o jurista.

Enquanto a primeira ilegalidade é uma questão de forma, a segunda é de substância. Vejamos o argumento da acusação: “Em termos muito simples, aquilo que a EMEL faz é arrendar uma parcela da via pública. A pessoa paga para lá deixar a viatura algum tempo. Isto traduz-se na figura de um contrato de arrendamento. Só que as vias são do domínio público, propriedade do Estado, e, como tal, não podem ser objecto de quaisquer negócios: não podem ser vendidas, arrendadas, compradas... Todos os juristas sabem que qualquer coisa que esteja fora do comércio não pode ser objecto de negócios jurídicos. E é isso que a EMEL faz: arrenda-nos algo que não pode arrendar. Isto é algo que se aprende no primeiro ano do curso de Direito”.

Bloqueamento desproporcional
Consoante vamos privando com a acção elaborada pela ADEC, mais a EMEL parece não ter chão nem tecto. Partindo do princípio de que tudo isto estava bem – “e já vimos que não está”, reafirma o advogado – a actividade desta empresa viola dois direitos constitucionais: o da igualdade e o da personalidade. “Suponhamos que eu sou utente da EMEL, em Lisboa, e tenho de pagar uma determinada quantia. Mas se for utente de outra empresa do mesmo género, já pago menos. E até se dá o caricato de, na mesma rua, de um lado do passeio haver parquímetros e do outro não. Há aqui um direito de Igualdade que é ferido! E, no fundo, quem é obrigado a pagar? A pessoa que não tem alternativas eficazes aos transportes públicos ou que não tem dinheiro para pagar o estacionamento numa garagem. Isto é inconstitucional”, defende.

O segundo atropelo constitucional, relacionado com a personalidade, prende-se com o facto de o bloqueamento e subsequente reboque dos veículos ser “manifestamente desproporcional”. Só porque não se paga uma determinada quantia – que nem sequer devia ser paga –, a pessoa fica privada do seu automóvel por um período de tempo. Isto viola o Artigo 193º do Código de Processo Penal, quando este diz que “deve ser aplicada a sanção menos grave que seja proporcional à situação”. Que é justamente aquilo que não acontece aqui. “É muito exagerado que, por não se pagar 27 cêntimos, se possa ficar privado do carro. E ter ainda de pagar mais 60 euros e outros 30 euros no processo judicial. É absurdamente desequilibrante”, adianta Nuno Ribeiro à nossa revista.

Poderíamos ainda mencionar os métodos de pagamento. Porque não dão as máquinas troco e algumas vão ao ponto de cobrar 27 cêntimos por meia hora, não aceitando moedas de dois cêntimos, o que equivale a um roubo de dois cêntimos (assunto já abordado pela AutoMotor)? Ou porque motivo obrigam os utentes a ter PMB ou moedas trocadas? “A legalidade é também aqui muito duvidosa. Todos os meios de pagamento em circulação deveriam dar, até o cheque. Algo que acontece no estacionamento subterrâneo. Não pode ser obrigatório ter moedas ou PMB, principalmente quando não dão troco”, defende.
Uma longa batalha...O rosto do processo
Nuno José Ribeiro é um nome que a administração da EMEL não deverá esquecer nos próximos anos. Talvez nunca o venha a conseguir, se este advogado, de 34 anos, levar de vencida este megaprocesso, como acredita piamente, que ameaça fazer ruir pelas bases uma das mais “odiadas” empresas municipais. Até porque esta, segundo afiança, “nunca existiu”, à letra da lei. Preparado para lutar por um processo que poderá demorar entre cinco e seis anos, caso chegue até ao Supremo Tribunal Administrativo, Nuno Ribeiro reclama, enquanto mandatário da ADEC, tão somente o reconhecimento da inexistência jurídica da EMEL, e, por consequência, o desfazer de todos os negócios jurídicos da empresa, assegurando que nenhuma outra EMEL possa, no futuro, explorar as vias de circulação e as nossas ruas. Isto e ainda o extorno devido aos milhares de utentes, alusivo aos últimos 10 anos de actividade ilegal. A AutoMotor deu-se ao trabalho e, com a ajuda de uma calculadora, facilmente concluiu que, na última década, só em tickets dos parquímetros terá gasto indevidamente perto de 8000 euros, a uma média diária de três euros. A estes valores terão de adicionar-se as centenas de multas, os reboques, o troco que não é dado pelas máquinas, bem como um cálculo relativo ao tempo de produtividade perdido à procura da moeda.

Na essência, como resume o jurista, uma vez provada em sede própria a nulidade da EMEL, os utentes terão direito a ver-se ressarcidos por tudo isto, pois “andaram a sustentar uma empresa inexistente”. E não se pense que o simples facto de a data da “pseudo-criação” ser de há 10 anos poderá, eventualmente, ditar a prescrição do processo. “Quando estamos face a uma situação de nulidade jurídica, as consequências patrimoniais dessa situação não prescrevem”.
Resta agora esperar que a acção dê entrada no tribunal, que o juiz seja constituído, bem como encontrado o número do processo, a fim de ser publicado em DR – nessa altura, e dado tratar-se de uma acção popular administrativa, será também editada, noutras publicações (ditas normais), o anúncio, dando conhecimento ao público dos contornos do processo, a fim de possibilitar aos eventuais interessados o exercício do seu direito de auto-exclusão. Direito de que o autor desta peça abdicará, já que será o primeiro a juntar o nome à acção judicial, para contar, em tempo útil, a continuação desta longa história que começa nestas páginas e acabará na barra do tribunal."


Acresce que poderá ser possível solicitar a nulidade da existência da EMEL, pois de acordo com o art. 42º da referida Lei 58/98 "No prazo máximo de um ano a contar da data de publicação, as empresas municipais já constituídas deverão adequar os seus estatutos ao disposto na presente lei."

E adequar os estatutos era no prazo de um ano, a contar de 1998, elaborar uma escritura pública. Muita água ainda vai correr debaixo desta ponte.

Alfama

Ruas estreitas, becos esquecidos
ai a saudade de te ver sozinha,
nas grandes escadas e pátios perdidos
e gritar - Alfama, alma minha.

do teu cheiro tenho saudades,
das tua musicas, das tuas vivências,
da minha vida em outras idades,
onde tudo era repleto de inocências.

Ao longo de séculos sobreviveste.
Tentaram-te matar mas não conseguiram.
Feriram-te, curaram-te e assim sobreviveste.

Marcada pelas agruras da vida,
No fado choras o que te fizeram,
sendo esta a tua única lida.

Memórias


Às vezes quando ando por Alfama vem-me o passado à consciência. Daquilo que o Bairro era e hoje se tornou diferente. As mesmas paredes mas com um conteúdo diferente.
Tenho saudade das crianças que brincavam no largo das ratas. Os campeonatos que se faziam naquele largo (largo das alcaçarias). Tenho saudades das crianças que brincavam ao jogo do elástico.
Tenho saudade de nunca estar sozinho. De todas as pessoas me conhecerem pelo nome. Da cusquice da vizinha, que tinha de saber com quem eu namorava. Tenho saudade dos abraços e beijos das varinas que me deixavam coberto de escamas. Tenho saudade de tratar os vizinhos como família, pois entre nós existia um relacionamento mais forte do que o de sangue.
Tenho saudades do bairro que nunca se calava, das zangas dos vizinhos que logo de seguida eram esquecidas.
Tenho saudades deste bairro. Mas já diz o povo recordar é viver e portanto a minha Alfama de antigamente continua viva no meu coração.

Problemas de estacionamento em Alfama

Um grupo de moradores da freguesia de Santo Estêvão participou na Assembleia Municipal de 15 de Maio. Em seu nome, Paulo Amaral fez uma intervenção sobre as questões do condicionamento do trânsito em Alfama.

"EXMA. MESA DA ASSEMBLEIA
EXMAS. SENHORAS E EXMOS. SENHORES PRESIDENTES DE JUNTA
E DEMAIS ELEITOS

Somos moradores do bairro de Alfama, mais concretamente da Freguesia de Santo Estêvão, e vimos colocar a V. Ex.ªs alguns considerandos do que tem sido estes quase quatro anos de trânsito e estacionamento condicionado, imposto pelo Regulamento Específico da Zona de Estacionamento de Duração Limitada de Alfama.
Há cerca de 4 anos que o trânsito no Bairro de Alfama está sujeito a regras. Desde aí foi implementado um regulamento para condicionar o trânsito e o estacionamento nas ruas do Bairro.
Esse regulamento considera, entre outras coisas, trazer inegáveis benefícios para todos os moradores, nomeadamente:
· a segurança dos moradores, que veriam melhorada a circulação de viaturas de emergência;
· a circulação dentro do bairro, reduzindo bastante os bloqueios causados por carros mal estacionados;
· a facilidade para o estacionamento dos moradores, ao afastar do interior do bairro muitas viaturas de visitantes e outros, apesar de os lugares existentes não serem suficientes para os automóveis dos moradores, e por isso existirem sempre dificuldades;
· a melhoria do ambiente e da qualidade de vida de todos os moradores.
No entanto o que se verifica é que:
· a segurança dos moradores passou para segundo plano, pois continua a verificar-se dificuldade na circulação das viaturas de emergência e da própria PSP;
· continua a ser caótica a circulação nas ruas do bairro, pois ruas há em que existindo dois sentidos só consegue circular uma viatura de cada vez;
· a dificuldade dos moradores em estacionar continua a verificar-se, pois grande parte das viaturas estacionadas não têm dístico de autorização para o fazerem;
· o ignorar de todos os pedidos de reuniões e esclarecimentos, feitos pelos moradores e pela Junta de Freguesia de Santo Estêvão, por parte da administração da EMEL;
· depois de todos estes contratempos, a qualidade de vida de quem mora no bairro não melhorou, pois continuamos a ter que dar voltas e voltas ao bairro para conseguir estacionar.

Assim, consideramos fundamental para o bem-estar da população do bairro de Alfama o que a seguir enunciamos:
1. A execução plena do Regulamento aprovado em sessão de Câmara;
2. A fiscalização, por parte dos funcionários da EMEL ou da Polícia Municipal, das viaturas mal estacionadas, estacionadas há vários meses ou sem dístico de autorização para entrarem dentro dos limites do bairro, à semelhança do que é feito em outras zonas da cidade;
3. Fazer com que o Regulamento não seja aplicado de forma arbitrária consoante o funcionário de serviço, para que as regras sejam uniformes, ou seja, não haver dois pesos e duas medidas para permitir ou proibir as entradas no bairro;
4. Sinalizar nos acessos ao bairro a localização dos parques de estacionamento alternativos.

Para terminar:
Passados quase quatro anos da entrada em vigor da Zona de Estacionamento e Trânsito Condicionado no bairro de Alfama, os moradores sentem-se completamente – e sublinho completamente – abandonados pela Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa.

Lisboa, 15 de Maio de 2007"

Obviamente que os moradores de Alfama se sentem enganado pela EMEL que, prometendo o céu, lhes dá o inferno.
Basta ester à entrada do Bairro de Alfama para poder reparar que qualquer carro que queira consegue entrar - a desculpa mais usual é dizer que é para descarregar mercadoria. Aíos carrpos ficam cerca de dias ou semanas e quando saem ninguem os obriga a pagar o tempo que ali estiveram.
Por outro lado, moradores com viaturas com ciclindrada inferior a 50cc, como não pdem ter o distico da via verde têm de solicitar ao funcionàrio da EMEL que lhe dê passagem. Curiosamente parace que nunca é a mesma pessoa. Pois, quase sempre parece não saber a lei e o regulamento da EMEL.
Sou a favor do condicionamento transito, mas como está não resolve nada. Apenas faz com que os potenciais novos habitantes do bairro considerem que não vale a pena ir para um bairro onde até no estacionamento vou ter problemas.

Cais do Jardim do Tabaco III

Em 20 de Abril de 2007 saiu esta noticia no jornal "Público":
«O projecto do Porto de Lisboa, que pretende concentrar os cruzeiros numa zona nobre da cidade, custa 45 milhões de euros e vai ter um financiamento comunitário de 40%. O Porto de Lisboa, que em 2007 espera receber mais de 300 mil passageiros de navios de cruzeiros, é o sexto em toda a Península Ibérica que mais visitantes atrai, captando 14 por cento do volume de passageiros dos dois países. Com o novo terminal, o objectivo é tornar o porto uma referência nas rotas turísticas internacionais. a O terminal de cruzeiros de Santa Apolónia, em Lisboa, que representa um investimento de 45 milhões de euros a concluir até ao Verão de 2010, vai integrar, além da gare marítima, um hotel com dois pisos, uma área de escritórios, zonas comerciais e estacionamento. A secretária de Estado dos Transportes sublinhou que esta obra, cuja primeira fase foi ontem consignada a um consórcio formado pelas empresas Somague e Seth, vai "beneficiar as condições de recepção de navios de cruzeiros", concentrando o tráfego "numa zona nobre da cidade". O projecto, acrescentou Ana Paula Vitorino, pretende também "permitir a reorganização espacial do Porto de Lisboa, disponibilizando a área dos actuais terminais de Alcântara e Rocha do Conde d"Óbidos para a operação de contentores". O segundo trimestre de 2008 é o período avançado pela Administração do Porto de Lisboa (APL) para a conclusão da obra de "reabilitação e construção do primeiro alinhamento de cais", que está orçada em 13,6 milhões de euros. Numa segunda fase, que deverá prolongar-se até ao terceiro trimestre de 2009, vai decorrer a "reabilitação e construção do segundo alinhamento de cais e tratamento e consolidação dos lodos e aterro da doca", com um custo de 24 milhões de euros. Só numa terceira fase arrancará a "construção da nova gare marítima, acessibilidades e envolvente", obra que segundo o vogal do conselho de administração da APL se pretende que seja "autofinanciável", através do investimento dos comerciantes que aqui vão instalar os seus negócios. Nessa altura, sublinhou Daniel Esaguy, ficará concentrada num só local toda a actividade dos navios de cruzeiros, actualmente dispersa entre Santa Apolónia, Alcântara e a Rocha do Conde d"Óbidos.O novo terminal de cruzeiros, que foi apresentado pelo responsável pela divisão de arquitectura e urbanismo da APL, vai incorporar o actual cais de Santa Apolónia e toda a frente de acostagem até à Doca da Marinha, implicando o fecho da Doca do Terreiro do Trigo. O projecto da gare marítima, explicou Rui Alexandre, da APL, integra dois edifícios cilíndricos "com uma certa transparência", nos quais existirão estruturas móveis através das quais se faz o acesso aos navios. Vai também ser construído um hotel, com dois pisos e uma área de 7800 metros quadrados, que vai ter um acesso directo à gare marítima, que ocupa uma área de 11 mil metros quadrados. O projecto contempla ainda áreas comerciais, escritórios, estacionamento para 1065 viaturas, incluindo autocarros e táxis, e uma ponte pedonal que vai fazer a ligação "entre o lado mais urbano e a zona portuária", como explicou Rui Alexandre. O presidente do conselho de administração da APL, Manuel Frasquilho, acrescentou que este empreendimento, que tem um financiamento comunitário de 40 por cento, vai "permitir o início da recuperação de uma área relativamente degradada da zona ribeirinha da cidade e da consolidação das suas acessibilidades".»
De tudo o que li, concordo que a zona ribeirinha deve ser recuperada. No entanto, não concordo com o hotel, com a zona comercial, pois tal situação não vem melhorar as zonas limítrofes mas acabar com o negócio. Por outro lado fazer, dois edifícios cilíndricos "com uma certa transparência", nos quais existirão estruturas móveis através das quais se faz o acesso aos navios não parece normal na zona mais antiga da cidade de Lisboa. Todos criticaram o Centro Cultural de Belém demasiado moderno para estar ao pé dos Jerónimos. E neste caso?
Não é ainda mais antagónico?
Será muito difícil para além do parque de estacionamento para os habitantes de Alfama e do Cais de desembarque, fazer um espaço verde junto á beira rio, para toda a população?
Até se podia colocar esplanadas. Nesse espaço é necessário mais espaço de lazer e menos espaço comercial. Qualquer dia os portugueses não sabem o que é um espaço para descansar, mas apenas vão conhecer os espaços de consumo.
Não existe necessidade de confundir os espaços de lazer com espaços de consumo.

Mas esperemos que não seja mais um dos projectos que a população não pode dizer nada e que seja apresentado como projecto final.
É por isso que Portugal é conhecido como o país exemplo em como não usar o dinheiro da União Europeia. Eles até já têm um dossier sobre nós que entregam aos estados que aderem à união. Nisso somos os primeiros.
Por outro lado, existe algo que deve ser chamado a atenção. segundo o vogal da APL a "construção da nova gare marítima, acessibilidades e envolvente", pretende que seja "autofinanciável", através do investimento dos comerciantes que aqui vão instalar os seus negócios. Mas refere-se que existe um financiamento comunitário de 40%. Assim, não pretende que seja uma obra autofinaciada, mas uma obra com lucro para o APL. Será que a população de Lisboa e do país não concordava que os meus impostos não se dirigissem para determinado tipo de obras e de compras e que se possa dirigir para um sitio que seria de lazer a quem se dirigisse a Lisboa?
Por outro lado, a missão da APL é de "prestação de um serviço multifuncional de base portuária orientada para os Clientes, segundo princípios de racionalidade operacional e económico-financeira, de eficácia social e ambiental e de acordo com as melhores práticas de Segurança marítima e patrimonial". Não parece que em algum lugar se refira a preparação e espaços comerciais ou hoteleiros e a missão de arrendar o espaço que foi, pelo Artº 7º do Decreto-Lei 336/98 de 3 de Novembro, conferido à APL.

Eleições Autarquicas II

Realizaram-se as eleições autárquicas e para que não esteve atento (e curiosamente muitas lisboetas não sabiam que havia eleições para a Câmara Municipal de Lisboa) estes foram os resultados:


Mas, curiosamente o vencedor deste dia eleitoral não foi o PS ou do Dr. António Costa, foi algo muito maior que venceu as eleições por larga maioria absoluta. A abstenção.
A abstenção venceu as eleições por 62,61% das pessoas inscritas. Apenas 37,39% dos votantes foram exercer o seu direito de voto. Tal situação vem revelar graves problemas:
Em primeiro lugar e olhando para a participação das pessoas nas eleições é de que o povo não acredita nas eleições.
Que a necessidade, destas eleições em particular, não foram compreendidas pela população.
Que, os políticos e os novos grupos de cidadãos independentes, não têm uma linguagem para a população, para os problemas desta.

Tais conclusões vêm criar outras conclusões:
1. Em primeiro lugar, tendo esta democracia só 33 anos, é muito desagradável que a população já não se interesse em ser parte da resolução dos problemas.
E ser parte dos problemas, não é só votar. E não poderá ser só criticar nos cafés ou em conversas com os amigos. É participar em reuniões onde os problemas do seu bairro, da sua rua podem ser discutidos. Por exemplo, nas assembleias de freguesia – onde no final de cada uma é dada voz à população. E para tal não poderá ser só criticar os membros da junta ou da assembleia. É necessário ter ideias para podermos todos resolver o problema.
2. Em segundo lugar, a população achou que as eleições foram feitas porque uns senhores não conseguiram manter o poder e outros (iguais) conseguiram marcar eleições. Sendo assim, porque é que a população tem de ser metida nisto. Porque é que me vou chatear em ter o meu domingo para ir perder uns minutos a votar? – Foi este o pensamento da população. Tal vem revelar, por um lado, como a população acha que são os políticos. Por outro lado, o interesse que a vida politica tem para estes. É necessário que os políticos mudem de discurso e entrem em contacto pessoal com as pessoas. Que cada pessoa saiba qual o politico que elegeu e que possa pedir contas a este. Sistema uninominal –Não sei? Precisamos de pensar. Se eu soubesse que politico elegi e visse que ele não cumpria o programa politico, da próxima vez votava noutro.
3. Os políticos continuam a ter uma linguagem anterior às eleições e outra posterior. Mas em Portugal tudo é considerado normal. Vejam o que aconteceu a um presidente dos Estados Unidos da América que prometeu: “Reed my lips – No more taxes” (George Bush) – Nas próximas eleições não foi eleito. Ou a um pais da antiga “cortina de ferro” onde o primeiro-ministro disse numa conversa gravada que “Fizemos merda, não um bocado, mas muita. Ninguém na Europa fez disparates semelhantes [nas contas públicas]. É evidente que mentimos ao longo dos últimos 18 meses", diz Gyurcsány, na gravação. E, mais à frente: "Não fizemos nada durante quatro anos, nada. Não podem citar uma única medida de que possamos orgulhar-nos, excepto o facto de termos saído da merda no fim [a vitória eleitoral]".
O povo saiu á rua e quase que houve uma revolução. Será que isso poderia ocorrer em Portugal ou conforme já foi dito o “povo é sereno”.
Voltando a citar outra pessoa (existente ou não):
“Algo vai mal no Reino da Dinamarca” William Shakespeare
E de Portugal acrescento eu.

Nota: Um amigo meu disse que o que tinha dito sobre os políticos de não visitarem os locais estava errado. No entanto só tenho algo a dizer. Não vi referido ou publicitado como normalmente costuma acontecer nas campanhas eleitorais. Mas para além do mais o que disse é verdade. Falta reuniões semestrais ou anuais com a população para saber o que está errado. Não basta ser séria como a mulher de César, é preciso parecer.

Cais do Jardim do Tabaco




Andando nela rede nós descobrimos textos que devem ser lidos.



Como este do Miguel Sousa Tavares, que passo a transcrever.



"Pois então, lá vamos outra vez. A distinta Administração do Porto de Lisboa (APL) está lançada em mais uma tentativa de nos roubar parte do Tejo. Agora é o projecto do novo terminal de passageiros de paquetes em Santa Apolónia. Um muro de construções de oito metros de altura por seiscentos de comprido (!), que inclui centros comerciais e hotel. Também na zona do Cais do Sodré está a nascer, a uma velocidade incrível, uma construção maciça, em cima do rio, e que vai quase até ao Terreiro do Paço, eliminando uma zona de jardim, de passeio e de vista. Suponho que seja também obra do porto de Lisboa, uma vez que nenhuma placa no local indica do que se trata e eu já sei que, à beira-rio, do Parque das Nações a Algés, mandam esses senhores e ninguém tem mão neles. Este porto de Lisboa é verdadeiramente um «case study» de pirataria impune. Têm ao seu dispor a melhor de todas as zonas da cidade de Lisboa: 13 quilómetros de frente de rio — um luxo em qualquer cidade do mundo. São terrenos do domínio público marítimo, isto é, terrenos públicos, cuja atribuição à APL tem como único fim e fundamento a sua alocação à actividade portuária. Mas como, devido ao triunfo do transporte por terra e por via aérea, grande parte desses terrenos se tornaram desnecessários para o porto de Lisboa, a APL, em lugar de os entregar à Câmara e à cidade, visto que deles já não precisa, insiste em entregá-los antes à especulação imobiliária, transformando-se a própria APL em promotor imobiliário. Sem ter de se sujeitar ao PDM da cidade, sem nada dizer à Câmara e sem se preocupar minimamente em saber se por acaso os lisboetas se importam de ver o rio entaipado. Já escrevi sobre isto inúmeras vezes e de cada vez parece que é necessário repetir a evidência: estas cíclicas tentativas da Administração do Porto de Lisboa de se comportar como dona do Tejo, sem dar satisfações a ninguém, são ilegais, escandalosamente abusivas e, de tão insistentes, já se começam a tornar suspeitas. Será que não há ninguém que consiga explicar aos senhores da APL que a sua única função é gerir o porto de Lisboa o melhor que souberem e puderem e nada mais? Claro que tudo isto se desmanchava em dois tempos com um presidente da Câmara à altura das responsabilidades. Mas quem viu Carmona Rodrigues, na inauguração do Túnel do Marquês, a fugir literalmente dos jornalistas, para não ter de responder a perguntas comprometedoras, percebeu definitivamente, se dúvidas ainda alimentasse, que Lisboa está sem presidente da Câmara. Carmona Rodrigues, não tenho uma dúvida, é um homem sério e bem intencionado: ele quer o melhor para Lisboa, só não sabe é o quê. Não tem dinheiro, não tem projectos, não tem ideias, não tem peso político próprio e nada mais deseja já do que escapar às perguntas, às questões, aos problemas. Não é o único culpado. Os primeiros culpados são aqueles lisboetas que confundem política com telenovelas e que resolveram, displicentemente, trocar o melhor presidente da Câmara que Lisboa teve nos últimos trinta anos — João Soares — por um vendedor de banha da cobra que, na primeira oportunidade, se pirou para melhor poiso e, assim que foi despedido por gritante incompetência, voltou à Câmara, para giboiar durante uns meses — como se aquilo fosse uma sinecura pessoal e não um lugar de trabalho. Santana Lopes deixou-nos a Câmara arruinada, os amigos por todo o lado, um casino para o sr. Stanley Ho, um imbróglio policial e urbanístico no Parque Mayer, uns negócios de favor com o Benfica e o Sporting e um túnel no Marquês que, ao fim de quatro anos de atraso, estreou-se incompleto, não se sabendo se é seguro e quanto terá custado ao certo. E foi tudo. Bem feito para os que votaram nele. O pior são os outros, que não têm nada a ver com isso. O segundo culpado é Carmona Rodrigues. Primeiro, viveu dois anos a fazer de número 2 de alguém que só existe como número único e a caucionar-lhe todos os disparates; depois, herdou-lhe subitamente a Câmara, com a promessa de que jamais voltaria, mas assim que ele voltou encaixou um “chega para lá!” humilhante sem um protesto; enfim, quando pôde concorrer como número 1 e sem a sombra abafante de Santana Lopes, Carmona não soube escolher a sua gente, não foi capaz de ter um plano de acção nem meia dúzia de projectos mobilizadores e nunca se mostrou à altura de uma vitória caída do céu e só tornada possível pela vaidade suicida do ‘embaixador’ Manuel Maria Carrilho. O terceiro culpado é o Partido Socialista, incapaz de perceber que a batalha pela Câmara de Lisboa e por uma gestão exemplar para a cidade podia ser uma luta política de referência e que se limitou antes a imaginar que só interessava ganhar a eleição — e que isso se conseguia com a beleza da Bárbara Guimarães e a esperteza saloia da inacreditável equipa autárquica que por lá tem, supostamente na oposição. Foi, sim, uma derrota política exemplar — das mais merecidas e pedagógicas de que me lembro. E passo por cima do desempenho do PCP e do PP na Câmara de Lisboa, apenas dizendo que nunca descortinei motivo para tão generosos elogios da nossa imprensa: nunca dei por que eles fizessem qualquer diferença. Em minha opinião, a CML e a cidade de Lisboa só têm um único rosto de alguém que ali está ao serviço dos munícipes, e é altura de lhe prestar homenagem: é, obviamente, José Sá Fernandes, do Bloco de Esquerda. Por favor, não me venham com aquele discurso «blasée» dos ‘pregadores’ do Bloco de ‘Esquerda’ e “já não há pachorra para os ouvir”: a política mede-se pelos resultados concretos para pessoas concretas, e nada melhor do que a política das cidades para medir esses resultados. A única pessoa na Câmara de Lisboa que eu tenho visto conhecer os assuntos, bater-se pelo bem comum, não ter medo de enfrentar os interesses instalados e os influentes que mandam na cidade e não cobiçar cargos e mordomias nas empresas municipais ou outros ‘tachos’ sempre ao dispor é José Sá Fernandes. A mim tanto me faz que seja do Bloco de Esquerda, do PP ou do Partido da Estratosfera. E não é por acaso que, mais uma vez, ele é o único a denunciar os novos planos de saque e rapina do porto de Lisboa. Que pena que não seja ele o presidente da Câmara neste momento e que a maior preocupação do actual presidente e da actual vereação seja a de saber quantos e quais vão ser constituídos arguidos naquele inenarrável desastre inventado para o Parque Mayer"



Existe também um blog especialmente destinado a que quiser saber o que a Administração do Porto de Lisboa está a pensar fazer no nosso rio.
Chama-se:
http://otejochora.blogspot.com/
Vale a pena.

Eleições autarquicas

As eleições são algo espectacular.


O bairro como o de alfama onde ao longo de quatro anos raramente aparece um politico. No entanto, basta que exista um eleição e logo nem precisamos de os procurar eles aparecem e todos nos vêm cumprimentar.

Será tão difícil que pelo menos duas vezes por ano os políticos autárquicos possam-se dirigir aos Bairros da cidade?

A cidade tem 55 freguesias e muito menos bairros. Alfama e Castelo abrange 6 freguesias, a Baixa e o Chiado outras 6. Num dia podiam fazer 12 freguesias e ver o que o povo tem a dizer e ver as coisas em concreto. Saber de pequenos pormenores que só nos locais podemos ter conhecimento.

Estou durante poucas horas por dia em Alfama e já consegui ser cumprimentado por 9 dos 12 candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. E nem foi preciso ir ter com eles. Eles vieram ter comigo.

No entanto, depois das eleições se pretender ter uma reunião com eles, será assim tão fácil?

Talvez por isso a população esteja tão desiludida com os políticos. Deste modo, como hajam, dá a impressão que só nos procuram pelos votos e não para fazerem um serviço em favor da sociedade (polis - origem da palavra politico).

Bem dizia Sir Winston Churchill quando referia que "A democracia é o pior dos sistemas políticos, excluindo todos os outros". Enquanto não encontrarmos outro sistema melhor não estraguem mais a democracia.

Alfama e o seu desconhecimento

Tive uma conversa com uma das pessoas que, por desconhecer, não gosta de Alfama.
Tentei convencê-la a visitar Alfama e mostrar o bairro.
Este fim-de-semana tive essa oportunidade.
Mostrei parte de Alfama e um pouco da história da mesma - aquela que eu sei.
No final consegui que alguém ficasse a conhecer Alfama e passasse a gostar dela. Tal situação conseguesse falcilmente, bas ta que as pessoas visitem e fiquem a conhecer mais sobre o Bairro.
Mas isso depende de várias coisas:
  1. De existir formas de apresentar Alfama aos seus turistas (portugueses e estrangeiros);
  2. Que os monumentos que existem em Alfama possam ser reconhecidos e descobertos quando algeum passe por eles. Exemplo: Podem perguntar ás pessoas de Alfama onde fica o Palácio Zurara, o Palácio Azevedo coutinho, o primeiro sinal de transito,a casa mais velha da cidade. Apesar de não ter dados cientificos cerca de 99% da população não sabe.
  3. Que as pessoas possam conhecer a história do bairro e porque as pessoas de Alfama são assim. Tudo temuma razão.

Tal situação deve-se ao facto da população ter poca informação sobtre o seu bairro. Mas também deve-se ao facto de que os monumentos de Alfama nunca foram divulgados.

Assim, penso ser necessário que os mesmos sejam divulgados de todas as formas possiveis. Pela internet e por placas colocadas junto dos mesmos. E em cada mapa que se faça de Alfama coloquem os monumentos mais importantes. E devemos chamar mais pessoas ao bairro através de actividades para que haja intyerligação entre as pessoas do bairro e as de fora.

Assim, Alfama vale a pena.

Cais do jardim do Tabaco II

Andei a fazer pesquisa na Internet e apenas desobri esta informação
"A primeira fase da empreitada de reabilitação e reforço do cais entre Santa Apolónia e o Jardim do Tabaco, no valor de 14 milhões de euros, já arrancou e está a cargo do consórcio composto pela Seth e pela Somague Engenharia.A assinatura do auto de consignação da obra teve lugar na semana passada e contou com a presença da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, que, na ocasião, afirmou que esta empreitada assenta em três objectivos fundamentais:
  1. Melhorar as condições de recepção de navios de cruzeiro;
  2. Permitir a reorganização espacial do porto de Lisboa, "disponibilizando a área dos actuais terminais de Alcântara e Rocha do Conde d´Óbidos para a operação de contentores";
  3. Melhorar a integração urbana, "concentrando os navios de cruzeiros numa zona nobre da cidade".

A construção do terminal de cruzeiros de Santa Apolónia está dividida em três fases e representa um investimento global de 45 milhões de euros, que conta com uma comparticipação comunitária de 40 por cento. Trabalhos a realizar. Esta primeira empreitada diz respeito aos trabalhos de reabilitação do actual cais entre o terminal de cruzeiros de Santa Apolónia e a Doca da Marinha, bem como à construção de uma nova estrutura avançada, permitindo maiores fundos, adequados à acostagem dos actuais navios de cruzeiros. O novo cais acostável terá na sua frente de rio o coroamento à cota +5,70 m(ZH), garantindo uma solução de continuidade a partir do actual cais de Santa Apolónia ao qual ficará ligado quando a obra estiver concluída. Desta forma, os trabalhos da empreitada implicam a dragagem geral da bacia de manobra e estacionamento, o melhoramento dos solos de fundação mediante a execução de colunas de brita, bem como a reconstrução dos prismas de enrocamento e dos aterros no tardoz do cais existente, o reforço do maciço da superstrutura do cais existente com execução de pregagens e selagem de fendas, bem como a execução dos maciços de encabeçamento das estacas, colocação das pré-vigas, montagem das pré-lajes e betonagem complementar. Com um prazo de execução de 12 meses, a empreitada inclui ainda a construção de um novo cais do tipo estacada de betão armado, com 200 m de comprimento e largura variável entre os 33 e os 46 m. Os trabalhos de infra-estruturas técnicas e apetrechamentos dos cais compreendem a execução das redes de abastecimento de água, electricidade e drenagem de águas pluviais, bem como a ligação às águas existentes. Numa fase posterior serão construídas uma nova gare marítima, uma unidade hoteleira, um espaço comercial e silos para estacionamento de automóveis. Toda a envolvente da gare marítima será requalificada e serão criadas novas acessibilidades viárias e pedonais."

Aparentemente não parece nada de muito grave. No entanto nos ultimo parágrafo á algo que poderá ser prejudicial para o bairro.
Uma unidade hoteleira e um espaço comercial - tal poderá ser algo muito mau. Vejamos:
Qual a necessidade de construir um hotel ao pé do rio. Desde logo, as pessoas que vêm nos cruzeiros têm onde dormir e se quiserem dormir noutro sitio, não seria melhor deixá-los conhecer a cidade. Não existe qualquer necessidade de os afastar dó centro da cidade.
O mesmo se pode dizer em relação ao espaço comercial. Não me importa que se coloque algumas lojas de lembranças. Coisas que os turistas se lembram antes de embarcar. Mas não concordo com um centro comercial. Pois, tal situação iria afastar as pessoas do centro da cidade e não iria abrir a cidade ao rio.
Em relação a esta ultima pareet á mais uma situação que me preocupa. Com tanta construção não me parece normal que se crie novas acessibilidades viarias e pedonais. com tanta construção parece que mais uma veez vão tirar o rio ao Bairro. Espero não ter razão.

Cais do jardim do Tabaco


O Cais do Jardim do tabaco é uma zona muito importante do Bairro de Alfama.

O povo do Bairro juntou-se nesta parte da cidade devido á sua ligação com o rio. Já no tempo dos Fenícios e dos Mouros era a zona onde se o povo se sedentou. Desde logo, após a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques os mouros foram mandados para uma zona da cidade ainda desabitada - a Mouraria.

Portanto desde sempre que Alfama esteve ligada ao mar. No sec. XIX, eram os pescadores e as Varinas o tipo de profissão mais comum no bairro. Mesmo durante o século XX as profissões em maioria em Alfama eram as das varinas e dos estivadores/portuários.

Antes do SEC. XVIII, grande parte das deslocações eram feitas pelo rio.

Hoje divido a necessidades de respeito pelas regras sanitárias já não existem varinas em Alfama, pelo menos ao serviço.

Por questões económicas já não existem praticamente trabalho para estivadores e portuários. Como alternativa, Portugal têm-se tornado um destino Turístico e é nessa base que se está a modificar o país.

Sendo assim, vai ser contruído um novo cais no Jardim do Tabaco. Para ser mais concreto no local que se situa desde santa Apolónia até ao Cais da Marinha.

No entanto, como é usual neste país, falta explicação para o que vai ser contruído. E o que existe são boatos. Pode ser que alguns sejam verdade, mas não podem ser todos.

No entanto para quem está um pouco mais atento fica perplexo pelo que querem fazer no Cais, nos últimos 10 anos.

Já foi o local onde se ia construir o casino de Lisboa, já foi o sitio para onde ia a Feira Popular, é agora o novo local onde os barcos de cruzeiro vão descarregar os passageiros.

Esta noticia nem parece mal para Alfama. Mas existe o boato que se vai ser construído um cento comercial com 2 piso de altura, retirando o acesso da população ao rio. Tal situação a ser verdade não só é virar costas ao rio como é matar um pouco de Alfama. Nós sabemos que quem chega de barco se tiver um centro comercial em frente os turistas não vão á cidade ficam logo no escritório.

No entanto, como não temos acesso a informação não sabemos se esta informação é verdade.

Sendo assim, necessitamos, na época da Internet, ter acesso a informação, sem ela todos os projectos começam errados e vão ter a população contra eles.

Sendo assim, deve a Administração do Porto de Lisboa e o Governo dar acesso ao projecto que pretender fazer no cais frente a Alfama. Sem informação não pode haver aprovação da população.

Património e sociedade maltratada.

Alfama foi ao longo da sua vida um bairro com características muito especiais.
Foi, parte dela e nos primeiros tempos, a origem da actual cidade de Lisboa. Foi bairro de Reis, condes, Duques. foi morada do Chanceler-Mor. Foi o centro da nossa capital.
Mas com o aparecimentos dos coches, e essencialmente o crescimento dos mesmos, houve a necessidade de a classe alta passar para bairros feitos de raiz a pensar no novo meio de transporte.
Assim, Alfama passou a ser um bairro de pescadores, de varinas e da classe trabalhadora, ou se preferirem, da classe baixa.
Tudo isto veio como que colocar no esquecimento o bairro e a sua população. Em regra, a escolaridade do bairro nunca foi muito elevada, é bastante elevada as gravidezes juvenis, é um caso grave a droga no bairro. Já foi muito relevante os casos de HIV. Infelizmente, sou um homem relativamente jovem e já vi morrer às mãos dessa maldita doença companheiros de brincadeiras, que, enquanto crianças, nunca tiveram capacidade de sonhar o que seriam enquanto adultos.
Talvez por isso, e mais um milhar de razões, como o encerramento do Porto de Lisboa, da Alfandega, dos estivadores, do pescado, a não existência de alternativas de emprego para o bairro, a falta de formação profissional e de escolaridade, o congelamento das rendas durante décadas, e por isso a falta de protecção de um património que é de todos - Alfama foi-se degradando sociológica e patrimonialmente.
Por isso é necessário que se restaure o património, se dê formação à população do que é de todos e de cada um. Para termos orgulho e podermos mostrar Alfama como merece.
É verdade que o bairro já não está como nos anos oitenta do século passado mas ainda falta muito e, se possível, tenhamos como lema uma frase de 1969 - "Sejamos realistas e exijamos o impossível".
Alfama merece.

Antenas e parabólicas


Quando subimos Alfama e olhamos através de um miradouro ficamos com uma dupla sensação.


Por um lado, temos à nossa frente um bairro lindíssimo. Com características próprias, com a história do local a saltarem-nos à vista com uma sociologia única.


Mas por outro lado, temos um bairro em constantes obras e apesar de ser um dos cartões de visita desta cidade capital do país não é minimamente tratada.


Se qualquer pessoa que goste do nosso pais e tenha a capacidade de viajar e for a Évora repara que o centro da cidade não tem uma única antena, muito menos antenas parabólicas.


Mas quando olhamos para Alfama o que sobressai são as antenas, as antiga e já não usadas , partidas e enferrujadas nos telhados e as parabólicas nas frentes dos prédios, desfigurando, a frente de prédios com mais de cem ou duzentos anos.

Eu não culpo os habitantes, pois estes pretendem ter televisão em casa, e têm todo o direito de ter TV Cabo. Culpo a Câmara Municipal de Lisboa, que gosta de divulgar o Bairro de Alfama, mas nada o faz para embelezar.

Não são as pessoas que têm a obrigação, por sua própria recriação, fazer com que o bairro fique mais bonitos e quanto ás antenas não têm outra opção. A TV Cabo não mete por cabos em Alfama, e os quatro canais generalistas só se vêm através de antenas.

Mas e o caso de Évora, como aconteceu?

Por interesse que a cidade seja considerada património Mundial e por ter na Câmara quem sabe como utilizar fundos comunitários.

Todos somos responsáveis pelo Bairro e pela forma de como ele vive. Mas uns têm todas as formas de por ele mais bonito. Têm a forma de ensinar as pessoas a proteger o bairro. Têm a forma de todos os lisboetas e, porque não, os portugueses terem orgulho no bairro.

Qualquer mudança para melhor é pouca e já vem tarde.

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