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Alfama recebe animação de rua para todos os gostos

O Largo de São Miguel, em Alfama, recebe amanhã a 1ª edição de Artes Performativas de Rua. Vai haver fado, guitarradas, músicas do mundo, pintura de murais... boa sangria e petiscos típicos. A entrada é grátis.
Fado vadio, guitarradas, percussões soltas com sons de todo o mundo, pinturas de murais, e outras artes de rua... tudo acompanhado por petiscos típicos de Portugal. A 1ª edição de Artes Performativas em Alfama vai acontecer hoje, 28 de Agosto de 2009, com entrada livre.
A ideia partiu de Frederico Carvalho, morador e fã confesso do bairro: "Estava à conversa com amigos sobre eventos que começaram do nada e que se tornaram tradição, como é o caso da Tomatina , em Espanha. Porque não fazer algo que também dinamize Alfama?".
A ideia pegou e, com divulgação boca-a-boca, chegaram propostas dos mais diversos artistas anónimos. "Desde fadistas a instrumentistas de música do mundo, como a cuíca, o charango, o bandolim, o santur iraniano, o darbuka, o didgeridoo e ainda o clarinete ou o saxofone... Há muita gente a querer participar".
O evento, que terá periodicidade mensal, decorrerá sempre na última sexta-feira de cada mês, pelas 21h00. Enquanto o calor durar, o Largo de São Miguel é o local eleito para receber a festa. Quando chegar a chuva e o frio a iniciativa passa para as instalações da Associação Recreativa "O Adicense", um dos marcos daquele que é um dos mais típicos bairros de Lisboa.

Alfama e Castelo conquistam o primeiro lugar nas Marchas Populares de Lisboa

Pela 12ª vez, em 20 anos, Alfama foi vencedora nas Marchas. Este ano Alfama dividiu o 1º lugar com o Castelo. Depois de uma noite de desfiles na Avenida da Liberdade, Alfama e Castelo foram os bairros vencedores "ex-aequo" do Concurso das Marchas Populares de Lisboa 2009, anunciou o júri.

Madragoa e Marvila ficaram em segundoVárias foram as classificações "ex-aequo", facto que foi salientado com satisfação pelo júri como sinal da "qualidade global sempre crescente" das marchas.

Classificação final:

1.º lugar - Alfama e Castelo

2.º lugar - Madragoa e Marvila

3.º lugar - Bairro Alto

4.º lugar - Bica

5.º lugar - Alcântara

6.º lugar - Olivais

7.º lugar - Mouraria

8.º lugar - Beato

9.º lugar - Alto do Pina, Carnide, Graça e Santa Engrácia

10.º lugar - Baixa e Lumiar

11.º lugar - S. Vicente

12.º lugar - Bela Flor

13.º lugar - Belém

14.º lugar - Campolide

Melhor figurino - Beato, Castelo e Madragoa

Melhor coreografia - Bairro Alto e Castelo

Melhor cenografia - Alcântara e Castelo

Melhor letra - Beato, Madragoa, Marvila e Mouraria

Melhor musicalidade - Alfama

Desfile na Avenida - Alfama

Melhor composição - Bica ("À espera de uma fragata")

Moradores de Alfama estremeceram o Pavilhão Atlântico no desfile das marchas

Cerca de oito mil pessoas fizeram uma enorme festa na primeira das três noites de desfiles das Marchas Populares no Pavilhão Atlântico. O serão terminou em apoteose com a entrada da Marcha de Alfama. Hoje há mais.
A dada altura, junto a um bar ouve-se um sururu e no corredor de cima duas mulheres desatam à cacetada: uma espeta um soco na outra que, por sua vez, não fica quieta e tenta responder. Há povo em redor que parece gostar da cena mas surpreendentemente o conflito é encarado com uma naturalidade incrível pela maioria. Duas mulheres ao soco? Nada de grave. "Eh pá, é a Bela ali à porrada, não é?", comenta um rapaz conhecido por Xanana. "É ela, é", responde outro; e seguem os dois para o bar, como se nada se passasse e tudo aquilo fosse uma cena trivial.
As Marchas Populares vivem deste tipo de episódios que espelham bem a rivalidade em jogo. Muitos defendem que sem estas picardias a tradição não teria metade da piada - como tal, é escusado o paleio hippie.
O desfile das Marchas Populares no Pavilhão Atlântico é uma experiência inolvidável e impressionante. O espectáculo não se resume ao que se passa na arena. Nas bancadas também há encanto. O cenário descreve-se assim: as mulheres, baixinhas e roliças, dançam enquanto gesticulam e berram "Ié ié ié Alfama é que é!". Os maridos, ao lado, bigodes proeminentes, as mãos nos bolsos, mantêm-se mais reservados. A rapaziada mais nova circula em bando e exibe um look sofisticado: argola dourada no ouvido, alguns bonés, muitos penteados à Raul Meireles e um ou outro telemóvel a debitar um ritmo hip-hop.
Cada bairro parece ter a sua zona definida na bancada e nos corredores. Nos metros quadrados de "fronteira" entre cada um trocam-se bocas ou olhares de desconfiança. "Eu sou o Piranha!", apresenta-se um homem de peito inchado pelo orgulho de ver a sua filha Vera Pereira na Marcha do Beato. "Sou do Beato mas reconheço que Alfama é favorita e tem a melhor claque", prossegue Piranha, 45 anos, trabalhador na construção civil e adepto assumido dos Onze Unidos, uma equipa infantil de Futsal "muito conhecida na Internet".
A festa segue noite dentro com desfiles da Marcha Infantil "A voz do Operário", e das Marchas da Baixa, Lumiar, Santa Engrácia, Bela Flor e Beato. Por volta da meia noite entra em cena a Marcha de Alfama. E, aí, o Pavilhão estremece numa ruideira imensa: a claque de Alfama é, de longe, a mais numerosa e festiva. Aliás, a malta de Alfama é muito peculiar: fala alto, é expansiva e cada frase é articulada com um fervor desmesurado. Levam as Marchas muito a sério. Com a voz embebida em veneração e admiração os nativos falam em Carlos Mendonça, responsável por 12 vitórias do bairro nos últimos 20 anos. Consta que é um génio daquelas artes, assim uma espécie de Mourinho das Marchas, pleno de talento e bastante rigoroso com os seus súbditos. Esta edição marca a sua despedida: vai abandonar o seu cargo.
Não é à toa que o homem é admirado: por aquilo que o JN testemunha em mais de duas horas de desfile, a Marcha de Alfama está muito à frente e propõe um espectáculo de alto nível. Não é preciso ser-se especialista na matéria para reparar que os 50 marchantes de Alfama (25 casais) têm a lição bem estudada, movimentam-se numa sincronia incrível, arrasando na cenografia. Todavia, tais qualidades nem sempre são bem recebidas ou assumidas pelas marchas rivais que não raras vezes convivem mal com as vitórias de Alfama
. Para mais, e por aquilo que o JN tem visto, afigura-se pertinente sublinhar que é na Marcha de Alfama que estão as raparigas mais bonitas.
In Jornal de Noticias por CRISTIANO PEREIRA

Marchas avançam mas também sentem a crise


Já começou a contagem decrescente para as Marchas Populares das Festas de Lisboa.
Em 23 bairros, os ensaios decorrem há várias semanas. Regressam as rivalidades. Este ano com queixas da crise, que afecta os apoios.
Desde o início de Maio que o povo se concentra, cinco noites por semana, no interior do Centro Cultural Magalhães Lima, em Alfama, para duas horas de ensaio. Tal como nos outros bairros, a tradição é encarada com seriedade. Nos dias 5, 6 e 7 de Junho está anunciada a apresentação das marchas populares a concurso no Pavilhão Atlântico. Na noite de Santo António, a 12, o auge da celebração enche a Avenida da Liberdade. E ninguém quer fazer figura triste.
"Todos os bairros levam isto muito a sério", diz, ao JN, Carlos Mendonça, figura de proa da Marcha de Alfama já lá vão duas décadas. À sua frente, no pavilhão, 25 rapazes e 25 raparigas - "a grande maioria tem entre 18 e 20 anos" - dançam e cantam com uma sincronia assinalável. Sem as vestimentas típicas das marchas, são rapazes como muitos outros, cheios de pinta, penteado "à Cristiano Ronaldo", um ou outro brinco na orelha. E não andam ali a brincar. "São marchantes muito responsáveis que nunca faltam aos ensaios. Há uma disciplina aplicada ao trabalho", elogia Carlos Mendonça.
A grande dificuldade em erguer uma Marcha Popular passa por outras razões. "Não falo só por mim, falo por todas as marchas: a nossa dificuldade é o dinheiro", assume o responsável de Alfama.
Em tempos de crise, os tempos não estão fáceis. "Sim, isto agora anda pior", afirma, por seu turno, Mário Monteiro, presidente da colectividade Esperança Atlético Clube e coordenador da Marcha da Madragoa. "Temos um subsídio da Câmara e da Junta", diz, "mas isso mal dá para fazer a marcha".
O JN soube que a Câmara Municipal de Lisboa tem vindo a atribuir nos últimos três anos um subsídio anual de 30 mil euros para cada uma das marchas. A partir daí, cabe a cada bairro gerir e angariar apoios nas Juntas ou patrocínios em empresas. Mas em altura de crise, as portas fecham-se cada vez mais. "Sentimos que há muita gente que não pode dar apoio este ano porque as coisas andam mal", corrobora Ana Marques, coordenadora da Marcha de Marvila. "Mesmo assim", prossegue, "sempre vão existindo algumas empresas que nos ajudam".
A rivalidade entre alguns bairros é histórica. "A rivalidade que há no futebol com o Benfica e o Sporting também existe nas marchas entre Alfama e Marvila", explica-nos Ana Marques. "Nós já fomos injustiçados por não sermos um bairro tão conhecido como Alfama", acusa. O responsável da Madragoa subscreve as críticas. Diz que "Lisboa não é só um bairro mas a imprensa vira-se toda para Alfama". Carlos Mendonça, responsável por 12 vitórias de Alfama em 20 anos.


In Jornal de Noticias por CRISTIANO PEREIRA

Nota do Blogger: Alfama é o bairro que mais ganhou, não por ser conhecido, pois se assim fosse, existia dinheiro para terminar as obras que se arrastam à décadas e para fazer tudo o que lhe falta. Alfama tem ganho pois é a melhor e a mais profissional.

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