Alfama

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Traficante caçado em Transacção em Alfama

Noticia do Correio da Manhã de dia 19 de Setembro:
"A PSP de Lisboa deteve um homem de 44 anos por tráfico de estupefacientes após tentar vender droga a outro indivíduo na zona de Alfama.
Pelas 17h30 de domingo um elemento da PSP surpreendeu os dois homens durante a transacção, mas estes colocaram-se em fuga pelas ruas estreitas do bairro de Alfama.O polícia perseguiu o traficante, conseguindo interceptá-lo pouco depois. Antes de ser detido, o homem ainda tentou desembaraçar-se da droga e de alguns objectos, mas foi impedido pelo elemento da polícia que estava no seu encalço.Ao traficante foram apreendidos vários tipos de droga, nomeadamente 4,34 gramas de heroína, duas gramas de haxixe, quarenta e quatro comprimidos para misturar com estupefacientes, uma navalha tipo borboleta e 423 euros, que se supõe serem produto do tráfico de droga.Presente ao Tribunal de Instrução Criminal, o indivíduo ficou obrigado a apresentações periódica numa esquadra."
Isto popde ser uma boa noticia, ou seja, a policia está a conseguir combater o trafico de droga que ainda existe em Alfama; ou pode ser uma má noticia, que o trafico está a aumentar. Esperemos que seja a primeira.

Património e sociedade maltratada.

Alfama foi ao longo da sua vida um bairro com características muito especiais.
Foi, parte dela e nos primeiros tempos, a origem da actual cidade de Lisboa. Foi bairro de Reis, condes, Duques. foi morada do Chanceler-Mor. Foi o centro da nossa capital.
Mas com o aparecimentos dos coches, e essencialmente o crescimento dos mesmos, houve a necessidade de a classe alta passar para bairros feitos de raiz a pensar no novo meio de transporte.
Assim, Alfama passou a ser um bairro de pescadores, de varinas e da classe trabalhadora, ou se preferirem, da classe baixa.
Tudo isto veio como que colocar no esquecimento o bairro e a sua população. Em regra, a escolaridade do bairro nunca foi muito elevada, é bastante elevada as gravidezes juvenis, é um caso grave a droga no bairro. Já foi muito relevante os casos de HIV. Infelizmente, sou um homem relativamente jovem e já vi morrer às mãos dessa maldita doença companheiros de brincadeiras, que, enquanto crianças, nunca tiveram capacidade de sonhar o que seriam enquanto adultos.
Talvez por isso, e mais um milhar de razões, como o encerramento do Porto de Lisboa, da Alfandega, dos estivadores, do pescado, a não existência de alternativas de emprego para o bairro, a falta de formação profissional e de escolaridade, o congelamento das rendas durante décadas, e por isso a falta de protecção de um património que é de todos - Alfama foi-se degradando sociológica e patrimonialmente.
Por isso é necessário que se restaure o património, se dê formação à população do que é de todos e de cada um. Para termos orgulho e podermos mostrar Alfama como merece.
É verdade que o bairro já não está como nos anos oitenta do século passado mas ainda falta muito e, se possível, tenhamos como lema uma frase de 1969 - "Sejamos realistas e exijamos o impossível".
Alfama merece.

Vidas de Alfama

Alfama, apesar de ser um bairro a preservar, tem alguns problemas que não podem ser descurados.
Desde logo, a toxicodependência, o alcoolismo, a gravidez juvenil, a falta de escolaridade dos habitantes, e , até há bem pouco tempo, a pequena criminalidade.
Começando pela parte boa, o facto de existir dois policias que andam de motorizada em Alfama, que andam por todos as ruas, becos e escadinhas e por falarem com os habitantes veio dar um certo ar de mais segurança. Que, na realidade já é verdade.
Fico contente por ver que o meu bairro está mais seguro, que poderá dar mais segurança a quem o visita, a quem vive nele, a quem o adora.
Por outro lado, a falta de escolaridade da população, especialmente a mais nova, veio trazer todos os outros problemas. O alcoolismo, a toxicodependência, a gravidez juvenil, no fim, o fado das habitantes de Alfama.
Penso, e penso não estar errado, que a grande solução de Alfama não passa só pela recuperação habitacional. Passa pela recuperação da população e pela sua maneira de pensar. É necessário que a população invista mais nela própria. Queira ser melhor do que é. Queira progredir. Só querendo melhor do que os nossos antepassados poderemos melhorar as nossas vidas.
E isto não é ofender os nossa ascendentes é dar-lhes orgulho. Eu quero que os meus filhos sejam melhores do que eu. Assim, melhorando a vida, olhando para ela de outro modo eu vejo o meu bairro de outro modo. Já não ponho grafite nas paredes, pinto-as; já não roubo os azulejas, protejo-os; já não ofendo os visitantes, sou simpático com eles, já não ofendo o meu bairro, divulgo-o.
Por muito que adore este bairro fico triste quando vejo que alguns dos meus companheiros de infância já morreram. Vitimas de uma promessa de vida fácil que provocou a sua morte por Sida.
Fico triste quando dou uma moeda por estacionar o meu carro a um amigo de infância que tinha o sonho de ser piloto e, de sonho em sonho, entrou no pesadelo da droga.
Fico triste quando vejo uma adolescente que conheço desde que nasceu, trocar o seu sonho por duas crianças indesejadas, que irão sofrer o resto da vida duas noites não pensadas.
Mas a esperança é a ultima a morrer. Todos juntos poderemos mudar as coisas. Uma de cada vez, e uma só longo prazo. devemos dar informação sobre as consequências da droga e de doenças sexualmente transmissíveis. Apesar de existir muitas campanhas de informação, nunca nenhuma será demais. Ter um local onde, discretamente a população se poderá dirigir e colocar as suas duvidas, sem que o resto da população possa veja os seus problemas.
E no fim, dar instrução para que, pelo menos a próxima geração não cometa os mesmos erros que a minha.

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