Alfama

Alfama
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Património e sociedade maltratada.

Alfama foi ao longo da sua vida um bairro com características muito especiais.
Foi, parte dela e nos primeiros tempos, a origem da actual cidade de Lisboa. Foi bairro de Reis, condes, Duques. foi morada do Chanceler-Mor. Foi o centro da nossa capital.
Mas com o aparecimentos dos coches, e essencialmente o crescimento dos mesmos, houve a necessidade de a classe alta passar para bairros feitos de raiz a pensar no novo meio de transporte.
Assim, Alfama passou a ser um bairro de pescadores, de varinas e da classe trabalhadora, ou se preferirem, da classe baixa.
Tudo isto veio como que colocar no esquecimento o bairro e a sua população. Em regra, a escolaridade do bairro nunca foi muito elevada, é bastante elevada as gravidezes juvenis, é um caso grave a droga no bairro. Já foi muito relevante os casos de HIV. Infelizmente, sou um homem relativamente jovem e já vi morrer às mãos dessa maldita doença companheiros de brincadeiras, que, enquanto crianças, nunca tiveram capacidade de sonhar o que seriam enquanto adultos.
Talvez por isso, e mais um milhar de razões, como o encerramento do Porto de Lisboa, da Alfandega, dos estivadores, do pescado, a não existência de alternativas de emprego para o bairro, a falta de formação profissional e de escolaridade, o congelamento das rendas durante décadas, e por isso a falta de protecção de um património que é de todos - Alfama foi-se degradando sociológica e patrimonialmente.
Por isso é necessário que se restaure o património, se dê formação à população do que é de todos e de cada um. Para termos orgulho e podermos mostrar Alfama como merece.
É verdade que o bairro já não está como nos anos oitenta do século passado mas ainda falta muito e, se possível, tenhamos como lema uma frase de 1969 - "Sejamos realistas e exijamos o impossível".
Alfama merece.

Vidas de Alfama

Alfama, apesar de ser um bairro a preservar, tem alguns problemas que não podem ser descurados.
Desde logo, a toxicodependência, o alcoolismo, a gravidez juvenil, a falta de escolaridade dos habitantes, e , até há bem pouco tempo, a pequena criminalidade.
Começando pela parte boa, o facto de existir dois policias que andam de motorizada em Alfama, que andam por todos as ruas, becos e escadinhas e por falarem com os habitantes veio dar um certo ar de mais segurança. Que, na realidade já é verdade.
Fico contente por ver que o meu bairro está mais seguro, que poderá dar mais segurança a quem o visita, a quem vive nele, a quem o adora.
Por outro lado, a falta de escolaridade da população, especialmente a mais nova, veio trazer todos os outros problemas. O alcoolismo, a toxicodependência, a gravidez juvenil, no fim, o fado das habitantes de Alfama.
Penso, e penso não estar errado, que a grande solução de Alfama não passa só pela recuperação habitacional. Passa pela recuperação da população e pela sua maneira de pensar. É necessário que a população invista mais nela própria. Queira ser melhor do que é. Queira progredir. Só querendo melhor do que os nossos antepassados poderemos melhorar as nossas vidas.
E isto não é ofender os nossa ascendentes é dar-lhes orgulho. Eu quero que os meus filhos sejam melhores do que eu. Assim, melhorando a vida, olhando para ela de outro modo eu vejo o meu bairro de outro modo. Já não ponho grafite nas paredes, pinto-as; já não roubo os azulejas, protejo-os; já não ofendo os visitantes, sou simpático com eles, já não ofendo o meu bairro, divulgo-o.
Por muito que adore este bairro fico triste quando vejo que alguns dos meus companheiros de infância já morreram. Vitimas de uma promessa de vida fácil que provocou a sua morte por Sida.
Fico triste quando dou uma moeda por estacionar o meu carro a um amigo de infância que tinha o sonho de ser piloto e, de sonho em sonho, entrou no pesadelo da droga.
Fico triste quando vejo uma adolescente que conheço desde que nasceu, trocar o seu sonho por duas crianças indesejadas, que irão sofrer o resto da vida duas noites não pensadas.
Mas a esperança é a ultima a morrer. Todos juntos poderemos mudar as coisas. Uma de cada vez, e uma só longo prazo. devemos dar informação sobre as consequências da droga e de doenças sexualmente transmissíveis. Apesar de existir muitas campanhas de informação, nunca nenhuma será demais. Ter um local onde, discretamente a população se poderá dirigir e colocar as suas duvidas, sem que o resto da população possa veja os seus problemas.
E no fim, dar instrução para que, pelo menos a próxima geração não cometa os mesmos erros que a minha.

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