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Porto de Lisboa vs. Miguel Sousa Tavares e Terminal de Cruzeiro

Estas são duas noticias do DN On line:

Porto de Lisboa processa Miguel Sousa Tavares

"A Administração do Porto de Lisboa (APL) anunciou ontem que deu entrada a uma queixa-crime contra o jornalista Miguel Sousa Tavares por "difamação". Em causa estão declarações de Sousa Tavares sobre o projecto da APL para o terminal de cruzeiros de Lisboa, que previa um edifício de 600 metros de comprimento junto ao rio. O jornalista classificou a Administração como sendo "um bando de malfeitores".Ontem, a APL emitiu uma nota em que visa esclarecer a polémica em torno do projecto para o terminal de cruzeiros, em que tem sido acusada de não ouvir a Câmara de Lisboa. Assim, a APL sublinha que manteve várias reuniões de trabalho sobre o terminal de cruzeiros, que recebe cerca de 200 mil passageiros por ano sendo o porto europeu com maior movimento, com "a equipa liderada por Maria José Nogueira Pinto, na vigência da anterior vereação". Além destas reuniões, a APL acrescenta que foram mantidas outras reuniões de trabalho com a Parque Expo.Quanto ao edifício do terminal de cruzeiros, a APL explica que o projecto que foi divulgado era "meramente, um estudo do que poderia vir a ser o terminal, o qual não foi objecto de qualquer aprovação". O Porto de Lisboa vai mais longe e "nega que exista um projecto de engenharia e/ou de arquitectura para o terminal de cruzeiros de Santa Apolónia". Apesar de já estarem em curso obras naquele local, é ainda referido que "está em curso, exclusivamente, a execução da obra marítima de consolidação da muralha".O projecto foi contestado pela Câmara Municipal de Lisboa, tendo levado mesmo a que fosse votada uma inédita moção conjunta do vereador José Sá Fernandes (BE) e do movimento Lisboa com Carmona, do ex-presidente da autarquia, Carmona Rodrigues. A moção foi aprovada apenas com a abstenção do PSD e visava "contestar junto do Governo e da APL a construção do edifício projectado" para Santa Apolónia.A APL vem agora afirmar que "por orientação expressa da tutela (Secretaria de Estado dos Transportes) o projecto para o terminal de cruzeiros deverá ser concretizado e desenvolvido em estreita coordenação com o Município de Lisboa." O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, já afirmou esta semana que o estudo apresentado "está morto e enterrado", garantindo que este não será construído.Foi o estudo de projecto revelado para aquela zona, que previa um edifício de 600 metros de comprimento e seis de altura, que motivou as críticas. Num debate promovido pelo Fórum Cidadania Lisboa e pela Associação do Património e da População de Alfama, a 28 de Setembro, Sousa Tavares disse que "ao contrário de pessoas que dizem que a APL tem coisas positivas, acho que é uma associação de malfeitores", acrescentando ainda que "é um inimigo público da cidade", pelas construções que autorizou. Presente no mesmo debate, o eventual próximo responsável pela frente ribeirinha, José Miguel Júdice, disse estar "numa espécie de limbo", já que não foi nomeado para qualquer cargo.Ao DN Miguel Sousa Tavares disse preferir não comentar o caso. O contacto com o vereador do Urbanismo na CML, Manuel Salgado, não foi possível até ao fecho desta edição."

"Sociedade para frente do rio não terá poderes decisórios
Moradores saúdam fim do projecto"

"Sociedade para frente do rio não terá poderes decisórios A sociedade que irá promover a reabilitação da frente ribeirinha de Lisboa - que incluirá a Câmara e o Governo - não deverá ter poderes de licenciamento, afirmaram à Lusa vereadores da Oposição na Autarquia lisboeta. A informação foi anteontem transmitida aos vereadores por António Costa, presidente da CML, durante uma reunião extraordinária dedicada à frente ribeirinha. "Há o princípio, com o qual o presidente concorda, de que a empresa ou sociedade não tenha poderes de licenciamento, e nisto tem o apoio da vereação, o que lhe dá força para negociar com o Governo", disse a vereadora do movimento "Cidadãos por Lisboa" Helena Roseta, que já tinha manifestado a sua oposição à constituição de uma sociedade com as características da Parque Expo, que promoveu a Expo 98 e que tinha poderes de licenciamento. A vereadora, que tinha solicitado a reunião com o apoio dos restantes vereadores da Oposição, considerou que a sessão foi "extremamente útil", voltando a insistir na importância da discussão pública de qualquer projecto para a frente do Tejo. António Costa e o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (PS), informaram igualmente os vereadores sobre o trabalho de delimitação das áreas sob jurisdição da Administração do Porto de Lisboa que não dizem respeito a actividades estritamente portuárias e que deverão passar para a soberania plena da Autarquia. "Tem de haver uma clara separação das águas e agora há condições políticas para tal", disse por sua vez Carmona Rodrigues, anterior presidente do Executivo", acrescentando que o facto de o PS estar no Governo e na Câmara "ajuda muito".O ex-presidente da CML manifestou-se, contudo, "preocupado" em relação a alguns projectos da APL, dos quais tomou conhecimento na reunião, designadamente o "aterro da Doca do Espanhol, a construção de uma plataforma no cais de Alcântara, em frente a Santos, e o aumento da capacidade dos contentores". Já o vereador do PCP Rúben de Carvalho considerou "um passo muito importante" que as áreas da APL sem natureza portuária passem para a tutela da CML.A Associação do Património e da População de Alfama (APPA) manifestou ontem o seu regozijo pelo anunciado abandono do projecto de terminal de cruzeiros em Santa Apolónia. "Tratava-se de um mau projecto, sem qualquer discussão pública, e que teria graves impactos em Alfama ao nível do acesso ao rio, de sistema de vistas, fluxos de tráfego e equipamentos sociais", sublinham os responsáveis, em comunicado. A associação volta a ainda a questionar "a oportunidade deste investimento". "Se se pretende reforçar a capacidade e o poder de atracção turística da cidade de Lisboa, não seria mais urgente investir no processo de reabilitação urbana dos bairros históricos", questiona a APPA que apela ao Governo, APL e à Câmara para que levem em conta os interesses e a vontade dos moradores em novos projectos que venham a apresentar para a zona ribeirinha."

A Administração do Porto de Lisboa, apesar de ter sido convidada várias vezes par o debate, nada respondeu nem apareceu. Mas não gosta que as pessoas, que pretendem saber o que se vai construir na cidade, chateadas por serem desprezadas digam o que vai na alma.

Quanto ao resto, acho bem que os políticos liguem ao que o povo pensa. Já que é algo que a APL não se preocupa.

Lisboa/Eleições: Costa (PS) quer bloquear projectos de construção da Administração do Porto de Lisboa

Em 8 de Julho a Lusa deu esta noticia sobre a opinião do candidato a presidente da Câmara de Lisboa, hoje verdadeiramente Presidente da Câmara indigitado, António Costa sobre a Administração do Porto de Lisboa:

"O candidato do PS a presidente da Câmara insurgiu-se hoje contra os projectos da Administração do Porto de Lisboa de construir centros de congressos e comercial, dizendo que esta entidade não pode comportar-se como autarquia "sombra".
"O Porto de Lisboa não pode ser uma Câmara Municipal sombra e tem de ser posto no seu devido lugar", declarou António Costa no final de um passeio de barco pelo rio Tejo, em que participaram vários empresários do sector do turismo.
No seu discurso, o candidato do PS a presidente da Câmara de Lisboa criticou duramente os projectos da Administração do Porto de Lisboa no sentido de construir um centro comercial na zona de Santa Apolónia e um centro de congressos nos terrenos da Docapesca.
António Costa afirmou que tem de ser mudada a relação com entre a autarquia e a Administração do Porto de Lisboa, cabendo a esta última entidade "fazer aquilo que sabe fazer, que é a actividade portuária".
Na perspectiva do candidato socialista, tanto a construção do centro comercial, como do centro de congressos, "são duas iniciativas mal pensadas e próprias de quem não sabe o que é gerir a cidade".
"É um erro o Porto de Lisboa pretender fazer um centro de congresso quando a Associação Industrial Portuguesa já tem um projecto idêntico. Por outro lado, não aproveitar o novo terminal de cruzeiros próximo do Terreiro do Paço para revitalizar a baixa, fazendo antes um centro comercial para concorrer com a baixa, é também um erro", sustentou.
Segundo Costa, o Porto de Lisboa "deve dedicar-se à actividade de mercadorias e de passageiros e a Câmara deve dedicar-se a planear e a gerir a cidade".
"A partir do momento em que a Câmara tiver autoridade política, estou certo que o Porto de Lisboa vai ser posto no seu lugar, devolvendo à autarquia as competências que não pode continuar a desempenhar", acrescentou.
Numa acção de campanha em que estiveram presentes o presidente do Instituto de Turismo de Portugal, Luís Patrão, o presidente da Parque Expo, Rolando Borges Martins, e vários empresários do sector do turismo (casos de André Jordan, António Trindade, Jorge Rebelo de Almeida e Alexandre Almeida), o candidato do PS apontou três prioridades para o sector do turístico da capital.
Em primeiro lugar, Costa defendeu que a Câmara tem de "articular estratégias" com outras entidades ao nível regional, com o Estado e investidores.
"A Câmara tem de adoptar um programa de simplificação administrativa (o Simplis), de forma a agilizar e racionalizar a análise dos processos", adiantou.
Como terceira prioridade imediata, o candidato socialista prometeu apostar "na qualidade do espaço público -pequenas coisas que são indispensáveis à imagem da cidade".
"Podemos ter muitos hotéis de cinco estrelas, mas se a cidade não estiver cuidada nunca terá imagem de qualidade", sustentou."


Esperemos que não tenha fraca memória e que lute com toda a força para que os maus planos da Administração do Porto de Lisboa, contra a própria cidade não sigam em frente.

Cais do Jardim do Tabaco III

Em 20 de Abril de 2007 saiu esta noticia no jornal "Público":
«O projecto do Porto de Lisboa, que pretende concentrar os cruzeiros numa zona nobre da cidade, custa 45 milhões de euros e vai ter um financiamento comunitário de 40%. O Porto de Lisboa, que em 2007 espera receber mais de 300 mil passageiros de navios de cruzeiros, é o sexto em toda a Península Ibérica que mais visitantes atrai, captando 14 por cento do volume de passageiros dos dois países. Com o novo terminal, o objectivo é tornar o porto uma referência nas rotas turísticas internacionais. a O terminal de cruzeiros de Santa Apolónia, em Lisboa, que representa um investimento de 45 milhões de euros a concluir até ao Verão de 2010, vai integrar, além da gare marítima, um hotel com dois pisos, uma área de escritórios, zonas comerciais e estacionamento. A secretária de Estado dos Transportes sublinhou que esta obra, cuja primeira fase foi ontem consignada a um consórcio formado pelas empresas Somague e Seth, vai "beneficiar as condições de recepção de navios de cruzeiros", concentrando o tráfego "numa zona nobre da cidade". O projecto, acrescentou Ana Paula Vitorino, pretende também "permitir a reorganização espacial do Porto de Lisboa, disponibilizando a área dos actuais terminais de Alcântara e Rocha do Conde d"Óbidos para a operação de contentores". O segundo trimestre de 2008 é o período avançado pela Administração do Porto de Lisboa (APL) para a conclusão da obra de "reabilitação e construção do primeiro alinhamento de cais", que está orçada em 13,6 milhões de euros. Numa segunda fase, que deverá prolongar-se até ao terceiro trimestre de 2009, vai decorrer a "reabilitação e construção do segundo alinhamento de cais e tratamento e consolidação dos lodos e aterro da doca", com um custo de 24 milhões de euros. Só numa terceira fase arrancará a "construção da nova gare marítima, acessibilidades e envolvente", obra que segundo o vogal do conselho de administração da APL se pretende que seja "autofinanciável", através do investimento dos comerciantes que aqui vão instalar os seus negócios. Nessa altura, sublinhou Daniel Esaguy, ficará concentrada num só local toda a actividade dos navios de cruzeiros, actualmente dispersa entre Santa Apolónia, Alcântara e a Rocha do Conde d"Óbidos.O novo terminal de cruzeiros, que foi apresentado pelo responsável pela divisão de arquitectura e urbanismo da APL, vai incorporar o actual cais de Santa Apolónia e toda a frente de acostagem até à Doca da Marinha, implicando o fecho da Doca do Terreiro do Trigo. O projecto da gare marítima, explicou Rui Alexandre, da APL, integra dois edifícios cilíndricos "com uma certa transparência", nos quais existirão estruturas móveis através das quais se faz o acesso aos navios. Vai também ser construído um hotel, com dois pisos e uma área de 7800 metros quadrados, que vai ter um acesso directo à gare marítima, que ocupa uma área de 11 mil metros quadrados. O projecto contempla ainda áreas comerciais, escritórios, estacionamento para 1065 viaturas, incluindo autocarros e táxis, e uma ponte pedonal que vai fazer a ligação "entre o lado mais urbano e a zona portuária", como explicou Rui Alexandre. O presidente do conselho de administração da APL, Manuel Frasquilho, acrescentou que este empreendimento, que tem um financiamento comunitário de 40 por cento, vai "permitir o início da recuperação de uma área relativamente degradada da zona ribeirinha da cidade e da consolidação das suas acessibilidades".»
De tudo o que li, concordo que a zona ribeirinha deve ser recuperada. No entanto, não concordo com o hotel, com a zona comercial, pois tal situação não vem melhorar as zonas limítrofes mas acabar com o negócio. Por outro lado fazer, dois edifícios cilíndricos "com uma certa transparência", nos quais existirão estruturas móveis através das quais se faz o acesso aos navios não parece normal na zona mais antiga da cidade de Lisboa. Todos criticaram o Centro Cultural de Belém demasiado moderno para estar ao pé dos Jerónimos. E neste caso?
Não é ainda mais antagónico?
Será muito difícil para além do parque de estacionamento para os habitantes de Alfama e do Cais de desembarque, fazer um espaço verde junto á beira rio, para toda a população?
Até se podia colocar esplanadas. Nesse espaço é necessário mais espaço de lazer e menos espaço comercial. Qualquer dia os portugueses não sabem o que é um espaço para descansar, mas apenas vão conhecer os espaços de consumo.
Não existe necessidade de confundir os espaços de lazer com espaços de consumo.

Mas esperemos que não seja mais um dos projectos que a população não pode dizer nada e que seja apresentado como projecto final.
É por isso que Portugal é conhecido como o país exemplo em como não usar o dinheiro da União Europeia. Eles até já têm um dossier sobre nós que entregam aos estados que aderem à união. Nisso somos os primeiros.
Por outro lado, existe algo que deve ser chamado a atenção. segundo o vogal da APL a "construção da nova gare marítima, acessibilidades e envolvente", pretende que seja "autofinanciável", através do investimento dos comerciantes que aqui vão instalar os seus negócios. Mas refere-se que existe um financiamento comunitário de 40%. Assim, não pretende que seja uma obra autofinaciada, mas uma obra com lucro para o APL. Será que a população de Lisboa e do país não concordava que os meus impostos não se dirigissem para determinado tipo de obras e de compras e que se possa dirigir para um sitio que seria de lazer a quem se dirigisse a Lisboa?
Por outro lado, a missão da APL é de "prestação de um serviço multifuncional de base portuária orientada para os Clientes, segundo princípios de racionalidade operacional e económico-financeira, de eficácia social e ambiental e de acordo com as melhores práticas de Segurança marítima e patrimonial". Não parece que em algum lugar se refira a preparação e espaços comerciais ou hoteleiros e a missão de arrendar o espaço que foi, pelo Artº 7º do Decreto-Lei 336/98 de 3 de Novembro, conferido à APL.

Porta de S. Pedro


Estas pedras brancas e pretas que se vêm no chão da rua de S. João da Praça é o local onde esteve a porta de S. Pedro. Uma saida da muralha velha da cidade de Lisboa.
Assim, ficamos, desde já a saber que o centro de Alfama era fora da muralha velha. Alfama era um arrabalde da cidade de Lisboa. Cidade que apesar para uma pessoa do sec. XXI parecia muito pequena, tinha uma das maiores muralhas à volta da cidade.
A muralha, que já foi chamada de Moura, mas que hoje sabe-se que coincide milimetricamente com uma muralha anterior, dos tempos romanos, que abragia o Castelo e parte da freguesia da Sé. Passando um pouco à frente da Igreja de Santo António, andando depois junto ao rio. Mas não onde ele passa hoje. O rio vinha onde hoje existe a casa dos Bicos e subia onde hoje temos o sitio da porta de S. Pedro.
Alfama foi assim denominada, pois tinhamos de dar um nome a este arrabalde. Pois do outro lado, onde hoje é a Baixa Pombalina, existia a praia. O rio tinha uma entrada de água até á actual zona do Rossio, Praça da Figueira. Assim, chamou-se a este arrabalde Alfama. De origem arabe - Al hama- Fonte de água quente. Sempre foi uma zona de muitas fontes, e de águas quentes. até 1963 existia no Beco dos Curtumes uma fonte onde a água saia sempre a 37ºC e era considerada milagrosa.
Mas isso são outras histórias.

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