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Assembleia Municipal de Lisboa inviabiliza empréstimo camarário para reabilitação urbana - Deputados do PSD, BE e CDS-PP abstiveram-se


A Assembleia Municipal de Lisboa acabou de inviabilizar um empréstimo de 120 milhões de euros que a câmara tinha negociado com a banca e com o Banco Europeu de Investimento para obras de reabilitação urbana.

A lei exigia que um empréstimo deste género fosse aprovado por maioria absoluta na assembleia, uma vez que se prolonga pelos próximos mandatos camarários, mas a abstenção dos deputados municipais do PSD, BE e CDS-PP fez chumbar as propostas dos socialistas.

Os 120 milhões destinam-se entre outras coisas a terminar obras em bairros históricos como Alfama, paradas desde o mandato anterior por causa de dívidas da autarquia aos respectivos empreiteiros. O PSD designou este plano de reabilitação urbana como uma mistificação. Entre os sociais-democratas, apenas a presidente da assembleia municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz, votou a favor .

Por Ana Henriques in Publico


Nota do Blogger: O PSD, Bloco de Esquerda e CDS, podem considerar este plano uma mistificação. Mas o facto de não terem votado contra, mas terem-se abstido, quando isso equivale ao mesmo, apenas pode indica uma coisa. Estes partidos, tendo eu já votado em todos eles, estão a brincar á democracia. Não votaram contra para não dizerem claramente aos munícipes que as obras dos seus prédios vão ter de esperar mais um ano para ser terminada ou mesmo começada. Mas sabendo que era necessária uma maioria absoluta estavam a impedir que tudo possa começar e continuar. Estranhamente o PSD que aprovou o túnel do marques que todos nós temos de pagar em algumas décadas, impediu que fosse aprovado a melhoria de dezenas de prédios em alfama e na restante cidade.

Posso não gostar do modo como a Câmara está a ser dirigida pelo António Costa, mas PSD, Bloco de Esquerda e CDS-PP, não terão o meu voto.

Muito menos pretendo votar num candidato que quer ser presidente da câmara, pois não tem outro local onde cair e pretende fazer túneis para esconder o que está por de cima.

Câmara gastou 3,7 milhões em realojamentos

Obras de reabilitação paradas por falta de verba há anos. Em Alfama e Castelo, serão retomadas este ano.
A Câmara de Lisboa já gastou, desde 2003, mais de 3,7 milhões de euros em realojamentos das famílias deslocadas dos prédios envolvidos na empreitada de reabilitação lançada por Santana Lopes, mas nunca terminada.
Só com Alfama, onde se contam dezenas de famílias deslocadas, a Autarquia gasta, por mês, mais de 52 mil euros, revelou, ontem, o presidente António Costa, durante uma visita ao bairro, onde está concentrada a maioria dos prédios que a EPUL (Empresa Municipal de Urbanização de Lisboa) se propunha reabilitar.
Um dos imóveis cuja obra ficou em "banho-maria", no Largo do Chafariz de Dentro, acabou por entrar em colapso com o passar dos anos e outros, caso de um prédio no Largo de S. Rafael, estão em risco de cair.
A visita de António Costa a Alfama e à freguesia vizinha do Castelo serviu não só para mostrar obras paradas como para apresentar as linhas mestras do Programa Prioritário em Acções de Reabilitação Urbana, que será executado com a ajuda de um empréstimo ao Banco Europeu de Investimento, no valor de 120 milhões de euros, mas que aguarda ainda o voto da Assembleia Municipal, onde o PSD tem maioria. "Se não viabilizarem, é porque não querem acabar com estes cancros que estão a minar a cidade", disse Costa num recado directo à Oposição laranja. "É urgente viabilizar o programa, para que as obras tenham um princípio, meio e fim. As obras não podem ser um momento de propaganda", sublinhou, num "atirar de farpas" a Santana Lopes.
"Queremos agarrar as obras que foram lançadas em 2003 sem condições de financiamento e projectos, para que as pessoas possam voltar às suas casas, para que desapareçam os andaimes", frisou o autarca, acrescentando que, ao mesmo tempo, a Câmara "libertava-se de um encargo muito pesado de suportar" (as rendas dos realojados) e acabava com a degradação do bairro.
Segundo António Costa, dos 50 edifícios que a EPUL se propunha reabilitar, apenas cinco foram concluídos. "As sociedades de reabilitação urbana gastaram 14 milhões até final de 2008 e recuperaram um imóvel", reforçou, por sua vez, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, frisando que, graças a pequenas obras, 40 famílias vieram morar para Alfama.
A Câmara conta, ainda este ano, retomar nove empreitadas em Alfama e cinco no Castelo e tem outras três já em curso noutras zonas da cidade. Só em Alfama, ao abrigo do Programa Prioritário de Reabilitação Urbana, serão recuperados 40 edifícios, num total de 117 fogos, com um custo de 12 milhões de euros.
O Programa deverá ser desenvolvido ao longo de quatro anos, distribuído por 345 empreitadas, para recuperar 293 fogos em áreas histórias (beneficiando 880 pessoas), cinco bairros de Marvila (envolvendo 26 mil pessoas nos Lóios, Amendoeiras, Flamenga, Armador e Condado), 58 escolas, 38 espaços públicos e 39 edifícios de serviços. "Estas obras vão animar a economia e criar três mil postos directos de trabalho", rematou António Costa.

por TELMA ROQUE in Jornal de Noticias



Nota do Blogger:


Sobre esta noticia tenho varias considerações:


- 3,7 milhões dava para ter concluído as obras em Alfama. No entanto muitos prédios continuam a aguardar o começo das mesmas.


- O afastamento da população de Alfama provoca a criação de raízes noutros bairros. Não podemos esquecer que esta população fica afastada durante vários anos. Não querendo depois voltar para o bairro.


- Em época de eleições, sendo este o ano de todas elas, excepto as presidenciais, temos mais uma promessa que é agora que vão continuar.


- Por ultimo, nos prédios que aguardam começo das obras temos dois tecelões que informam os cidadãos do seguinte:


Obra aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa e aguarda aprovação pela assembleia municipal. Pensando bem e no fundo, a Câmara está a fazer campanha com o dinheiro dos contribuintes informando que o PSD está a parar o PS. Maus amigos deixem-se de politiquice e façam o V. trabalho. A vossa sorte é que o povo anda tão preocupado com a economia familiar que não tem tempo para as V. brincadeiras, nem para perceber o dinheiro deitado á rua. No fundo e se fizermos bem as contas não são 3,7 milhões mas mais perto dos 5 milhões que se gastaram em Alfama sem que conseguíssemos perceber a onde.


Associação de Alfama contra "estaleiro de obras" instalado naquele bairro histórico

Contra o estaleiro de obras paradas, a Associação do Património e da População de Alfama quer que a Câmara de Lisboa faça alguma coisa para resolver as situações de abandono de obras, que prejudicam a qualidade de vida e de circulação da população local. Segundo afirmam, este bairro histórico transformou-se num estaleiro de obras, muitas privadas, mas também há obras de reabilitação urbana, promovidas pela Câmara. Quando e como volta o maior descanso a Alfama é o tema em debate, com a jornalista Teresa Quintela.
2009-04-30

Oiça aqui.

Inacreditavelmente o Presidente da Junta de São Miguel disse que a situação não é assim tão má.
Por outro lado, coloca palavras nas bocas de pessoas que nunca as disseram e tem medo de falar à frente de um vereador só porque é da mesma cor politica. Alfama, bem como o pais, precisa de alguem que diga a verdade e não tenha medo de enfrentar por interesses do bairro e do pais.

Notícias contraditórias


“CML prevê investir 94,9 M€ reabilitação bairros históricos
A Câmara Municipal de Lisboa prevê gastar quase 95 milhões de euros em reabilitação urbana em várias zonas e bairros da capital até 2011, dos quais 19,6 milhões de euros só em 2008.
De acordo com o plano plurianual de investimentos da autarquia apresentado terça-feira pelo presidente da autarquia, António Costa, os bairros de Alfama e do Castelo vão ser os mais beneficiados, com um montante global de 26,5 milhões de euros, dos quais 5,3 milhões de euros a aplicar já no próximo ano. "

"CML acumula uma dívida a fornecedores de 832 M€
A Câmara Municipal de Lisboa acumula uma dívida a fornecedores de 832 milhões de euros, uma situação de «ruptura financeira», de acordo com o relatório de execução financeira da autarquia relativo ao primeiro trimestre deste ano.
Segundo o relatório de execução financeira do primeiro trimestre de 2007, citado hoje pelo Rádio Clube Português, existe um «desequilíbrio financeiro estrutural ou de ruptura financeira» na autarquia lisboeta.
A 31 de Março deste ano, a dívida a fornecedores a curto prazo situava-se nos 316 milhões de euros, sendo a dívida a fornecedores a médio e longo prazo de 516 milhões de euros. "
"Lisboa/Empréstimo: Proposta aprovada por maioria absoluta
A Assembleia Municipal de Lisboa repetiu hoje a votação da proposta de empréstimo de 400 milhões de euros, que desta vez foi aprovada por maioria absoluta, com o PSD votar favoravelmente.
Na votação realizada na semana passada, a proposta passou com os votos favoráveis do PS, PCP, Os Verdes e Bloco de Esquerda e as abstenções do PSD e CDS.
Desta vez, a proposta, que se mantém nos mesmo termos aprovados a semana passada, teve os votos favoráveis do PSD, PS, Bloco de Esquerda, Os Verdes, PCP e a abstenção do CDS-PP.”

Vê-se noticias como estas, parcialmente transcritas, e ficamos a pensar que existe algo que não está correcto.
Como pode a C. M. Lisboa investir 94,9 Milhões de Euros se o empréstimo que a Caixa Geral de Depósitos vai conceder (mais nenhum banco quis emprestar), caso seja aprovado pelo Tribunal de Contas, no valor de 400 Milhões, não chega para pagar aos credores?
Mas tal situação não é nova, nem será a ultima, em matéria tratamentos de dinheiros públicos. Do mesmo modo, está em fase de conclusão a obra da construção da Agência Europeia da Segurança Marítima, sem qualquer licença da Câmara Municipal. Se esta obra fosse feita por um particular estava embargada e com uma multa muito elevada.
Esperemos que a Administração do Porto de Lisboa não siga este exemplo.

Limpeza da Cidade de Lisboa

Segundo uma noticia on line a C.M. Lisboa pretende fazer uma limpeza em zonas da cidade de Lisboa “O plano de limpeza de passeios, que conta com a colaboração da Unilever, abrange várias zonas da cidade, entre as quais a Baixa-Chiado, Mouraria, Alfama, Príncipe Real, São Bento, Rato, Amoreiras, 24 de Julho, Campo de Ourique, Saldanha, Praça de Londres, Benfica, as estações do Cais do Sodré e de Santa Apolónia, os terminais de transportes do Campo Grande e de Sete Rios e sete estações de metro.”
No entanto, e no que concerne a Alfama, basta andar pelo bairro para preceber que não basta uma limpeza das pedras da calçada para dar mais condições ao bairro. Não digo que a limpeza não seja bem vinda. Mas só não chega.
Num bairro onde há mais de 20 anos se criou uma associação de protecção da população e património do bairro (APPA – Associação da População e Património de Alfama) com o lema Reabilitação ou Morte. Onde ao longo das inúmeras eleições é prometida a conclusão da mesma para o bairro. Onde foi criado um gabinete técnico de Alfama que hoje, para variar, já tem o nome de Unidade de Projectos de Alfama e sem qualquer poderes sobre as obras do bairro. Onde as obras do bairro obrigam a emigrar os habitantes do bairro para vários quilómetros de distância e durante décadas. Onde o aluguer das casas onde a C. M. Lisboa alojou estas pessoas obriga a um dispêndio de recursos de uma câmara financeiramente falida. Pois as rendas pagas pelas novas casas não se comparam às rendas originais, sendo a C.M. Lisboa a pagar a diferença. Tais situações não serão disfarçadas pela limpeza das ruas. O que interessa para um habitante ver a calçada limpa se não existem caixotes do lixo para colocar o mesmo? Para quê a limpeza das ruas se não pode utilizar uma assoalhada da sua pequena casa com medo de ir parar ao vizinho de baixo? Para quê isto se muitos prédios necessitam de obras e nada é feito?
Penso que falta prioridades reais à C.M. Lisboa. Não se pode "tapar o sol com a peneira" e não serão as pessoas que vem visitar as ruas ao fim de semana ou comprar na Baixa-Chiado ou em Alfama que vão votar nas próximas eleições. São os habitantes e é nestes que as prioridades devem ser colocadas. Desde logo, com a limpeza financeira da C. M. Lisboa e com a descentralização de poderes, para os órgãos que já existem, como a Unidade de Projectos de Alfama que estando situada no bairro e tendo conhecimento dos problemas do mesmo é mais capaz de resolver os problemas deste do que qualquer vereador que visitou Alfama durante a campanha eleitoral.

Obras em Alfama

Noticia do Expresso do dia 10 de Novembro de 2007

"Nas vésperas da eleição para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa garantiu que, caso fosse eleito, esticaria ao limite as finanças da autarquia de forma a arranjar 6,8 milhões de euros para desbloquear 18 empreitadas que se encontravam suspensas por falta de pagamento. Cem dias passados só arrancaram três obras e outras quatro avançam nos próximos dias. Onze continuarão paradas por falência do empreiteiro ou rescisão dos contratos, o que exige a abertura de novos concursos públicos.
Até ao momento foi recomeçada a reabilitação do Jardim de S. Pedro de Alcântara que estará pronto em Fevereiro de 2008, a construção de uma residência para idosos em Campolide e a requalificação dos postos de limpeza na Rua Filipe da Mata (Rego). Segunda-feira a Edifer retoma uma das maiores e mais antigas obras de Alfama, na Rua de S. Pedro, que desde há cinco anos vive na penumbra e inactividade - as peixeiras mudaram-se - devido aos tapumes. Nas imediações, o edifício municipal do Beco do Azinhal entrará em acabamentos nos próximos dias. Mais acima, no Castelo, a câmara já regularizou os pagamentos à construtora Soares da Costa e os trabalhadores regressam em breve à Rua do Recolhimento. A empreitada da Rua de São Bento, junto à Assembleia da República, tem o reinício marcado para 15 de Novembro.
Uma dívida da Câmara Municipal de Lisboa de 1,5 milhões de euros levou à falência da construtora Pavia e à consequente impossibilidade de reiniciar cinco empreitadas: a reconstrução da Rua Damasceno Monteiro (Anjos) e da Alameda da Linha de Torres (Lumiar), o prolongamento da Rua Gonçalo Mendes da Maia (Pedrouços), a conservação e reconstrução de arruamentos e passeios na cidade e trabalhos diversos de recarga de pavimentos. No lote dos irrecuperáveis estão também os trabalhos na Rua de Macau (Anjos).
Em Alfama há igualmente três empreitadas, todas incluídas no Projecto Integrado do Chafariz de Dentro, que não serão retomadas nos próximos tempos: a reabilitação no Beco do Espírito Santo, na Rua de São Miguel/Beco das Barrelas e na Rua Norberto Araújo. Este último, orçado em 5,6 milhões de euros tem um efeito visual especialmente marcante, afectando a vista do miradouro de Santa Luzia: em vez de rio e casario vêem-se chapas de zinco. Por fim, na Mouraria, a obra de conservação de vários edifícios continuará parada."
Sobre isto tenho a seguinte opinião:
Existem, em Lisboa e em Alfama, concretamente, obras paradas há vários anos que colocaram os habitantes dos bairros em locais distantes, Sendo um acréscimo de despesas para a Câmara Municipal de Lisboa, que paga a diferença das rendas pagas pelos arrendatários no momento que foram deslocadas e a renda que os actuais senhorios exigem.
Não são só estas as obras, supra referidas, que existem em Alfama. Desde logo as obras na Rua da Adiça, na Rua Norberto Araújo, com descobertas arqueológicas que poderão impedir de alguma habitantes de voltar. Das obras no Largo do Chafariz de Dentro que pela enézima vez foi descoberto resquícios da Muralha Fernandina que o IPPAR mandou suspender as obras e onde a falta de comunicação dos serviços da câmara faz espantar o mais sensato dos munícipes. Como pode a C.M. Lisboa não ter conhecimento da existência da Muralha se foi o município que colocou calçada diferente para mostrar onde passa a muralha?
Coisas estranhas que só nos podem surpreender.

Arqueologia ou reabilitação – alternativa ou duas faces da mesma moeda?

Em Alfama sabemos que a reabilitação do bairro começada há mais de 15 anos e muito longe do fim é algo importante e que deve ser um esforço de todos. Mesmo para a C. M. Lisboa, que tem dezenas de obras paradas no bairro e que impede que as pessoas possam viver nas suas casas. Sendo mandadas para outros bairros da cidade por vários anos que, muitas vezes, passam da década. Existindo um desprender das raízes das pessoas ao bairro.
Alfama é um bairro histórico, com casas muito antigas, com falta de espaço, luz natural, já para não falar de estacionamento, elevador, vidros duplos, etc.
No entanto, existe desde á mais de 15 anos uma reabilitação no bairro que, teoricamente vem manter a fisionomia do bairro e impedir o despovoamento e quedas dos prédios.
Mas, quando se faz obras em prédios, descobre-se historia por debaixo dos mesmo prédio.
Exemplo disso é o prédio na Rua Norberto Araújo, nº 29 que está para reabilitação há mais de uma dezena de anos. Ao tentarem reabilitar foi descoberto por detrás do prédio, parte da muralha antiga, ou moura, e uma torre posterior que ainda não se sabe de que data. Tal situação deve-se ao facto de que não é possível saber a data em que as pedras da torre foram feitas. Assim, só com especulação podemos alcançar a verdade.
No entanto, sendo uma torre moura em fase tardia, ou uma torre posterior à tomada da cidade pelos cristãos, não deixa de ser uma descoberta importante que deve ser mostrada ao publico. Mas cria uma situação que deve ser ressalvada. As pessoas que viviam no prédio querem voltar para o mesmo. E a isso têm direito. Como resolver esta situação.
Não deve a C. M. Lisboa proteger o património do país e ao mesmo tempo proteger a propriedade privada e dar os direitos a quem deles é merecedor?
Tais situações acrescidos ao facto de que a falta de dinheiro impede a que se chegue a uma solução rápida e justa, vem criar questões que não são de fácil resposta.
Por mim considero que dentro do possível deve-se preservar o património, com a ressalva que não pode o bairro transformar-se num museu. Mas num bairro habitacional onde vida e património sejam duas faces da mesma moeda chamada Alfama.
Se pretenderem saber as dificuldade da arqueologia no bairro de Alfama sigam este link.

MORADORES SUSPIRAM POR ALFAMA DE "ANTIGAMENTE"


Foi publicado no Diário de Noticias de 2 de Junho de 2007 aquilo que os habitantes de Alfama consideram das obras existentes no bairro:


"Obras municipais de reabilitação paralisadas e outras que correm a conta gotas em Alfama fazem a população suspirar pelo bairro de antigamente, antes da saída de muitos moradores e quando as ruas eram percorridas por milhares de turistas. Comerciantes, moradores e os presidentes das juntas de freguesia de São Miguel e Santo Estêvão são unânimes em considerar que as obras são necessárias, mas queixam-se do arrastar dos trabalhos, alguns há 10 anos, e dos estaleiros espalhados pelo bairro lisboeta que dificultam a passagem nas ruas íngremes e estreitas da zona. "Isto está um caos, está tudo parado, só se vê tapumes. São as obras de Santa Engrácia", afirmou José Meggi, proprietário de uma papelaria na rua de São Miguel, que teve de mudar de instalações há mais de dois anos quando começaram as obras no edifício, que entretanto pararam. As obras têm causado um prejuízo "muito grande" a José Meggi, justificando que os andaimes e o piso irregular causado pelas obras afastam as pessoas da rua. Numa padaria em frente à loja de José Meggi, a funcionária, Maria, contou que os moradores estão sempre a reclamar das obras. "Há muito ratos e estes andaimes e tapumes dão muito mau aspecto ao bairro de Alfama, muito procurado pelos turistas", sustentou. Por todo o bairro, encontram-se várias obras paradas tapadas com telas, já amarelecidas pelo tempo, com a inscrição "Obras de Reabilitação" da Câmara de Lisboa. “As telas ainda são do tempo de Pedro Santana Lopes", comentou à Lusa Carlos Dias, em frente a um edifício no largo de São Miguel, cujas obras de requalificação nem sequer chegaram a começar. Nascido no bairro há 52 anos, Carlos Dias confessou que é com "muita tristeza" que vê o bairro em obras permanentes: "é mau para quem visita e para quem mora". No Beco das Bandas, as obras de um grande edifício, integradas no Projecto Integrado do Chafariz Dentro, pararam há mais de seis meses, restando apenas algum entulho em frente à obras, contou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, Francisco Maia. "Temos queixas contínuas dos moradores. A Câmara de Lisboa não actua e nós somos descredibilizados perante a população", referiu o autarca. Na Rua de São Pedro, quatro edifícios em obras, cujas telas e tapume escureceram a estreita rua, têm posto os nervos dos moradores em franja. Um deles é o Sr. Gonçalves, proprietário de uma mercearia, que se queixa da quebra no negócio. "Tiraram-nos a clientela toda e as obras nunca mais acabam para as pessoas poderem voltar para o bairro". Ao cimo da Rua Norberto Araújo, quatro edifícios aguardam pacientemente há 10 anos a sua reabilitação e gera queixas dos moradores. "Isto já devia estar mais que pronto", afirmou um morador, acrescentando que esta situação prejudica o turismo: "quando os turistas vêem isto até têm medo de passar e ser assaltados". Na Rua de São Pedro, um prédio, que ocupa quase um quarteirão, está com as obras paradas há cerca de três meses e na Calçadinha de Santo Estêvão um imóvel mantém-se emparedado há mais de 15 anos, suscitando alguma preocupação dos residentes. Alguns metros mais há frente, no Beco do Espírito Santo, um edifício espera há cerca de seis anos pela conclusão das obras e obrigou, tal como nos outros prédios, ao realojamento das pessoas. "A minha mãe morou aqui toda a vida e teve de sair, com o desgosto sofreu um acidente cardiovascular", contou a filha da moradora." Muitos gostavam de voltar para o bairro, porque isto é uma família, mas já não voltam porque morrem entretanto, salientou Carlos Jorge, nascido em Alfama há 69 anos. Para a presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão, Maria de Lurdes Pinheiro, as obras têm causado enormes prejuízos para os moradores que ficaram no bairro e para os que tiverem de sair devido às obras. "São idosos que tiveram de ser realojados noutros locais e têm muitas saudades do bairro e dos vizinhos", justificou, lembrando ainda que é a autarquia que paga a renda dessas pessoas. Uma das lutas da população é a retirada de estaleiros do bairro, que consideram não ter utilidade, uma vez que as obras estão paradas. Um desses estaleiros está situado no Largo Chafariz Dentro e outro no largo de Santo Estêvão. "O estaleiro no largo de Santo Estêvão - que servia de apoio a uma obra na Rua Guilherme Braga que está parada desde 2006 - está completamente vazio, com placas de metal a tapar o espaço, que está constantemente a ser vandalizado", disse a autarca. Além disso, acrescentou, está a ocupar uma zona onde os lugares de estacionamento são necessários. "Só tivemos prejuízos. As obras têm afastado muitos para atrapalhar, uma vez que está vazio", sustentou. A crise financeira na autarquia acabou por implicar, "por falta de pagamento", a suspensão das obras de reabilitação urbana em Alfama, Mouraria e São Bento, segundo um relatório de execução financeira da autarquia relativo ao primeiro trimestre deste ano divulgado pelo Rádio Clube Português. A Lusa contactou a Câmara de Lisboa para saber quantos edifícios foram recuperados e quantos faltam por reabilitar em Alfama, no âmbito dos três programas de requalificação 'Alfama Quem Cuida Ama', 'Lisboa a Cores' e 'Repovoar Lisboa', mas não obteve resposta em tempo útil."

Cais do jardim do Tabaco


O Cais do Jardim do tabaco é uma zona muito importante do Bairro de Alfama.

O povo do Bairro juntou-se nesta parte da cidade devido á sua ligação com o rio. Já no tempo dos Fenícios e dos Mouros era a zona onde se o povo se sedentou. Desde logo, após a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques os mouros foram mandados para uma zona da cidade ainda desabitada - a Mouraria.

Portanto desde sempre que Alfama esteve ligada ao mar. No sec. XIX, eram os pescadores e as Varinas o tipo de profissão mais comum no bairro. Mesmo durante o século XX as profissões em maioria em Alfama eram as das varinas e dos estivadores/portuários.

Antes do SEC. XVIII, grande parte das deslocações eram feitas pelo rio.

Hoje divido a necessidades de respeito pelas regras sanitárias já não existem varinas em Alfama, pelo menos ao serviço.

Por questões económicas já não existem praticamente trabalho para estivadores e portuários. Como alternativa, Portugal têm-se tornado um destino Turístico e é nessa base que se está a modificar o país.

Sendo assim, vai ser contruído um novo cais no Jardim do Tabaco. Para ser mais concreto no local que se situa desde santa Apolónia até ao Cais da Marinha.

No entanto, como é usual neste país, falta explicação para o que vai ser contruído. E o que existe são boatos. Pode ser que alguns sejam verdade, mas não podem ser todos.

No entanto para quem está um pouco mais atento fica perplexo pelo que querem fazer no Cais, nos últimos 10 anos.

Já foi o local onde se ia construir o casino de Lisboa, já foi o sitio para onde ia a Feira Popular, é agora o novo local onde os barcos de cruzeiro vão descarregar os passageiros.

Esta noticia nem parece mal para Alfama. Mas existe o boato que se vai ser construído um cento comercial com 2 piso de altura, retirando o acesso da população ao rio. Tal situação a ser verdade não só é virar costas ao rio como é matar um pouco de Alfama. Nós sabemos que quem chega de barco se tiver um centro comercial em frente os turistas não vão á cidade ficam logo no escritório.

No entanto, como não temos acesso a informação não sabemos se esta informação é verdade.

Sendo assim, necessitamos, na época da Internet, ter acesso a informação, sem ela todos os projectos começam errados e vão ter a população contra eles.

Sendo assim, deve a Administração do Porto de Lisboa e o Governo dar acesso ao projecto que pretender fazer no cais frente a Alfama. Sem informação não pode haver aprovação da população.

Miradouro de Santa Luzia II

Houve tempos em que o Miradouro de santa Luzia era assim.






Tinha azulejos, estátua do Dr. Júlio Castilho, espaços verdes e sombras:

No entanto, como começaram a roubar os azulejos e, tendo em vista recuperar em pleno o Miradouro, foram começadas obras, para dar mais prazer a quem o visitasse. Conforme fotografia que se vê a seguir.



Já não sei há quantos anos foi, mas as obras ainda não acabaram e hoje mete dó ir visitar este local mais bonito do que as imagens conseguem transparecer. temos pouca vista da cidade e de Alfama, não existe sombra e o local parece um estaleiro de obras.

Hoje está assim:




Para quando a devolução do Miradouro aos Lisboetas, Turistas e de quem o visitar.




Isto faz lembrar os versos do poeta:




"Alfama não cheira a fado




Mas não tem outra canção"




Ary dos Santos




Miradouro de Santa Luzia





No Miradouro de Santa Luzia, para além de uma excelente paisagem de Alfama existiu o seguinte:

1 - Uma Biblioteca para as pessoas poderem ler e ver jornais.

2- Um jardim, de denominado de Júlio de Castilho, onde as pessoas podiam estar num dos poucos espaços verdes de Alfama. Local onde eu cheguei a namorar.


3- Uma Igreja - de Santa Luzia - Igreja implantada sobre a cerca moura, intimamente ligada aos Cavaleiros da Ordem de Malta, cuja origem parece remontar ao séc. XII. Primitivamente,era uma igreja-fortaleza avançada sobre os arrabaldes da zona oriental da cidade. Objecto de várias reedificações, este templo traduzia, após o terramoto de 1755, uma arquitectura chã com uma fachada principal de linhas simples e inspiração clássica, exibindo, na sua fachada lateral virada para o miradouro, dois painéis de azulejos, representando a conquista de Lisboa e a Praça do Comércio antes do terramoto, executados na Fábrica Viúva de Lamego. O interior,de planta em cruz latina e nave única, destaca-se por conservar 10 sepulturas, em forma de lápides ou monumentos funerários, com inscrições em português ou latim, classificadas como Monumento Nacional


4- Um espaço público onde todos nós, residentes ou não de Alfama, podíamos aproveitar esta nossa cidade.


Hoje temos um estaleiro de obras, onde mal se pode ver a paisagem. Do jardim e da estátua de Júlio de Castilho nada existe. Quanto às obras dos prédios vizinhos, continuam paradas e não se sabe quando vão começar. Quanto aos azulejos, os poucos que ainda restauram, foram levados para o Museu da Cidade.


Triste sina a de Júlio de Castilho e de Norberto Araújo. O primeiro com uma obra vasta sobre Lisboa e Lisboa Antiga, se soubesse que nisto iria se tornar este largo, nada teria escrito. Talvez por isso a sua estátua, no jardim com o seu nome esteja cada vez maiss coberta por uma selva de plantas que o irão cobrir e fazê-lo chorar pelo bairro. O segundo se soubesse que nisto iria ficar o Bairro de Alfama, não teria lutado para que 0 bairro não fosse destruído e feito de novo, conforme era intenção na época. Um Olicipografo como Norberto de Araújo não merecia. Como não merecem todos os que conhecem e Amam Alfama.


Para quando a conclusão das obras, para quando podermos ver Alfama a descoberto sem andaimes e sem véus que lhe tapam a beleza.



Obras paradas por falta de Dinheiro envergonham Alfama


Noticia no Jornal de Noticias.


"Há prédios a aguardar requalificação há mais de uma decada em Alfama fazem a população suspirar pelo bairro de "antigamente", antes da saída de muitos moradores e quando as ruas eram percorridas por milhares de turistas. Comerciantes, moradores e os presidentes das juntas de freguesia de São Miguel e Santo Estêvão são unânimes em considerar que as obras são necessárias, mas queixam-se do arrastar dos trabalhos, alguns há 10 anos, e dos estaleiros espalhados pelo bairro lisboeta que dificultam a passagem nas ruas íngremes e estreitas da zona. "Isto está um caos, está tudo parado, só se vê tapumes. São as obras de Santa Engrácia", disse José Meggi, proprietário de uma papelaria na rua de São Miguel, que teve de mudar de instalações há mais de dois anos quando começaram as obras no edifício, que entretanto pararam. As obras têm causado um prejuízo "muito grande" a José Meggi, justificando que os andaimes e o piso irregular causado pelas obras afastam as pessoas da rua. Numa padaria em frente à loja de José Meggi, a funcionária, Maria, contou que os moradores estão sempre a reclamar das obras. "Há muitos ratos e estes andaimes e tapumes dão muito mau aspecto ao bairro de Alfama, muito procurado pelos turistas", sustentou. Por todo o bairro, encontram-se várias obras paradas tapadas com telas, já amarelecidas pelo tempo, com a inscrição "Obras de Reabilitação" da Câmara de Lisboa. "As telas ainda são do tempo de Pedro Santana Lopes", comentou Carlos Dias, em frente a um edifício no largo de São Miguel, cujas obras de requalificação nem sequer chegaram a começar. Nascido no bairro há 52 anos, Carlos Dias confessou que é com "muita tristeza" que vê o bairro em obras permanentes "é mau para quem visita e para quem mora". EntulhoNo Beco das Bandas, as obras de um grande edifício, integradas no Projecto Integrado do Chafariz Dentro, pararam há mais de seis meses, restando apenas algum entulho em frente às obras, contou o presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, Francisco Maia. "Temos queixas contínuas dos moradores. A Câmara de Lisboa não actua e nós somos descredibilizados perante a população", referiu o autarca. Na Rua de São Pedro, quatro edifícios em obras, cujas telas e tapume escureceram a estreita rua, têm posto os nervos dos moradores em franja. Um deles é o sr. Gonçalves, proprietário de uma mercearia, que se queixa da quebra no negócio. "Tiraram-nos a clientela toda e as obras nunca mais acabam para as pessoas poderem voltar para o bairro". Ao cimo da Rua Norberto Araújo, quatro edifícios aguardam pacientemente há 10 anos a sua reabilitação e gera queixas dos moradores. "Isto já devia estar mais que pronto", afirmou um morador, acrescentando que esta situação prejudica o turismo "quando os turistas vêem isto até têm medo de passar e ser assaltados". * LusaReabilitação urbana suspensaA crise financeira na autarquia acabou por implicar, "por falta de pagamento", a suspensão das obras de reabilitação urbana em Alfama, Mouraria e São Bento, segundo um relatório de execução financeira da autarquia relativo ao primeiro trimestre deste ano divulgado pelo Rádio Clube Português. A Lusa contactou a Câmara para saber quantos edifícios foram recuperados e quantos faltam por reabilitar em Alfama, no âmbito dos três programas de requalificação "Alfama Quem Cuida Ama", "Lisboa a Cores" e "Repovoar Lisboa", mas não obteve resposta. Sabe-se que na Rua de São Pedro, um prédio está com as obras paradas há cerca de três meses e na Calçadinha de Santo Estêvão um imóvel mantém-se emparedado há mais de 15 anos. Alguns metros mais há frente, no Beco do Espírito Santo, um edifício espera há cerca de seis anos pela conclusão das obras."


Helena Neves

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