Alfama

Alfama

Ano de depedida de Carlos Mendonça - Ensaiador das Marchas de Alfama




A edição de 2009 fica ainda marcada pela despedida de Carlos Mendonça, ensaiador de Alfama e que já conquistou doze vitórias. A muito se deve a este homem a boa prestação das Marchas de Alfama. O seu profissionalismo, segredo, e bom gosto veio tornar o bairro de Alfama como uma Marcha a ser vista com olhos de orgulho.


Seja qual for o resultado do bairro nas marchas deste ano desde já queremos agradecer ao grande Carlos Mendonça pelo tempo que nos disponibilizou.


A edição deste ano das Marchas Populares de Lisboa orça em cerca de um milhão de euros. Aos 660 mil euros de subsídio da Câmara Municipal de Lisboa (30 mil euros para cada uma das 22 colectividades organizadoras), somam-se mais de 260 mil euros para a logística dos três dias de exibições no Pavilhão Atlântico (próximos dias 5, 6 e 7) e desfile na Avenida da Liberdade (12).
Para o Atlântico são disponibilizados cerca de 7600 lugares por dia e já há bilhetes à venda (seis euros). Na Avenida vão ser montadas várias bancadas, com capacidade para cerca de 3000 lugares sentados. Também já se sabe a composição do júri: Francisco Teófilo (presidente), José Castanheira (cenografia), Dino Alves (figurinos) Duarte Ivo Cruz (letra), António de Brito (música), João Pinto e Rui Graça (apreciação global) e Mafalda Sebastião (representante da EGEAC).
A edição deste ano marca a estreia das Marchas da Baixa e Belém e o regresso dos Mercados. Por parte dos estreantes as expectativas são diferentes: Belém quer fazer boa figura no ano de estreia enquanto a Baixa coloca a fasquia alta e ambiciona os primeiros lugares. Para tal, conta na coordenação com António Escolástico, que no ano passado venceu com Marvila.

Habitar entre paredes que ameaçam cair

Prédio de Alfama ainda acolhe duas famílias, mas a fachada está a desprender-se das paredes
"É hoje que a fachada cai. É hoje que cai...". Todos os dias, Maria Pereirinha é assaltada por este pensamento perturbador. Ela e o vizinho. Ambos ousam ainda morar no velho prédio de Alfama, em Lisboa. Mas não sem medo.
Quem passa pela Rua Terreiro do Trigo nem imagina a agonia que reina entre aquelas paredes. A cara lavada da fachada com tinta (já esbatida por uns quantos anos de exposição ao sol), para disfarçar os efeitos de um incêndio, escondem tectos caídos e soalhos apodrecidos pela entrada da chuva. Nas traseiras, mais resguardadas de olhares indiscretos, há buracos abertos nas paredes que dão para a rua, engalanados por ervas daninhas.
"Quando chove, parece que estamos na rua. Há ratos e bichos por todo o lado. Ninguém faz nada. Parece que se esqueceram de nós", queixa-se Maria Pereirinha, 64 anos, que habita aquele prédio com a filha, uma neta e um bisneto. Já só Maria tem coragem de pisar o varandim da frente. A fachada desprendeu-se há muito das paredes, abrindo uma fissura onde a moradora já consegue mergulhar o braço.
"Nós queixamo-nos e nada. Já pedi para fazerem obras. Até nem me importava que me aumentassem a renda", explica a mulher, criticando o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, por não resolver o problema. "Empurra a questão para a Câmara e a Câmara faz o mesmo. Todos dizem que não têm dinheiro", desabafa a moradora.
José Emídio, vizinho de Maria Pereirinha, que tem também a casa a cair aos pedaços, explora um café, no rés-do-chão do mesmo prédio, onde as mazelas saltam à vista. "Veio cá, a mando do senhorio, uma senhora que tirou fotografias aos buracos e humidades, mas nada se fez", avançou o homem de 57 anos, nascido entre aquelas paredes periclitantes.
O prédio, muito comprido, com mais de meia dúzia de números de polícia, comércio no rés-do-chão e muitas casas devolutas nos primeiros e segundos andares, está nas mãos do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) há três anos, que o recebeu da Mansão de Marvila, um lar de terceira idade e centro de acolhimento para jovens com problemas de inserção.
Nenhuma destas duas entidades procedeu a obras. "Há 30 anos, colocaram-me soalho de madeira no chão da cozinha", precisa Maria Pereirinha, que vai tapando os buracos e as infiltrações com tectos falsos improvisados, recorrendo a plásticos e madeiras.
Contactada pelo JN, fonte do IGFSS, disse apenas que o organismo está a par da situação do prédio e que "está a desenvolver esforços para que a obra seja feita no mais curto espaço de tempo possível", sem, contudo, avançar com datas.
Também a Unidade de Projecto de Alfama, gabinete técnico que coordena as intervenções no bairro, conhece o estado de agonia do imóvel, adiantando que o senhorio já foi intimado para proceder a obras de conservação.
"Um desperdício. Tantos casais que poderiam estar a habitar o prédio se fosse bem aproveitado", critica, por sua vez, Francisco Maia, presidente da Junta de Freguesia de S. Miguel. "A Câmara tem feito alguma intervenção, mas não pode, sozinha, resolver todos os problemas", argumenta, acrescentando que, nos últimos Censos, contavam-se quase duas centenas de prédios devolutos na sua freguesia.
In Jornal de Noticias por TELMA ROQUE

Marchas avançam mas também sentem a crise


Já começou a contagem decrescente para as Marchas Populares das Festas de Lisboa.
Em 23 bairros, os ensaios decorrem há várias semanas. Regressam as rivalidades. Este ano com queixas da crise, que afecta os apoios.
Desde o início de Maio que o povo se concentra, cinco noites por semana, no interior do Centro Cultural Magalhães Lima, em Alfama, para duas horas de ensaio. Tal como nos outros bairros, a tradição é encarada com seriedade. Nos dias 5, 6 e 7 de Junho está anunciada a apresentação das marchas populares a concurso no Pavilhão Atlântico. Na noite de Santo António, a 12, o auge da celebração enche a Avenida da Liberdade. E ninguém quer fazer figura triste.
"Todos os bairros levam isto muito a sério", diz, ao JN, Carlos Mendonça, figura de proa da Marcha de Alfama já lá vão duas décadas. À sua frente, no pavilhão, 25 rapazes e 25 raparigas - "a grande maioria tem entre 18 e 20 anos" - dançam e cantam com uma sincronia assinalável. Sem as vestimentas típicas das marchas, são rapazes como muitos outros, cheios de pinta, penteado "à Cristiano Ronaldo", um ou outro brinco na orelha. E não andam ali a brincar. "São marchantes muito responsáveis que nunca faltam aos ensaios. Há uma disciplina aplicada ao trabalho", elogia Carlos Mendonça.
A grande dificuldade em erguer uma Marcha Popular passa por outras razões. "Não falo só por mim, falo por todas as marchas: a nossa dificuldade é o dinheiro", assume o responsável de Alfama.
Em tempos de crise, os tempos não estão fáceis. "Sim, isto agora anda pior", afirma, por seu turno, Mário Monteiro, presidente da colectividade Esperança Atlético Clube e coordenador da Marcha da Madragoa. "Temos um subsídio da Câmara e da Junta", diz, "mas isso mal dá para fazer a marcha".
O JN soube que a Câmara Municipal de Lisboa tem vindo a atribuir nos últimos três anos um subsídio anual de 30 mil euros para cada uma das marchas. A partir daí, cabe a cada bairro gerir e angariar apoios nas Juntas ou patrocínios em empresas. Mas em altura de crise, as portas fecham-se cada vez mais. "Sentimos que há muita gente que não pode dar apoio este ano porque as coisas andam mal", corrobora Ana Marques, coordenadora da Marcha de Marvila. "Mesmo assim", prossegue, "sempre vão existindo algumas empresas que nos ajudam".
A rivalidade entre alguns bairros é histórica. "A rivalidade que há no futebol com o Benfica e o Sporting também existe nas marchas entre Alfama e Marvila", explica-nos Ana Marques. "Nós já fomos injustiçados por não sermos um bairro tão conhecido como Alfama", acusa. O responsável da Madragoa subscreve as críticas. Diz que "Lisboa não é só um bairro mas a imprensa vira-se toda para Alfama". Carlos Mendonça, responsável por 12 vitórias de Alfama em 20 anos.


In Jornal de Noticias por CRISTIANO PEREIRA

Nota do Blogger: Alfama é o bairro que mais ganhou, não por ser conhecido, pois se assim fosse, existia dinheiro para terminar as obras que se arrastam à décadas e para fazer tudo o que lhe falta. Alfama tem ganho pois é a melhor e a mais profissional.

Inicio das festas populares em Alfama dia 29 de Maio de 2009




Início das Festas Populares da Freguesia da Sé, sendo o início de um dos melhores arraiais Populares de Lisboa.

Com a organização da Junta de Freguesia da Sé e o apoio das Tunas é o início da animação no Campo das Cebolas.

Câmara gastou 3,7 milhões em realojamentos

Obras de reabilitação paradas por falta de verba há anos. Em Alfama e Castelo, serão retomadas este ano.
A Câmara de Lisboa já gastou, desde 2003, mais de 3,7 milhões de euros em realojamentos das famílias deslocadas dos prédios envolvidos na empreitada de reabilitação lançada por Santana Lopes, mas nunca terminada.
Só com Alfama, onde se contam dezenas de famílias deslocadas, a Autarquia gasta, por mês, mais de 52 mil euros, revelou, ontem, o presidente António Costa, durante uma visita ao bairro, onde está concentrada a maioria dos prédios que a EPUL (Empresa Municipal de Urbanização de Lisboa) se propunha reabilitar.
Um dos imóveis cuja obra ficou em "banho-maria", no Largo do Chafariz de Dentro, acabou por entrar em colapso com o passar dos anos e outros, caso de um prédio no Largo de S. Rafael, estão em risco de cair.
A visita de António Costa a Alfama e à freguesia vizinha do Castelo serviu não só para mostrar obras paradas como para apresentar as linhas mestras do Programa Prioritário em Acções de Reabilitação Urbana, que será executado com a ajuda de um empréstimo ao Banco Europeu de Investimento, no valor de 120 milhões de euros, mas que aguarda ainda o voto da Assembleia Municipal, onde o PSD tem maioria. "Se não viabilizarem, é porque não querem acabar com estes cancros que estão a minar a cidade", disse Costa num recado directo à Oposição laranja. "É urgente viabilizar o programa, para que as obras tenham um princípio, meio e fim. As obras não podem ser um momento de propaganda", sublinhou, num "atirar de farpas" a Santana Lopes.
"Queremos agarrar as obras que foram lançadas em 2003 sem condições de financiamento e projectos, para que as pessoas possam voltar às suas casas, para que desapareçam os andaimes", frisou o autarca, acrescentando que, ao mesmo tempo, a Câmara "libertava-se de um encargo muito pesado de suportar" (as rendas dos realojados) e acabava com a degradação do bairro.
Segundo António Costa, dos 50 edifícios que a EPUL se propunha reabilitar, apenas cinco foram concluídos. "As sociedades de reabilitação urbana gastaram 14 milhões até final de 2008 e recuperaram um imóvel", reforçou, por sua vez, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, frisando que, graças a pequenas obras, 40 famílias vieram morar para Alfama.
A Câmara conta, ainda este ano, retomar nove empreitadas em Alfama e cinco no Castelo e tem outras três já em curso noutras zonas da cidade. Só em Alfama, ao abrigo do Programa Prioritário de Reabilitação Urbana, serão recuperados 40 edifícios, num total de 117 fogos, com um custo de 12 milhões de euros.
O Programa deverá ser desenvolvido ao longo de quatro anos, distribuído por 345 empreitadas, para recuperar 293 fogos em áreas histórias (beneficiando 880 pessoas), cinco bairros de Marvila (envolvendo 26 mil pessoas nos Lóios, Amendoeiras, Flamenga, Armador e Condado), 58 escolas, 38 espaços públicos e 39 edifícios de serviços. "Estas obras vão animar a economia e criar três mil postos directos de trabalho", rematou António Costa.

por TELMA ROQUE in Jornal de Noticias



Nota do Blogger:


Sobre esta noticia tenho varias considerações:


- 3,7 milhões dava para ter concluído as obras em Alfama. No entanto muitos prédios continuam a aguardar o começo das mesmas.


- O afastamento da população de Alfama provoca a criação de raízes noutros bairros. Não podemos esquecer que esta população fica afastada durante vários anos. Não querendo depois voltar para o bairro.


- Em época de eleições, sendo este o ano de todas elas, excepto as presidenciais, temos mais uma promessa que é agora que vão continuar.


- Por ultimo, nos prédios que aguardam começo das obras temos dois tecelões que informam os cidadãos do seguinte:


Obra aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa e aguarda aprovação pela assembleia municipal. Pensando bem e no fundo, a Câmara está a fazer campanha com o dinheiro dos contribuintes informando que o PSD está a parar o PS. Maus amigos deixem-se de politiquice e façam o V. trabalho. A vossa sorte é que o povo anda tão preocupado com a economia familiar que não tem tempo para as V. brincadeiras, nem para perceber o dinheiro deitado á rua. No fundo e se fizermos bem as contas não são 3,7 milhões mas mais perto dos 5 milhões que se gastaram em Alfama sem que conseguíssemos perceber a onde.


Festas de Lisboa 2009

Festas de Lisboa em Alfama

As festas de Lisboa também passam por alfama:
Para alem do arraial de 1 a 30 de Junho, em todo o bairro, mais concretamente:
No Largo de S. Miguel, Escadinhas de S. Miguel, Largo de S. Rafael, Rua da Adiça e Becos adjacentes
temos igualmente
FESTA DO FADO
Castelo de S. Jorge concertos 5, 6, 13, 19, 20, 26 e 27 de Junho 22h00
Museu do Fado concertos 11, 18 e 25 de Junho 19h00
Museu do Fado exposição temporária AS MÃOS QUE TRAGO a partir de 5 Junho
A Festa do Fado tem-se afirmado como um dos mais representativos projectos do Programa das Festas de Lisboa, criando raízes e uma regularidade que tem possibilitado uma adesão crescente de público nacional e estrangeiro.
À semelhança das edições anteriores, a Festa do Fado lança novos desafios aos vários artistas participantes para a criação de espectáculos que estabeleçam uma parceria entre o Fado e outros
géneros musicais.
Em 2009, a 6ª edição da Festa do Fado, além dos concertos habituais apresentados na Praça de Armas do Castelo de S. Jorge, estende o seu programa ao Museu do Fado com a apresentação de três concertos musicais onde a guitarra portuguesa é a anfitriã de outras sonoridades.
No arranque da Festa, o Museu do Fado inaugura uma exposição temporária evocativa do vastíssimo legado de Alain Oulman no universo do Fado nomeadamente através da influência decisiva que suscitou no percurso artístico de Amália Rodrigues, consubstanciando, a partir da década de 60, a fusão da poesia erudita com a canção urbana de Lisboa.
Trazer o fado a um outro público, menos habitual a estas lides, mas também rasgar horizontes ao público tradicional do fado, apresentando projectos alternativos e emergentes do universo musical fadista, são os objectivos da Festa do Fado.
Projecto desenvolvido em parceria com a H.M. Musica

MUSEU DO FADO
Entrada: bilhete normal de acesso ao museu 3€ bilhetes à venda na bilheteira do Museu do Fado
m/ 3 anos
AS MÃOS QUE TRAGO exposição temporária homenagem a Alain Oulman 4 Junho Inauguração
PÔR-DO-FADO concertos instrumentais de final de tarde, onde a guitarra portuguesa é a anfitriã de outras sonoridades 11, 18 e 25 Junho 19h00
11 Junho Ricardo Parreira (Guitarra Portuguesa) & António Teles (Quiné) (Percussão)
18 Junho Luís Guerreiro (Guitarra Portuguesa) & Pedro Jóia (Guitarra Clássica)
25 Junho Paulo Soares (Guitarra Portuguesa) & Carlos Alberto Augusto (Vibrafone)



VISITAS CANTADAS
Museu do Fado
Até 30 Junho, sábados e domingos 16h30
Marcação prévia Entrada: bilhete de acesso ao museu 3€ bilhetes à venda na bilheteira do Museu do Fado
m/ 3 anos
Visitas animadas ao circuito museológico com a actuação de um intérprete de fado, aos sábados e
domingos de Maio e Junho, pelas 16h30, mediante marcação prévia.



ESPONTÂNEOS DO FADO
Museu do Fado, dias 18 Maio e 15 Junho
m/ 3 anos
No âmbito das comemorações do Dia Internacional de Museus, a 18 de Maio, o Museu do Fado inaugura o ciclo Espontâneos do Fado. Coordenado por João Gil, este projecto, de periodicidade mensal, constituirá um desafio a diversas personalidades, oriundas das mais distintas áreas para que, em ambiente de tertúlia, por uma noite, interpretem os fados da sua eleição.
18 Maio Dia Internacional dos Museus Café do Museu do Fado 22h00
LUÍS REPRESAS
15 Junho Café do Museu do Fado 22h00
SANDRA BARATA BELO

Nota de imprensa do Blog Cidadania LX sobre o terminal de contentores

Caro(a) Amigo(a)
Congratulamo-nos com a aparente vontade de quem de direito em recuar, mas confessamos a nossa estupefacção pela manchete: "Acabou a guerra dos contentores. Lisboa vai ter um jardim". Isto porque uma coisa é o Projecto Nova Alcântara e outra é o Projecto de Ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara, embora este esteja compreendido naquele.

Ora em nenhum momento as notícias fazem referência clara ao que de facto mudou ou vai mudar no tal projecto, que são dois em um; ou quando foi, ou será, isso decidido, e por quem. Apenas se faz menção ao tal "jardim", que aliás já se tornou um expediente de circunstância sempre que se quer ser "amigo" das populações.

O Nova Alcântara, recordamos, contém uma série de incongruências básicas e algumas omissões sérias (a quase impossibilidade, técnica e financeira, do desvio da linha de Cascais, a questão do leito de cheias, a impossibilidade de facto em se levar por diante o tal projecto das bacias de retenção uma vez que já se construiu no local!, etc., etc.) e continua a parecer-nos ser apenas o "embrulho" necessário ao negócio da ampliação do terminal de contentores e à urgência em levá-lo por diante.

Quanto aos contentores, reafirmamos a nossa posição ab-initio:

Nunca devia ter sido permitida a anterior renovação da exploração em Alcântara. Não deve ser permitida mais nenhuma ampliação nem renovação para o local, e antes, isso sim, aproveitando o hiato do prazo de exploração que ainda decorria, Governo e CML procurarem alternativas técnicas a que, a longo prazo, se permitisse libertar não só Alcântara, mas toda a sua frente histórica, dos mesmos, definitivamente, até porque não faltam bons exemplos lá de fora.

Já em relação à questão dos terminais de cruzeiros, ela é antiga e continua a ser tratada como se fosse uma questão menor. Recordamos ainda o seguinte:

As gares marítimas de Alcântara e da Rocha de Conde d'Óbidos são os locais ideais para ali atracarem os navios de cruzeiros. Por isso foram aí construídas e não noutro local. Os edifícios podem, de facto, ser exíguos e não permitir as condições de conforto e serviço aduaneiro necessárias aos tempos modernos, mas a APL dispõe de muito espaço junto às gares, hoje ocupado por ... contentores, para as necessárias intervenções, pugnado, claro está, pelo respeito à arquitectura e memória do local.

Alfama pode ter um cais secundário mas nunca o que a APL lhe quer fazer: construir um mega-terminal, compreendendo um centro comercial e um hotel, instalações da própria APL, mais um muro de 600m de comprido por 8m de alto, no que seria mais uma séria barreira entre a cidade, os cidadãos, e o rio. Para além disso, o projecto dado a conhecer ao público há cerca de 2 anos, contemplava ainda umas estruturas em passadiço, absurdas e gritantemente agressivas sobre a antiga Alfândega.

Acresce que, paralelamente e a seu bel-prazer, a APL tem quase pronto o alargamento do Cais do Jardim do Tabaco, que consiste em mais uma mega-placa de betão defronte ao rio!!

Pela nossa parte, esta é uma "guerra" que não acabou.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Luís Marques da Silva, João Chambers, António Branco Almeida, Jorge Santos Silva, Virgílio Marques, Artur Lourenço, Diogo Moura, José Arnaud, Alexandre Marques da Cruz e Pedro Gomes

Associação de Alfama contra "estaleiro de obras" instalado naquele bairro histórico

Contra o estaleiro de obras paradas, a Associação do Património e da População de Alfama quer que a Câmara de Lisboa faça alguma coisa para resolver as situações de abandono de obras, que prejudicam a qualidade de vida e de circulação da população local. Segundo afirmam, este bairro histórico transformou-se num estaleiro de obras, muitas privadas, mas também há obras de reabilitação urbana, promovidas pela Câmara. Quando e como volta o maior descanso a Alfama é o tema em debate, com a jornalista Teresa Quintela.
2009-04-30

Oiça aqui.

Inacreditavelmente o Presidente da Junta de São Miguel disse que a situação não é assim tão má.
Por outro lado, coloca palavras nas bocas de pessoas que nunca as disseram e tem medo de falar à frente de um vereador só porque é da mesma cor politica. Alfama, bem como o pais, precisa de alguem que diga a verdade e não tenha medo de enfrentar por interesses do bairro e do pais.

A População de Alfama recusa-se a aceitar o abandono a que foi deixado o seu Bairro e Património


A APPA - Associação do Património e da População de Alfama decidiu avançar com um abaixo assinado junto da população de Alfama, e de todos quanto os se preocupam e gostam deste Bairro com vista a pressionar a Câmara de Municipal de Lisboa a avançar com as devidas diligências para resolver as situações de abandono com obras paradas que privam a população de Alfama das condições minimas de habitabilitade e tornam este bairro histórico da capital portuguesa um estaleiro de obra que põe em risco população e visitantes e deixa junto destes últimos uma péssima imagem do nosso pais.
Os interessados poderão ler mais informação no site da APPA, ou assinar o abaixo assinado em diversos locais da freguesia assim como online em : http://www.petitiononline.com/alfama

"Bairro islâmico" no Castelo abre em Junho

O "bairro islâmico" situado no Castelo de S. Jorge, em Lisboa, descoberto durante a construção de um parque de estacionamento (entretanto suspenso), abre ao público no final de Junho, após obras de musealização.
As escavações começaram em 1996, mas só agora o núcleo residencial do período islâmico, datado dos séculos XI-XII - e que integra ainda os vestígios habitacionais da Idade do Ferro e do Palácio dos Condes de Santiago - vai poder ser visitado.
A data foi ontem anunciada a embaixadores dos países islâmicos por António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, durante uma visita ao sítio arqueológico e ao Núcleo Museológico Islâmico do Castelo de S. Jorge, inaugurado em Dezembro do ano passado e onde está exposto muito do espólio encontrado durante as escavações, desde moedas, cerâmicas, cachimbos e até uma sepultura.
A musealização do sítio arqueológico passa por murar o bairro islâmico e "recriar", em forma de maqueta em tamanho real, paredes e telhados das casas nobres, por forma a dar uma ideia da atmosfera da época, protegendo ao mesmo tempo, os frescos ainda existentes em duas casas, revelou Carrilho da Graça, arquitecto responsável pelo projecto.
A musealização da área arqueológica e a instalação do Núcleo Museológico do Castelo de S. Jorge inscrevem-se no âmbito das acções de requalificação e valorização do Castelo de S. Jorge, enquanto monumento nacional, potenciadoras do desenvolvimento de actividades educativas, científicas e económicas. O investimento total previsto é de 2,2 milhões de euros, avançou a Câmara de Lisboa, acrescentando que, em cerca de três meses, mais de 35 mil pessoas visitaram o Núcleo Museológico.
O sítio arqueológico, que além de vestígios da presença árabe, revela também outras ocupações, como a fenícia e a romana, "mostra como Lisboa tem sido o local de cruzamento de gentes e de povos", sublinhou António Costa.
O presidente da Câmara de Lisboa aproveitou a ocasião para sublinhar que pretende "valorizar Lisboa como a cidade da tolerância". Costa lembrou, a propósito, que já disponibilizou um espaço, em Alfama, para a Comunidade Judaica instalar aí um museu e que estabeleceu uma parceria com a Africa.com para que possa ser criado, na cidade, um centro de arte contemporânea.

In Jornal de Noticias por TELMA ROQUE

Amar Alfama no Destak

O Blog Amar Alfama apareceu em noticia no Destak na Pagina nº 4, no dia 13 de Abril de 2009
Esta era a noticia:

BLOGUEMANIA ALFACINHA
por JOÃO CORTESÃO


Amar Alfama

COMO SURGIU ESTE BLOGUE?
O blogue surgiu com a necessidade de mostrar o que existe de bom e de mau num dos bairros mais antigos da cidade de Lisboa. Existe, igualmente, pela necessidade de defender o bairro que esteve várias vezes ao longo da sua existência em vias de extinção.

QUAL É A OBRA MAIS URGENTE PARA A ZONA DE ALFAMA?
A maior urgência para todo o bairro de Alfama são as obras de conservação e remodelação que duram há mais de vinte anos e que não terminam.(...) Posteriormente devia existir uma campanha para que jovens casais e pessoas sozinhas, igualmente jovens, queiram viver no bairro. Amar Alfama dedica-se a um dos bairros mais carismáticos de Lisboa. Concertos, espaços verdes, segurança, exposicoes, vídeos, comercio, politicas autarquias e ate anúncios de apartamentos fazem parte deste blogue da autoria de Helder Gomes. O autor conta mesmo que, desde que temo blogue, recebe e-mails de pessoas com vontade de conhecer o bairro.

«Inacreditavelmente continuam a acontecer coisa em Alfama que não deveriam existir. Mesmo quando se tem a certeza que tal não foi efectuado por pessoas do bairro.»

Hélder Gomes da Silva

120 Milhões para reabilitação Urbana - 12 dos quais para Alfama e Castelo


De acordo com o plano de acções prioritárias definido pela autarquia, a que a Lusa teve acesso, as obras de reabilitação para arrendamento abrangem mais de 580 edifícios habitacionais, num total de 4.340 fogos.

Os 120 milhões serão usados até 2012 e deverão igualmente ser aplicados na recuperação de 16 equipamentos culturais (12,2, milhões), entre os quais o cinema S. Jorge, onde ainda este ano a autarquia investirá 1,8 milhões de euros.

O núcleo museológico do Castelo de S. Jorge, onde serão aplicados este ano 2,2 milhões de euros, o Palácio Ulrich (Casa Veva de Lima), com um investimento global superior a 1,6 milhões, e a hemeroteca/antigo edifício Record (1,1 milhões no total) são alguns dos equipamentos a reabilitar.

A câmara pretende investir mais de 30 milhões em reabilitação urbana, 6,4 para intervenções da Unidade de projecto Baixa-Chiado, mais de 2,9 no Bairro Alto, dos quais 1,1 na recuperação do elevador da Bica.

Mais de 12 milhões de euros serão aplicados nos bairros de Alfama e Castelo, a maior parte para recuperar edifícios habitacionais para arrendamento.

Para a Mouraria vão mais de 5,8 milhões, a maior parte para recuperar casas para arrendar, e para a Madragoa 142 mil euros, igualmente para reabilitar diversas casas que serão depois arrendadas.

Ainda na área do arrendamento a autarquia pretende gastar mais de 3,3 milhões de euros na recuperação de prédios devolutos.

Em Marvila, a Câmara de Lisboa vai gastar mais de 16 milhões de euros a recuperar fogos para alugar e fachadas e coberturas de prédios e a reabilitar edifícios para serviços e instituições públicas e espaços comuns, infra-estruturas e arranjos exteriores.

Para a reabilitação do equipamento escolar vão mais de 29 milhões de euros, mais de 13 milhões a aplicar já este ano, 9,1 em 2010 e os restantes 6,9 serão usados durante o ano de 2011.

De acordo com a proposta que o vereador das finanças, Cardoso da Silva, leva quarta-feira á reunião de câmara, 58,9 milhões de euros serão pedidos ao Banco Europeu de Investimento (BEI) via Instituto de Habitação e Reabilitação urbana (IHRU), 30 milhões ao Banco Português de Investimento (BPI), 30 milhões à Caixa Geral de Depósitos (CGD) e 15,55 milhões ao Deixa Sabadell.


In Lusa

Venda de um T2 na zona da Sé - Alfama


A Marta Martins está a vender a casa, situada junto à Sé de Lisboa. É um apartamento T2, no 3º andar (sem elevador) de um lindo prédio de traça pombalina, totalmente reabilitado em 2001. O prédio tem 4 pisos, 1 morador por piso.
O apartamento tem cerca de 80 m2 e possui magníficas varandas a toda a volta, recebendo luz todo o dia. Está orientado a Sul / Poente.
O chão é soalho restaurado, as janelas são de PVC, mantendo a traça original. Pé-direito alto.
A cozinha é ampla e luminosa e fica semi-equipada. Casa-de-banho com janela.
Instalações eléctricas, de gás e canalizações totalmente renovadas.

A situação é privilegiada, numa rua sossegada entre a Baixa e Alfama. Fica a 5 minutos do Metro do Terreiro do Paço.

Preço: 210 000 €

Contactos: Marta Martins 962 395 799 E-mail:martimarta@gmail.com



Programação Santiago Alquimista


Doismileoito, If Lucy Fell, Feromona, Samuel Úria e Farra Fanfarra são alguns dos nomes que vão passar pelo Festival Novos Fados no Santiago Alquimista, em Lisboa.


O evento dedicado à nova música portuguesa vai decorrer de 9 a 11 de Abril no espaço de Alfama, com um total de 15 bandas e um DJ por noite.

Aqui fica a programação por dias e por salas:
9 de Abril:

Sala 1
doismileoito
Feromona
Oioai

Sala 2
Samuel Úria
João e a Sombra

10 de Abril:

Sala 1
If Lucy Fell
Murdering Tripping Blues
Gnu

Sala 2
Press Play
Tsunamiz

11 de Abril:

Sala 1
Farra Fanfarra
Anonima Nuvolari
The Ratazanas

Sala 2
Atma
Anaidcram

Alfama por Amalia Rodrigues

Poema de José Carlos Ary dos Santos

Cidadãos mais seguros em Alfama

Aparentemente o facto de exitir o Programa Integrado de Policiamento de Proximidade parece estar a dar uma ideia de maior segurança e conforto para os habitantes e turistas.
Veja aqui esta reportagem onde poderá ver alguns habitantes.

Maratona Digital de Alfama

Falta de clientes preocupa comerciantes de Alfama

Fundação Ricardo Espírito Santo: Restaurar e conservar a História com "saber fazer"

"Restaurar e preservar é palavra de ordem para mestres e aprendizes que há cinquenta anos asseguram diariamente a arte de 'saber fazer' nas oficinas de Arte e Ofícios da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, tornando-se o seu "património imaterial".
Em 1953 o banqueiro e coleccionador Ricardo Espírito Santo doou o Palácio Azurara e parte da sua colecção privada ao Estado Português. Este foi o princípio da fundação com o seu nome, criada como Museu-Escola com as finalidades de proteger as Artes Decorativas Portuguesas e os ofícios tradicionais com elas relacionadas.
Cinquenta e seis anos depois, a Fundação Ricardo Espírito Santo (FRESS) encontra-se no Palácio da Azurara, Alfama, e dispõe de 18 oficinas ligadas a ofícios tradicionais, relacionadas com a arte de trabalhar a criação e recuperação de objectos de madeira, metais, têxteis, papéis e peles, vindos de outras épocas em que não eram utilizados materiais como a cola ou os pregos de hoje em dia.
"Todo o trabalho é feito com muito rigor e muita mestria como se fosse feito há 200 anos. É esse 'saber fazer' que é a ideia inicial desta casa: criar um Museu de Artes Decorativas que funciona como Museu-Escola", disse à agência Lusa a directora do Museu de Artes Decorativas Portuguesas, Conceição Amaral.
Foi com este rigor e mestria que se restaurou recentemente o acervo e pintura do Hotel Palácio Seteais, em Sintra, numa obra que envolveu 13 oficinas de artes e ofícios e 40 trabalhadores na recuperação de duas mil peças, na sua maioria datadas do século XVIII, incluindo mobiliário, tapeçarias, luminárias, pinturas murais, gravuras e porcelanas.
A trabalhar na oficina da Talha há quase uma década, José Durão já perdeu a conta ao número de peças que tem restaurado e criado e garantiu à Lusa que, para se trabalhar nesta área, tem de se ter "paixão pela profissão".
"Trabalho na Fundação há oito anos, tirei o curso cá e continuei, como bastantes outras pessoas que vão ficando e fazendo a ponte entre os mais antigos que vão saindo por razões de reforma. Nós ficamos para dar continuidade e para ensinar os próximos de forma a que estas artes não se percam", disse.
Actualmente, José Durão encontra-se a recuperar uma estatueta de Jesus Cristo à qual o tempo se encarregou de retirar um dos dedos, e que, após intervenção na oficina da Talha, seguirá para a Pintura, de forma a concluir o restauro.
A Mestre e chefe da oficina da Encadernação e Decoração de Livros, Graça Jordão, orgulhosa da colecção de mais de dois mil ferros (utilizados para decorar os livros, alguns deles datados do século XVI), trabalha no seio desta "família" há 43 anos e após ter passado por diversas oficinas da Fundação especializou-se na recuperação de livros.
"Com os mestres que passaram pela fundação adquirimos um saber diferente que me valeu para estar agora aqui", disse a Mestre, que dá formação e pequenos cursos a "gente mais nova", de forma a garantir a continuidade deste ofício que já lhe "colocou" nas mãos "algumas pequenas relíquias", como um exemplar dos Lusíadas do século XVI.
Segundo o presidente da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, Luís Calado, as oficinas "são uma componente importante para o projecto global da Fundação, que tem três grandes núcleos".
São eles "o Museu de Artes Decorativas Portuguesas, que foi por aí que nasceu a Fundação, e duas escolas que ensinam as artes tradicionais e é daí que saem os futuros mestres oficinais".
"As oficinais são uma componente importantíssima quer do suporte às escolas quer na política de implementação de conservação e restauro que esta casa tem", sublinhou, adiantando que a Fundação é uma "instituição do Estado inserida da orgânica do Ministério da Cultura".
Segundo o responsável, "há aqui 'saber fazer' do ponto de vista da intervenção da conservação e restauro e conhecimento técnico da ciência da conservação e restauro".
"A Fundação tem competência, capacidade e organização capazes de liderar a conservação e restauro do país, quer no mercado quer em termos da formação profissional", afirmou ainda."


In Agencia Lusa

50 anos da morte de António Botto

No dia em que se completa 50 anos sobre a morte de António Botto (16 de Março de 1959), o escritor Eduardo Pitta profere uma palestra intitulada “Toda a verdade será castigada” na Casa Fernando Pessoa. Botto, ainda menino, vem viver para Lisboa, para o bairro de Alfama, onde cresceu. Tendo publicado um livro em 1933 intitulado Alfama
António Botto gozou sempre de uma certa protecção de Pessoa que prefaciou obras suas e através da sua autoridade caucionou a obra de Botto, não que sua poesia precisasse, mas Botto enquanto Pessoa viveu esteve protegido de um já característica maledicência lusitana. Homossexual assumido, filho de um fragateiro, sem grandes habilitações académicas, Botto estava naturalmente “desprotegido” e era um alvo fácil de alguma chacota, ebm contrário do seu companheiro de borgas, Raul Leal, sempre salvo pela família burguesa a que pertencia.Eduardo Pitta autor de contos e romances de teor homossexual dirige desde o ano passado a reedição das obras completas de Botto através da nortenha Quási Editores. “Canções e outros poemas” e “Fátima” foram os dois títulos editados e este ano será publicado “Cartas que me serão devolvidas”. Pitta defende que Botto continua hoje a ter o interesse do público, até porque tem uma poesia muito musical. O escritor frisou à imprensa, a quando do lançamento dos dois primeiros títulos do poeta que "em Botto, o amor tem género, é masculino, sem medos e afirmativo. Tendo antecipado de forma estridente a evidência da experiência".
António Botto morreu no Rio de Janeiro, para onde se auto-exilara em 1947, depois de ter sido expulso da função pública, vítima de um atropelamento por uma viatura oficial. Natural de Casal da Concavada (Abrantes) Botto era filho de um homem que trabalhava nas fragatas do Tejo. Ajudante de livraria durante a juventude, entrou na função pública como escriturário de segunda no Governo Civil de Lisboa, publicou pela primeira vez aos 22 anos, "Flor do mal". A primeira edição de "Canções" foi mandada apreender em 1922 e gerou até manifestações dos estudantes das escolas superiores de Lisboa contra a obra. Entre esses estudantes, encontrava-se Marcelo Caetano que num artigo se congratulou com o facto de “aquela papelada imunda, que empestava a cidade” /sic/ ter sido cremada no Governo Civil, onde aliás Botto era escriturário. A estas fortes oposições, além de Pessoa, Botto contava com admiração de Adolfo Casais Monteiro, José Régio e João Gaspar Simões. Todavia e, apesar da apropriação que o fado fez da sua poesia, quando os seus restos mortais vêm para Portugal, em 1965, oito anos após a sua morte, no cemitério do Alto S. João, em Lisboa, estavam apenas no Alto de São João, José Régio, Ferreira de Castro, Natália Correia, David Mourão-Ferreira e os artistas plásticos Luís Amaro e Dórdio Guimarães.
Hoje Botto será ainda um poeta maldito? Ou aquele que teve a coragem de ser e escrever nas primeiras décadas do século XX, o que muitos poetas hoje sendo iguais na condição e na opção preferem a comodidade do meio-termo e uma certa cumplicidade do “talvez”.

No Tejo

Depois da faina, o navio -
Já lá vai pelo mar fora!
A faina foi dura e a carga
Foi tanta que o alcatrate
Quase que ficou rez-vez;
Tinham que olhar com cuidado
Aonde se punha os pés!

Mas tudo se fez e em bem!

O peor foi a noite perdida
Sempre a mexer e a trabalhar
Para o navio largar
Ao romper da madrugada!
Noite fria de Novembro
Em que as estrelas tristes lá no céu
Pareciam distantes e perdidas
De tudo a que elas dão amparo e guia!

Parecia que a noite era infinita
Que não deixava
Nascer o dia!
Ninguém dormiu. O camarada,
O arrais, o moço - e ao porão,
Uma contra-mestre aloirado,
Tipo nórdico a fumar,
Continuamente, cachimbo,
Ia dizendo a uns dois
Que arrumassem com cuidado
A carga que ia descendo...
O barulho dos guindastes
Raspava na pele impulsos
Que davam tosse e mau-estar
E como de um gigante que dormisse
Ouvia-se a respiração do mar!

Mas com a luz do Sol, oiro e alegria!
Passam, agora, lentos e lavados
- Só a vela de estaia vai erguida!
Os barcos com os mastros levantados
A caminho das docas onde ficam
À espera de outras sáfaras iguais!

Uma mulher dá de mamar ao filho
Ali sentada a um canto sobre o cais!

Ainda há muitos furtos de azulejos em Lisboa

Há um ano foi criado o projecto SOS Azulejo para actuar na prevenção do roubo deste património e sensibilizar os lisboetas para a sua importância. O Destak falou com João Oliveira, coordenador de investigação criminal da PJ, especializado em furto de bens culturais, sobre o roubo destes objectos.


Como é que o projecto SOS Azulejo ajuda a PJ?
A investigação da PJ é parte interessada nesse projecto. Porque desde logo dá uma visibilidade muito maior a toda esta questão dos azulejos, sensibiliza as pessoas, fá-las tomar consciência da importância e do valor histórico-cultural que os azulejos têm no panorama nacional. Se as pessoas estão mais consciencializadas, quando se deparam com uma situação de incúria, de dano ou mesmo de furto, logicamente têm mais condições para tomarem a iniciativa de procurarem as autoridades e participarem a situação. Mais importante do que o êxito da investigação é a salvaguarda do património cultural que é de todos nós.
Como define o panorama de Lisboa, quanto ao roubo de azulejos? Há muitos a serem roubados?
Por poucos que hajam nós achamos que são sempre muitos. Mas objectivamente (e infelizmente) ainda há muitos problemas relacionados com furtos de azulejos. Nós queremos acreditar que já se atingiu o topo e agora está a diminuir.


Quando foi essa época?
2003, 2004…


Por algum motivo em especial?
Ao nível da prevenção não estavam criadas as condições que existem hoje, desde logo. Depois, temos que perceber que saímos de uma época como a década de 90 que foi uma época de prosperidade, em que os bens ditos culturais tiveram grande procura. Portanto, os azulejos que num primeiro momento não eram um dos bens mais procurados, começaram a ter procura. E como já foi uma procura mais tardia que os outros tipos de objectos, logicamente o fenómeno fez-se sentir com mais acuidade no início desta década. Foram situações em que se detectaram grandes furtos, muita quantidade de azulejos foram furtados.


De onde são retirados os azulejos?
São retirados de prédios, quer públicos, quer privados, principalmente palacetes, casas apalaçadas. Tanto do exterior como do interior. Estamos a falar muitas vezes de imóveis que estão abandonados – um problema muito grave também é a incúria, que depois traz associado o fenómeno do furto.


Existe um perfil de quem rouba azulejos?
Aqui na cidade de Lisboa – que é o local do País onde este problema se faz mais sentir – já há uma percepção do valor dos azulejos. Aliás, essa percepção deu também contributos para o aumento do fenómeno dos furtos de azulejos. Ao mesmo tempo existe uma disponibilidade enormíssima e ainda, para completar o ciclo, uma grande procura.
Em relação aos perfis, há dois segmentos. O da pequena criminalidade, do indivíduo que não é especializado em bens culturais, muito menos nos azulejos. Normalmente são cidadãos com problemas de toxicodependência, que vêm no furto de alguns azulejos – quando falo de alguns são mesmo poucas peças – uma forma de ganhar dinheiro para a dose diária que vão consumir.
Depois temos o domínio que já entra na criminalidade organizada, em que se percebe claramente que há um trabalho de preparação e execução com uma elaboração técnica que pressupõe que se saiba exactamente o que se está a fazer. Imagine um quadro de azulejos com uma dimensão considerável, como é que se vai retirar aquilo de uma parede sem danificar? Há técnicas e utensílios próprios para fazerem aquele trabalho com garantia de não danificação elevada.


Posso comprar azulejos roubados numa loja?
Clara e objectivamente pode. Alguns comerciantes compram azulejos que têm perfeita noção que têm proveniência ilícita. Mas há também as situações em que os comerciantes têm em exposição azulejos que eles próprios desconheciam em absoluto que eram roubados. Quando isso se verifica os comerciantes ficam isentos de responsabilidade. Mas isto tem que ser dito: há maior garantia, da parte do cidadão que vai comprar o azulejo, fazê-lo numa loja especializada na área do que se o fizer numa feira.


Como é que se pode fazer uma denúncia?
Não são necessárias denúncias formais, basta um telefonema. Pode até ser por email, por carta ou podem vir aqui à PJ. Posso assegurar-lhe que todas as situações que nos são reportadas, seja por que forma for, mais formal ou mais informal, são objecto de uma averiguação nossa.
Que zonas da cidade são mais alvo destes roubos?
Toda a zona da Baixa, pela riqueza de azulejos que aí existem. Alfama, Bairro Alto, toda aquela zona é de onde temos reporte de maior número de situações. Mas é por toda a cidade.


Qual é o valor monetário destes azulejos?
Varia muito. Em Lisboa existe o maior comércio de azulejos do mundo e se for a uma loja especializada ficará com certeza estupefacta com os valores. Pode ver conjuntinhos de quatro azulejos na ordem de mais de mil euros. Tudo isto em função de um conjunto de características que os azulejos devem ter: a época, um azulejos do século XVII é muito mais caro que um do século XVIII, temos que ver a azulejaria antes do terramoto e depois do terramoto, se se trata de um azulejo padrão ou de painéis, se é de autor, são muitas as variáveis que ditam o valor a pagar.


O que fazem com os azulejos que são recuperados?
Se for detectada a sua origem são devolvidos aos proprietários. Mas por vezes apreendemos azulejos mas não conseguimos estabelecer uma ligação com o local de onde foram furtados. Esses azulejos revertem a favor do Estado e uma parte deles são encaminhados para o nosso museu.


In Destak

Inês Santinhos Gonçalves igoncalves@destak.pt

EDP vai distribuir mais de 40 mil lâmpadas


A EDP vai distribuir nos dias 16 a 23 de Março 40 mil lâmpadas pelos bairros históricos de Lisboa.

Esta acção tem como objectivo promover a eficiência energética e permitir que as famílias portuguesas possam poupar electricidade.
«Esta medida permite que as famílias poupem cerca de 18 milhões de euros e evita a emissão de 60 mil toneladas de CO2 para a atmosfera», adianta a EDP em comunicado. Esta iniciativa vai permitir uma redução de 161.160 Mega Watts no consumo energético nacional.
«A acção é simples e o objectivo é claro: trocar lâmpadas incandescentes (tradicionais) por lâmpadas fluorescentes compactas (economizadoras), que irão contribuir em grande escala para a redução do consumo de energia eléctrica destinado à iluminação nestas habitações, promovendo a eficiência energética junto das populações», explica a eléctrica.

Brasileiro vence disputa de melhor linha, em Skate, em Portugal

Campeonato de Linha, em Alfama (Portugal), foi realizado, neste último sábado, dia 17/01, com total apoio da Skate House Skate Shop da Praça da Figueira, uma das mais antigas de Portugal. O evento contou com um ótimo publico, com turistas de todos os lugares do mundo, fotografando e empolgando, além, é claro, da galera portuguesa acompanhando os locais e os brazucas presentes, os quais arrancaram muitos aplausos com as manobras realizadas. O modelo do evento foi diferenciado dos habituais no Brasil, consistia em realizar uma linha utilizando os bancos do local num tempo de 2 minutos, sagrando-se campeão aquele que fizesse a linha com o maior número de acertos e grau de dificuldade.A competição contou com aproximadamente 20 skatistas, para a categoria open, e um excelente nível de manobras. O brasileiro Thaynan Costa, que há pouco tempo morar na Europa, venceu o Campeonato com a melhor linha, acertando um perfeito "Switch tail slide out 270", entre outras.E na final também teve a presença de outro brasileiro, Adalto Storch que também abusou do Switch, terminando na 5º colocação, ficando os portugueses na 2º, 3º e 4º colocações.

Confira a classificação final:
1º Thaynan Costa - Connexion Wheels (BRA)
2º Eduardo Silva
3º Hugo Veloso
4º Jorge Souza
5º Adalto Storch – (BRA)

Recolha selectiva de Lixo em Alfama

Arrancou no dia 10.10.2008 o sistema de recolha selectiva porta-a-porta em Alfama, Lisboa, abrangendo um total de cerca de 5 000 fogos e 500 entidades. De acordo com informação da Câmara Municipal de Lisboa serão distribuídos regularmente, e de forma personalizada, sacos azuis e amarelos para a recolha selectiva porta-a-porta de papel e embalagens, respectivamente. O papel será recolhido às quintas-feiras e as embalagens às terças-feiras e sábados.
Para a deposição do vidro vão ser colocadas na rua “eco-boxes”. Este equipamento vai substituir o vidrão porque ocupa muito menos espaço na via pública, que é muito limitado neste bairro, e permite o acesso a viaturas de remoção de menores dimensões e mais manobráveis, segundo a autarquia.
A área abrangida corresponde à actual área de remoção por sacos para a fracção indiferenciada, envolvendo a totalidade das freguesias de Santo Estevão, São Miguel e Castelo, uma parte considerável de S. Vicente de Fora e uma parte reduzida da Sé.

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