Alfama

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25 milhões para terminal de cruzeiros


Com dois pisos e estacionamento subterrâneo, o novo terminal de cruzeiros em Santa Apolónia, Lisboa, terá um custo de 25,5 milhões de euros e poderá estar em funcionamento no final de 2013. Um projecto em tudo diferente do anterior, que tanto celeuma provocou.
Do famigerado estudo de construção que levou a Câmara de Lisboa, em 2007, a contestar as intenções da Administração do Porto de Lisboa (APL), relativamente ao novo terminal de passageiros em Santa Apolónia, desapareceu um edifício de 600 metros de cumprimento em frente ao rio, um hotel com dois pisos, uma área comercial e outra para escritórios.
O que permanece neste novo estudo, estimado em 25,5 milhões de euros e a estar concluído dentro de três anos? Somente um estacionamento subterrâneo, de um piso, com capacidade para 500 veículos. Serão mais de 7700 metros quadrados - bem inferiores aos 20 mil inicialmente pensados -, guiados por um conceito de interligação com Alfama, que manterá o interface com o metropolitano e comboio.
460 mil passageiros
Tudo com um único objectivo: responder ao aumento da procura do porto por cruzeiros. Este ano, tendo em conta o anúncio das escalas, prevêem-se 460 mil passageiros.
Segundo Natércia Cabral, presidente da APL, o equipamento resulta de um acordo com a Câmara Municipal de Lisboa (CML). "Não fazia sentido que a gare tivesse funcionalidades que os passageiros encontrariam na cidade", disse, ao JN, ontem, à margem da apresentação do concurso público de concepção para a elaboração do projecto do terminal, em Santa Apolónia. "A proposta que hoje apresentámos era a única que poderia funcionar", acrescentou, rejeitando comentar as anteriores intenções da APL, que motivaram fortes críticas, desde movimentos cívicos lisboetas a figuras como Miguel Sousa Tavares.
Para o presidente da CML, António Costa, o concurso marca o início "de uma nova era no relacionamento entre" o município e a APL. "O terminal de cruzeiros vai ser uma zona de reabilitação da Baixa e encosta de Alfama", considerou o autarca.

In Jornal de Noticias

Carrinhas Funebres impedidas de entrar em Alfama


"Vielas de Alfama/Ruas de Lisboa antiga/Não há fado que não diga/Coisas do vosso passado." O fado da cantora Mariza não fala na experiência recente do bairro. Incluindo o condicionamento de trânsito das vielas de Alfama, que já provocou casos caricatos. Este aconteceu em Fevereiro. Um cortejo fúnebre queria passar para a Igreja de São João da Praça, mas, devido ao condicionamento de trânsito naquela zona histórica, teve de esperar. "Não queriam deixar passar a carreta; só depois de mais de uma hora é que lá deixaram", conta José Augusto, da Leitaria São João da Praça, mesmo em frente à igreja.
O condicionamento ao trânsito nos bairros históricos - Bairro Alto, Alfama, Santa Catarina/Bica e Castelo - começou no Verão de 2003, conduzido pela Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL). Mas foi no Verão passado que surgiu um folheto a anunciar o cartão recarregável "Viva Viagens Bairros Históricos", que só permite o acesso a visitantes mediante uma caução de 25 euros - transformados em tempo de parqueamento.
Contactada pelo i, a EMEL afirmou "não ter registo de qualquer funeral". Porém, ao ser questionada sobre a possibilidade de abrir excepções para os familiares dos mortos que queiram velar o corpo ou seguir em cortejo fúnebre, a empresa rejeita o argumento humano. "O acesso está condicionado e não vemos como fazer excepção para esses casos", disse ao i Diogo Homem, do marketing e comunicação da EMEL.
O presidente da Junta de Freguesia da Sé, Filipe de Almeida Pontes, afirmou ao i que já pôs paróquia e EMEL em contacto. "Há cinco meses que há uma casa mortuária nova nas traseiras da Igreja da Sé e antevi logo problemas. Falei com a EMEL para perceber o que se podia fazer nos casos dos cortejos fúnebres, se podiam pôr o pino para baixo nesse tempo, mas disseram-me que não era possível porque o sistema teria de ser desligado e isso afectaria todo o sistema."
Para entrar em Alfama, moradores e comerciantes têm de pagar 12 euros anuais à EMEL, enquanto os fornecedores que façam cargas e descargas têm de pagar um cartão de 25 euros - uma situação que motivou reuniões entre a EMEL e a Associação de Comerciantes no mês passado. Segundo informações da EMEL, as cargas e descargas deverão passar a ter direito ao mesmo estatuto que moradores e comerciantes. Porém, nem todos ficam abrangidos pelo acordo.
É o caso de Manuel Ferreira, 59 anos e morador em Alfama desde sempre. Para a filha o visitar aos fins-de-semana terá de comprar um cartão. "Prefiro descer a Avenida e ir ter com ela lá abaixo", diz. Anabela Teixeira, dona de uma pequena papelaria na zona de São João da Praça, tinha um acordo com a Emel: todos os anos enviava um fax para que autorizassem a entrada do carro - em nome do marido. Porém, este ano a resposta foi diferente: teria de passar a pagar os 25 euros do cartão de visitante porque, apesar de a loja estar em seu nome, o carro não está. Para Anabela isso nem é a maior dor de cabeça: "Desde que o trânsito está condicionado vendo metade dos jornais." A queixa é comum a todos os comerciantes, que até já improvisaram cartazes a dizer "A EMEL está a matar Alfama".
Os dois filhos pequenos de Isabel Saldanha, de 31 anos, já nasceram em Alfama. É neste bairro que vive, desde 2005, esta funcionária da Gebalis (empresa gestora dos bairros municipais de Lisboa), numa casa grande, toda remodelada, com vista sobre o rio. Nascida e criada em Paço de Arcos, no meio de vivendas e junto ao mar, Isabel escolheu Alfama porque queria viver numa aldeia dentro de Lisboa. "Não gosto de me sentir sozinha na cidade, fechada num condomínio, sem conhecer ninguém à volta." O marido, engenheiro, preferia uma casa em Campo de Ourique ou na Lapa, mas Isabel queria algo menos sofisticado. Queria "um diamante por lapidar".

No bairro típico do fado e dos santos populares, as gerações de peixeiras, pescadores e estivadores, originárias da Pampilhosa da Serra e de Ovar, já não vivem sozinhos nas vielas e nos becos apertados. Actualmente, entre 25 e 30 por cento dos 5100 habitantes do bairro são novos moradores. Muitos deles são o espelho de um fenómeno a que, na década de 1960, se deu o nome de gentrificação - a substituição de moradores antigos por novos, nem sempre num processo suave, muitas vezes com custos sociais e económicos elevadíssimos. É o contrário da desertificação dos centros, é o repovoamento urbano feito com determinadas gerações de características diferentes - numerosas vezes, uma excelente oportunidade para a especulação imobiliária encher os bolsos, quando as políticas públicas dão rédea solta.
Em Lisboa, aponta o geógrafo João Seixas, autor de diversos estudos sobre a capital, a gentrificação não se resume aos bairros classicamente históricos. Ela alarga-se a outros, mais recentes, como Alvalade, Campo de Ourique, nas Avenidas Novas. O sociólogo Manuel Villaverde Cabralsublinha, por seu lado, que a gentrificação em Lisboa "não é muito significativa, talvez com excepção de Alfama e do Castelo".
Em Alfama, como noutros locais, esta realidade tem protagonistas muito concretos, que encaixam numa espécie de retrato-robô: gente que adiou a idade do casamento e dos filhos, profissionais liberais ou do sector terciário, cujas opções de carreira e de vida familiar são também fortemente ditados pelos estilos de vida. "São jovens solteiros, casais com filhos de classe média-alta, que viviam na periferia e querem morar no centro, muitos deles ligados às artes e à cultura", explica Filipe Pontes, presidente da Junta de Freguesia da Sé que, juntamente com a de S. Miguel e de Santo Estêvão, delimitam o território ocupado por Alfama. Alguns dos recém-chegados ajudam a dar vida ao bairro. Abriram negócios, como ateliers de design, lojas gourmet ou de artesanato. E assim estancaram a sangria de população do bairro.
Segundo o último censo populacional (2001), Alfama tinha 5000 habitantes. Dez anos antes, eram mais de 7700. A população envelhecida foi desaparecendo naturalmente. Outros tiveram de abandonar as suas casas, no início do século, durante os projectos camarários de reabilitação. Nunca mais voltaram.
A especulação imobiliária não tardou e rapidamente os preços aumentaram. A pressão sobre os velhos residentes para "desimpedirem" prédios reabilitados intensificou-se. Os casos mais dramáticos acabaram em suicídio.
Entre os novos moradores, também houve quem se decepcionasse com os "falhanços" da recuperação urbana, com o condicionamento do trânsito ou com a falta de equipamentos de lazer e foram-se embora. Mas outros, como Frederico Carvalho, parecem estar para ficar. A morar em Alfama há quase três anos, este director de formação do Instituto de Medicina Tradicional, de 36 anos, ainda se lembra do dia em que foi conhecer uma casa que tinha visto na Internet. "Era um sábado de manhã, cheio de sol, e mal cheguei ao Largo de S. Miguel vi logo a vida matinal, com os putos a correr atrás da bola e as velhotas a contar as novidades da semana." Antes mesmo de ver a casa, já tinha decidido que queria morar ali.
Os amigos estão sempre a pedir-lhe para os avisar quando souber de casas para arrendar. Um deles, Daniel Aboim, um advogado de 31 anos, deixou Odivelas em Janeiro. Foi a tímida vista de rio do seu pequeno apartamento junto à Estação de Santa Apolónia que o conquistou.

in Público

Igreja de São Miguel

Largo do chafariz de Dentro

Moradores revoltados com avarias e abusos

"Júlio Santos mora há três anos na Costa do Castelo. Talvez pareça pouco tempo, mas é tempo mais do que suficiente para que, enquanto fuma um cigarro à janela da sua casa, consiga apontar um a um quais são os carros estacionados que não pertencem a moradores da rua que integra a zona de acesso condicionado do Castelo.

A culpa é da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL), cujos funcionários "deixam passar pessoas que não são de cá", queixa-se este residente que, para evitar perder tempo à procura de lugar, opta por deixar o seu automóvel no local de trabalho. "Ao fim-de-semana põem o pino no automático e qualquer carro chega aqui e entra", diz apontando para o posto de controlo instalado ao fundo da sua rua.
A EMEL admite, em respostas escritas enviadas ao Cidades, que até aqui "era concedida uma grande discricionariedade aos operadores do sistema, o que muitas vezes provocava atritos com os utentes". Tentando acabar com o problema, a empresa introduziu recentemente o cartão Viva Viagem Bairros Históricos, "um meio de acesso que evita o contacto com o operador". O cartão é recarregável e custa 25 euros, sendo-lhe descontado um determinado valor sempre que o seu utilizador deixa o carro parado no interior de um bairro histórico por mais do que meia hora.
Uma solução que de nada servirá para acabar com um outro problema de que se queixam outros moradores, especialmente de Alfama, segundo quem os pilaretes nas entradas e saídas do bairro estão frequentemente em baixo, permitindo o livre acesso a áreas supostamente condicionadas. "Há uma série de semanas que a entrada na Rua do Barão está escancarada e, nas raras ocasiões em que isso não acontece, assim que um carro se aproxima o pilarete baixa imediatamente mesmo que não se tenha identificador", acusa um residente que pediu para não ser identificado e que está de malas feitas para abandonar o bairro, devido à carência de estacionamento e aos constantes assaltos às suas viaturas.
Na quarta-feira passada tanto essa entrada como a da Calçada de S. Vicente estavam abertas para quem quisesse entrar, acontecendo o mesmo com a saída da Rua Cruzes da Sé, na qual vários moradores garantem que é comum ver carros a circular em marcha-atrás para aceder ao bairro. Uma situação que contribui para a notória falta de lugares de estacionamento no interior da zona condicionada de Alfama, que é também agravada pela profusão na via pública de andaimes ferrugentos que amparam edifícios esventrados.
Para atenuar essa realidade, a EMEL oferece avenças mensais nos parques das Portas do Sol (por 50 euros para 24 horas) e da Calçada do Combro (por 78,2 euros para 24 horas), mas o parque que serve o Bairro Alto e a Bica não tem neste momento avenças disponíveis, existindo uma lista de espera.
A empresa admitiu também que, como contestam alguns moradores e presidentes de juntas de freguesia, algumas das cedências de lugares acordadas com terceiros quando o acesso aos bairros foi condicionado deixaram de existir, por exemplo com o Patriarcado de Lisboa e a Escola Superior de Dança.
Apesar destas deficiências, Eduardo Balsa, residente que integra a Associação do Património e da População de Alfama, encontra vantagens no sistema introduzido há quase sete anos. "Antes isto estava cheio de carros até ao tutano. Não se conseguia andar sem tropeçar num carro", lembra, constatando que agora até "há mais crianças a brincar na rua".


In Público

Mais de metade dos edifícios de Santo Estevão tem entre 65 e 90 anos

Segundo os mesmos dados, a freguesia de Santo Estevão tem cerca de 360 edifícios, mais de 200 dos quais foram construídos entre 1920 e 1945. Há ainda mais de uma centena de edifícios desta freguesia anteriores a 1919.
A maior parte destes edifícios são propriedade particular, como aliás acontece com a maioria dos edifícios em mau e muito mau estado de conservação na cidade de Lisboa, assim como a maioria dos devolutos.
Naquela freguesia de Alfama, um em cada 10 edifícios estava muito degradado quando foi feito o levantamento do Censos 2001.
Lisboa tem cerca de 55 mil edifícios, na maioria propriedade particular (mais de 44 mil), e aquando do último Censos mais de 2700 estavam em muito mau estado de conservação.
Pelo cruzamento de dados já compilados pela autarquia percebe-se que as freguesias que agregam os edifícios mais antigos são as das zonas históricas. Por exemplo, mais de metade (58%) dos edifícos da freguesia de S. Mamede tem entre 65 e 90 anos e um em cada quatro edifícios de S. Vicente de Fora está degradado.
Há em S. Miguel, de acordo com os Censos 2001 - que não resulta de um levantamento feito por peritos em habitação -, mais de 30 por cento do edificado estava degradado. Os números recolhidos para a elaboração do PLH indicam que um em cada três edifícios (238 em 303) é anterior a 1919 e que só dois foram construídos depois de 1996.
Segundo declarações à Lusa no final do ano passado, o vereador do Urbanismo adiantou que, para conseguir que os proprietários recuperem os edifícos em mau estado de conservação, entre outras medidas, a Câmara de Lisboa estava a tentar negociar com o Governo pequenos acertos no novo regime da reabilitação urbana para dar à recuperação de edifícios isolados os mesmos benefícios fiscais previstos para as Áreas de Reabilitação Urbana (ARU).
"Nestes casos, que teriam via verde, os procedimentos eram agilizados e a câmara poderia emitir um certificado de 'edifício a reabilitar'. O proprietário reabilitava e teria os mesmos benefícios fiscais previstos para o caso das operações de reabilitação nas ARU, ao mesmo tempo que se comprometia a colocar um quarto das casas no mercado de arrendamento", explicou, na altura, Manuel Salgado.
Entre 1994 e 2008 a Câmara de Lisboa gastou mais de 24 milhões de euros em obras coercivas.
Os dados do PLH indicam ainda que a Câmara de Lisboa ajudou a recuperar mais de 2000 edifícios e mais de 13 mil fogos na última década, a maior parte no âmbito do programa de apoio à reabilitação RECRIA.
Nos últimos 10 anos foram recuperados 2218 edifícios e 13 859 fogos em Lisboa.

In Destak

Número de prédios devolutos em Alfama está por contabilizar

Um levantamento dos edifícios devolutos e parcialmente devolutos realizado em 2007 revela que há 33 edifícios devolutos na freguesia de Santo Estevão, que conta com cerca de 2050 eleitores. A presidente daquela junta avança que aquele levantamento estará desactualizado, não correspondendo à realidade actual. "Há prédios que aparecem como devolutos mas não estão devolutos. E há muitos também que, entretanto, foram recuperados", referiu Maria de Lurdes Pinheiro (CDU), adiantando que segundo o balanço teria a "freguesia sem ninguém".
O estudo refere apenas um prédio municipal na lista dos devolutos e parcialmente devolutos e a presidente da junta afirma haver mais.
O levantamento dos edifícios foi-lhe enviado pela vereadora da Habitação, Helena Roseta, em Dezembro para que a junta proceda à actualização do mesmo - um processo transversal às restantes juntas de freguesia da cidade.
Helena Roseta adiantou ao DN que o estudo foi realizado numa altura em que não estava no pelouro e que o objectivo é que agora haja uma actualização. Adiantou ainda que "em algumas freguesias está mais correcto do que noutras" pelas respostas de actualização já recebidas.

In Diário de Noticias

Alfama vai ganhar hotel - JN

Alfama vai ganhar hotel - JN

País - Moradores do Palácio Dona Rosa em Alfama retirados devido a risco de derrocada - RTP Noticias, Áudio

País - Moradores do Palácio Dona Rosa em Alfama retirados devido a risco de derrocada - RTP Noticias, Áudio

Ladra Alternativa em Alfama


Vai-se realizar nos dias entre os dias 30 e 31 de Janeiro, das 10 Horas às 19 Horas, no Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, a 17º Feira da Ladra alternativa. Nesta feira pode-se encontrar o que vai sendo feito a nível de artesanato urbano. Poderá encontrar artigos de joalharia, pintura, roupa, bijutaria, acessórios para casa, etc.

Não perca. Vale mesmo a pena.

Imagens da maratona de Alfama

Veja aqui imagens da Maratona de Alfama de 2009.

Se quiser também pode ver mais imagens de Alfama aqui.

Terramoto de 1755

Imagens do terramoto de 1755 e como foi visto pelo mundo

Inundação no Beco do Mexias

Exemplo do que umas chuvas podem fazer no bairro de Alfama. Existem poucas sargetas e muitas vezes estão intupidas. Alfama precisa que olhem por ela.

António Costa quer fazer emprestimo para reabilitação urbana

António Costa pretende avançar com a ideia, que foi impossibilitada pela oposição PSD e CDS/PP de pedir um empréstimo para conseguir terminar a reabilitação de bairros como o de Alfama.
No ultimo mandato, essa proposta foi recusada na Assembleia Municipal, conforme foi dito neste blog aqui.

Talvez com a maioria na assembleia essa proposta seja validada. De referir que a oposição recusou pois pretendia ter o empréstimo para os túneis que ia inventar.

Resultados eleitorais no bairro de alfama

Na Freguesia de São Miguel:
PS - 50,23% - 429 Votos - 6 ELEITOS
PCP /PEV - 24,24% - 213 Votos - 2 ELEITOS
PSD / CDS /MPT /PPM - 16,16% - 138 votos - 1 ELEITO
BE - 4,68% - 40 Votos

Freguesia da Sé:
PSD / CDS /MPT /PPM - 55,05% - 354 votos - 6 ELEITOS
PS - 26,44% - 170 Votos - 3 ELEITOS
PCP /PEV - 8,71% - 56 Votos
BE - 4,82% - 31 Votos

Freguesia de Santo Estevão:
PCP /PEV - 39,42% - 436 Votos - 4 ELEITOS
PS - 32,55% - 360 Votos - 3 ELEITOS
PSD / CDS /MPT /PPM - 18,63% - 206 votos - 2 ELEITOS
BE - 5,88% - 65 Votos

O bairro de Alfama consegue ter 3 freguesias e 3 presidentes de junta com cores politicas diferentes. Para os eleitos apenas posso desejar que executem bem o seu mandato em nome de que os elegeu e em nome de todos os moradores do bairro e dos que gostam do bairro.

AMÁLIA RODRIGUES CANTA "O FADO DE CADA UM"

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce malfadado,
Melhor fado não terá!
Fado é sorte
E do berço até a morte,
Ninguém foge, por mais forte
Ao destino que Deus dá!

No meu fado amargurado
A sina minha
Bem clara se revelou
Pois cantando
Seja quem for adivinha
Na minha voz soluçando
Que eu finjo ser quem não sou!

Bom seria poder um dia
Trocar-te o fado
Por outro fado qualquer
Mas a gente
Já traz o fado marcado
E nenhum mais inclemente
Do que este de ser mulher!

O Fado por Paulo A. E. Borges

Há experiências que nos deixam a braços com o lado desconhecido, secreto e autêntico da vida. O Fado é uma delas. Só o compreende quem, mais do que o ouvir, já o escutou ou cantou, num dos poucos templos do seu culto autêntico. Do arrebatamento perfilado, contido e hierático do(a) fadista ao trinar da guitarra e às almas que, silenciosas de olhos cerrados na penumbra, partem num arrepio da medula ao encontro da Saudade, é um mesmo rasgo das trevas da banalidade. E fica a Voz, uma voz dorida que sai das entranhas como a flama de um lume que a tudo consome. Paixão pura, gratuita, sem outro fim senão o de arder, tanto maior quanto mais se oferta : "dom sagrado".
Dos becos e vielas do coração obscuro de Lisboa ou dos salões da aristocracia castiça uma mesma Voz se ergue, quando o crepúsculo reabsorve na treva as femininas formas da cidade branca e rosa. O vento, que outrora engravidava as éguas no Monte Santo, vem agora dedilhar as cordas de uma guitarra portuguesa. O Tejo empresta a frescura e o ritmo das suas vagas. E as ninfas, sereias e tritões tomam forma humana, vestem-se de negro, à luz da Lua, para ficarem mais nús, mais íntimos à Noite absoluta. Então as Musas, as camonianas Musas, sopram : a celebração começa.
Embalada pelas velas pandas da Viagem e pela ressaca das marés da história, pelo espírito trovadoresco luso-árabe e pela mornidão coleante do lundum afro-brasileiro, essa Voz que a prumo se ergue, redimindo Céu e Terra da cisão originária, é Portugal. Portugal e sua remota matriz, atlante e estrímnica, serpentina e lusitana, no fim de um ciclo, no entardecer do mundo. Com a embriaguez, de ideal ou - quando em desespero - de vinho, a gastronomia chamanista, a poesia devocional, épica ou lírico-panteísta, o sebastianismo, a pega de caras, o barroco, a bizarria, o sonho realizador do impossível, a loucura e a Saudade, o Fado é um dos Arrebatamentos pelos quais vamos resistindo à coca-cola, à "fast food", ao aburguesamento da cultura, à intelectualização do sentimento religioso, à epidemia mediático-publicitária, ao imperialismo do imaginário anglo-saxónico e à destruição das almas e do planeta pelo consumismo e pela barbárie tecno-buro-plutocrática.
No Fado o trágico perdura. A irracional cisão entre o indivíduo e o Absoluto, que faz com que relativamente haja Destino, Fatum - a impessoal Moira que os gregos sabiam superior aos próprios
deuses - , desafia todo o dogma religioso e as derivadas metafísicas. Por isso os portugueses a cantam, na saturnina ironia de quem contempla como vãos todos os artifícios da razão. Sabem, sem jamais terem pensado nisso, que só a dor, a extrema dor da identificação com o mal do mundo, dele nos liberta. Assumido e celebrado até à exaustão, em corpo e alma e espírito, em corpo-alma-espírito, o sofrimento transmuta-se em Alegria, a única não fictícia. Cátharsis, uma cátharsis praticada na vida quotidiana duma população, rito dum mito esquecido ou desnecessário. E tantos intelectuais que, em sua ignorância de cátedra, a julgam sepulta no teatro grego ou na Poética aristotélica...
Entre o esconjuro ou expiação do mal de existir - essa primordial injustiça da separação entre o indivíduo e a Plenitude que faz de cada nascimento uma morte e vice-versa - , a revolta contra os deuses e o destino e a aceitação resignada duma "sorte" dada por Deus, o Fado é afinal um paradoxal misto de sabedoria e ignorância ou esquecimento. Esquecimento de que a Vida - sob pena de absurdo radical ou infernal delírio divino - é metamorfose onde tudo o que a cada um acontece só pode ser por si gerado e merecido, fruto de acções livres na sua origem mas com efeitos necessários, em função da sua intencionalidade, da sua intensidade e das suas circunstâncias. O que torna possível a conversão do destino em destinação, ou a Libertação plena de todas as inevitáveis limitações existenciais, nada compatível com a anestesia, o suicídio lento e o langor do deleite num sofrimento não emancipador. Assim, aos versos do conhecido "Fado é Sorte", de Jaime Mendes - "Bem pensado/ Todos temos nosso fado/ E quem nasce mal fadado/ Melhor fado não terá // Fado é sorte/ E do berço até à morte/ Ninguém foge por mais forte/ Ao destino que Deus dá" -, bem responderia Bocage : "Não forçam corações as divindades: / Fado amigo não há, nem fado escuro;/ Fados são as paixões, são as vontades".
Decerto que Portugal é muito dessa melancolia que Aristóteles, no célebre Problema XXX, considera inerente a todo o génio ou homem de excepção, relacionando-a com a loucura, a propensão para a poesia, o vinho e o erotismo. Se a isto juntarmos o gosto pelos cavalos e pelos touros, e a indispensável guitarra, teremos, substituindo melancolia por Saudade - de âmbito semântico mais rico, e com uma abertura para a "salvação" que aquele termo grego não contempla - , um quadro perfeito da boémia fadista. E talvez o "fado vadio", cantado por quem passa, nas tascas - por exemplo na agora fechada Mascote da Atalaia, a cujas obscuras divindades tanto se deve do que aqui nos inspira - e nas ruas, nas peregrinações dentro ou fora de portas, outrora em seges e tipóias, seja ainda uma das últimas expressões de uma vida aventureira, nómada e itinerante, naturalmente marginal à existência domesticada, que o excesso de civilização, reprimindo, em vez de suprimir agudiza, polarizando-a em formas hoje cada vez mais violentas e perversas. Longínquos herdeiros dos grupos medievais de foliões, mistos de clérigos, estudantes e cantadeiras, trovadores, jograis e histriões, numa era em que, apesar da incompreensão eclesiástica, ainda se cantava e bailava nas igrejas, procissões e cemitérios ( Carolina Michäelis de Vasconcelos mostra a pujança destas práticas na cultura galaico-portuguesa ), e um século antes da juventude anglo-
saxónica produzir os seus "rebeldes sem causa", convergindo no apocalíptico "No Future" da era "punk" e em todos os pós-niilismos contemporâneos, Lisboa encontrou, na santa aliança do rufia, do fidalgo excêntrico e da prostituta, e ao som do Fado, a mesma denúncia, sem alternativa, dos valores e do progresso sem valor da cultura e da sociedade burguesas. Dançando, ou "batendo o fado", de modo tão licencioso que logo atraiu censura e repressão, a "fadistagem fixe" opôs, em plena era industrial e urbana, o sentido arcaico da festa, do potlatch e do excesso, ou seja, do sagrado lúdico ( não institucional e meta-religioso ), à ascendente moralidade produtiva, mercantil e puritana. Com a cumplicidade de uma aristocracia fiel aos valores da generosidade, do dom, da terra, do ócio e da desmesura aventureira, desdenhosa do novo-riquismo racionalista e laborioso, a tradição portuguesa polarizou uma fonte de subversão da nova ordem dos "parvenus" auto-designados como respeitáveis, embrião dos homens cinzentos que hoje gerem a agonia do mundo.
Provém porventura desse contraste, entre o Infinito que na alma há e o pouco que dele ela e o mundo humano suportam, sempre que mais empenhados no domínio mental, político ou técnico-económico do universo, o pronunciado sentido elegíaco e triste da alma portuguesa e a resignação ante a desgraça do "povo de suicidas" ( Unamuno ) que Pascoaes disse sê-lo "por amor a Deus". Entristecimento saudoso, sentido de que o que mais importa só se presentifica na sua ausência, visão de que o "agora" só o é por decadência dum intemporal "outrora", já o encontramos nas trovas dos Cancioneiros, nas meditações da dinastia de Avis e na denúncia de Gil Vicente - na primeira pessoa, ante D.João III, o introdutor da Inquisição - da permuta do espírito folgazão pelos lamentos veterotestamentários de Jeremias : "Em Portugal vi eu já / em cada casa pandeiro, / e gaita em cada palheiro ; / e de vinte anos acá / não há i gaita nem gaiteiro. / A cada porta um terreiro, / cada aldeia dez folias, / cada casa atabaqueiro; / e agora Jeremias / é nosso tamborileiro " ( Tragicomédia do Inverno e Verão ).
Mas o espírito dionisíaco persistiu na música, e particularmente na popular ( como o viu Nietzsche ), onde menos impera a separação entre actores e espectadores e o canto e dança, em comum, ou o silêncio ritual, preservam a comunhão num mesmo Corpo Místico. Procedente da arcaica religiosidade cósmica, matriarcal e pré-olímpica, no Ocidente, ou pré-védica, no Oriente - em ambos os casos pré-ariana - , por cuja recusa e dissimulada integração as grandes religiões planetárias se constituíram, o dionisismo dos cultos mistéricos e iniciáticos encontrou entre nós a adequada celebração das Grandes Mães, dispensadoras da Vida e da Morte e, sobretudo, do Canto que arrebata a alma para além da sua coincidência. A Severa e Amália são, com todas as diferenças, e decerto mais do que no seu perfil psico-biográfico, essa viva instância mítica do Eterno Feminino que, na genial visão de Pascoaes, é a "Virgem da Saudade", a qual, uma vez fecundada pelo herói da Demanda que todos somos, não pode senão parir-nos um novo Deus-Homem, Mestre-Rei num universo transfigurado.
Então a Saudade, íntima união e complementaridade de contrários, se remirá do seu divórcio, pelo qual em Portugal ficaram a memória, a tristeza, o Fado, emigrando para o Brasil o desejo, a
esperança, a alegria, o Carnaval... Então Portugal se desencantará e, descoberto o Embuçado, haverá beija-mão Real, com o João Ferreira Rosa a cantar o Fado do Fado Vencido. Acompanhá-lo-ão as dez mil guitarras de Alcácer-Quibir, dedilhadas por todos os Nautas da Aventura, culminando em Ressurreição o "morrer devagar" de quatro séculos de interminável agonia. Afinal apenas um mau sonho, mágica ilusão dissipada pela esplendorosa Luz da barra do Tejo.


"A Amor quis esquivar-me, e ao dom sagrado:
Mas vendo no meu génio o meu destino,
Que havia de fazer ? Cedi ao fado"
- Bocage

Argentina Santos vitima de um AVC



A fadista encontrava-se no sábado na sua Casa de Fados, A Parreirinha de Alfama, quando desmaiou e entrou em coma.
"Apanhámos um grande susto, mas já passou." Foi nestes termos que Carlos do Carmo se referiu ao AVC que terá estado na origem do desmaio seguido do coma de que foi vítima a fadista Argentina Santos, de 83 anos, anteontem à noite, e que obrigou ao seu internamento no Hospital de São José, em Lisboa.
A fadista encontrava-se no sábado na sua Casa de Fados, A Parreirinha de Alfama, quando desmaiou e entrou em coma. Foi conduzida rapidamente para o Hospital de São José, onde, segundo Carlos do Carmo, "foi muito bem tratada". Ontem à tarde acordou: "Foi como se tivesse acordado de um sono profundo e ainda bem. Ela é a minha menina."

Argentina Santos, considerada uma das últimas divas do fado castiço, nasceu no bairro da Mouraria, onde tem uma rua com o seu nome.

Ao contrário da maioria dos fadistas começou a cantar tarde, aos 24 anos, no restaurante que abriu em 1950, A Parreirinha de Alfama. Com os anos, e graças aos dotes vocais da fadista mas também aos culinários, a Parreirinha tornou-se um espaço de referência do fado mais tradicional.

Desde que gravou o seu primeiro disco, em 1960, Argentina Santos tem tido uma carreira cheia de êxitos, entre os quais os inesquecíveis ‘Duas Santas’ e ‘Juras’.

Realizou várias tournées internacionais e é patrona da Academia do Fado em Racanati, Itália, que inaugurou. Em 2005 foi galardoada com o Prémio Amália Rodrigues, que consagra a sua carreira.

Fonte hospitalar confirmou que Argentina Santos estava a recuperar bem, mas recusou adiantar mais pormenores. A sua saída do hospital irá agora depender "de decisão médica". Ontem, A Parreirinha de Alfama esteve fechada.


in Portal do fado

Alfama recebe animação de rua para todos os gostos

O Largo de São Miguel, em Alfama, recebe amanhã a 1ª edição de Artes Performativas de Rua. Vai haver fado, guitarradas, músicas do mundo, pintura de murais... boa sangria e petiscos típicos. A entrada é grátis.
Fado vadio, guitarradas, percussões soltas com sons de todo o mundo, pinturas de murais, e outras artes de rua... tudo acompanhado por petiscos típicos de Portugal. A 1ª edição de Artes Performativas em Alfama vai acontecer hoje, 28 de Agosto de 2009, com entrada livre.
A ideia partiu de Frederico Carvalho, morador e fã confesso do bairro: "Estava à conversa com amigos sobre eventos que começaram do nada e que se tornaram tradição, como é o caso da Tomatina , em Espanha. Porque não fazer algo que também dinamize Alfama?".
A ideia pegou e, com divulgação boca-a-boca, chegaram propostas dos mais diversos artistas anónimos. "Desde fadistas a instrumentistas de música do mundo, como a cuíca, o charango, o bandolim, o santur iraniano, o darbuka, o didgeridoo e ainda o clarinete ou o saxofone... Há muita gente a querer participar".
O evento, que terá periodicidade mensal, decorrerá sempre na última sexta-feira de cada mês, pelas 21h00. Enquanto o calor durar, o Largo de São Miguel é o local eleito para receber a festa. Quando chegar a chuva e o frio a iniciativa passa para as instalações da Associação Recreativa "O Adicense", um dos marcos daquele que é um dos mais típicos bairros de Lisboa.

O Chafariz de Dentro

«Chama-se assim este Chafariz, por ficar dentro das portas da antiga muralha de Lisboa Oriental; que todos os mays ficam da banda de fora, e tão vizinhos huns dos outros, que em pouco differem as suas agoas (…)» Assim começa o pequeno texto que Sérgio Velloso d’Andrade dedica ao Chafariz de Dentro. Apesar de menos conhecido do que o célebre Chafariz d’El-Rei é este também um dos mais antigos de Lisboa, tendo sido primeiramente conhecido por Chafariz dos Cavalos.
Tal designação, por mais de uma vez se tem prestado a confusões, pois um outro, com o mesmo nome, teve também a sua importância na história da cidade. Foi e continua a ser frequente a confusão entre os dois chafarizes em algumas publicações mais generalistas ou pela pena de autores menos escrupulosos e Castilho sentiu necessidade de esclarecer que o Chafariz dos Cavalos citado por Fernão Lopes, Damião de Góis e na Carta Régia de 2 de Maio de 1494 é aquele mesmo que hoje conhecemos por Chafariz de Dentro, nome que terá adquirido depois da construção da Muralha Fernandina.

Ora n’esse lanço isolado da muralha abria-se uma porta,
composta de dois arcos muito chegados um ao outro, segundo se
vê na estampa de Braunio, sob o n.º 72, e ahi designada pelo nome
de Porta do chafariz dos cavallos.


Os dois títulos, quanto a mim,
assignalam o mesmo chafariz. Provas? Ellas aqui vão:
1.ª – Na estampa acabada de citar, essa porta, collocada
mesmo em frente do chafariz, o qual lá se vê muito bem com os
seus tanques, chama-se, como disse, do chafariz dos Cavallos,
ficando elle no sitio exacto do nosso chafariz de Dentro.
2.ª – Ha uma carta d’el-Rei D. João II ao Senado da Câmara
de Lisboa, em 9 de Maiode 1944, datada de Almeirim, em que,
insistindo o Soberano para se fazerem certos arranjos, e
modificações, no chafariz dos Cavallos, assegura que o sitio não
ficará pejado com os novos tanques que ele projecta, para
lavagem e aguada, «e fica rrua asaz, e limpa, pª seruidam e
prosiçam da festa dos pescadores».
Essa procissão era a dos pescadores de Alfama, tão
encarecida por Frei Nicolau de Oliveira, procissão que sahia de
Santo Esp’rito de Alfama, ermida que, segundo acima notei, lá
esta no principio da rua dos Remédios, bem próxima ao mesquinho
largo onde fica o nosso chafariz de Dentro.
3.ª – Quando o autor das Grandezas de Lisboa descreve os
varios montes da Cidade, diz que o Monte de S. Vicente desce
«pelo Salvador a baixo, e vae fenecer no chafariz dos Cavallos;
fenece exactamente no chafariz de Dentro.
Querem marcação mais clara?

A mudança de designação, obviamente, apenas terá acontecido após a construção da já referida muralha351 e, mais provavelmente, após a edificação do chafariz da Aguada, de lado de fora da dita que, por contraponto, era também por conhecido por Chafariz de Fora. Para Castilho: «Quando o povo começasse a dizer chafariz de Dentro, em vez de chafariz dos Cavallos, não é fácil fixar; essas mudanças vão tão subtis, que não há modo de achar o ponto de transição.»
Se não restam dúvidas que a actual designação do chafariz resulta de razão objectiva e que não admite grandes especulações, a sua anterior denominação de Chafariz dos Cavalos é ainda objecto de alguma polémica. Alguns defendem que este Chafariz dos Cavalos era assim designado, porque teria um tanque onde matariam a sede cavalos, muares e outras bestas. Porém, outros argumentam que era assim chamado em resultado de a sua água jorrar de bicas em forma de cabeça de cavalo.
A existência destas bicas é testemunhada, entre outros, por Damião de Góis, para quem, «(…) para os lados da Porta da Cruz, emerge uma outra fonte, ou, para melhor dizer, um tanque chamado [Chafariz] dos Cavalos, isto porque tem umas esculturas de cavalos cujos focinhos de bronze deitam jorros de água, formando, ao sair do tanque, uma espécie de riachos.» Estes cavalos com focinho de bronze seriam certamente os mesmos que, segundo Fernão Lopes354, os castelhanos às ordens de Henrique II, de Castela, em 1373, terminado o cerco à cidade de Lisboa, quiseram levar como troféu, o que só não conseguiram porque, astutamente, os lisboetas, precavendo a situação, as haviam retirado. Também dois viajantes venezianos, citados por Castilho, escreveram sobre o chafariz e os seus cavalos. Diz-nos Castilho:
E os viajantes venezianos Tron e Lippomani dizem em dias ’elRei D. Sebastião, seguindo Goes servilmente:
Para o lado da porta que chamam da Cruz ha outra fonte, ou antes lago, que denominam dos Cavallos, porque da bocca de alguns cavallos de metal sae tanta agua, que forma uma corrente a modo de ribeiro»

Poderia então considerar-se como definitivo terem sido essas famosas e épicas bicas a razão deste ser chamado Chafariz dos Cavalos. Porém, e todos os outros também conhecidos pela mesma denominação, que não tinham bicas com esse formato Aceitamos como válidas ambas as proposições, no que aliás não diferimos de Eduardo
Freire de Oliveira que salomonicamente afirmava:
É possivel que no chafariz de Dentro primitivamente existissem os cavallos d’arame a que Fernão Lopes e Duarte Nunes alludem, e que fôsse esta a causa de lhe chamarem chafariz dos Cavallos; mas póde muito bem succeder que nada d’isto assim fosse, e que a denominação de chafariz dos Cavallos dada quer a um quer a outro dos referidos chafarizes, proviesse d’estes terem tanques destinados para o gado beber agua. É talvez o mais provável.
Quando foi construído este chafariz, ninguém pode afirmá-lo. As referências mais antigas datam, de acordo com Augusto Vieira da Silva, ao remotíssimo ano de 1285.
Contudo, talvez o documento mais conhecido que se refere ao Chafariz de Dentro seja a Carta Régia de 2 de Maio de 1494. Este interessante texto é bem elucidativo quanto às preocupações do soberano (D. João II) com as pequenas obras que, criteriosamente, levadas a cabo muito poderiam melhorar as condições de vida dos seus súbditos. Vejamos então o conteúdo da referida carta:

Equamto ao que per a outra carta dizees e apomtaes os
imcomveniemtes, que se podem seguir, acerca do que leixamos
hordenado que se fezese no chafariz do caualos e no lauatorio das
molheres, a nos pareçe todo o contrairo, por que nos o vimos muy
bem pr nos, e com ofiçiaes e pesoas que o bem emtemdiam,
achamos que tudo se podia muy bem fazer, feito he cousa muy
proueytosa aa çidade e moradores della; pr que, segundo a
pimtura que dello fezemos, e o que falamos com pero vaaz, que de
tudo ficou muy bem emformado, acharees que, fazemdose asy a
rrepartiçam da augua pr as bicas, que hordenamos que se façam,
homde aguora se toma em as que estam trabalhosamente, podese
tomar nas outras bicas per moças muy pequenas, muy sem
trabalho. E mais, nos chafarizes pequenos, que se ham de fazer,
em que ha de cair a augua das ditas bicas, sempre ham destar
cheos, e quem nom quiser a augua tam limpa, asy como açacaaos
(aguadeiros) e outros semelhantes, podem neeles emcher seus
camtaros a seu prazer, E as bestas tem asaz chafariz em que
bebam; e asy pode virr ao chafariz em que lauam, e fica rrua asaz
e limpa pª seruidam da prosiçam da festa dos pescadores. E asy
comcludimos que nos parece que por estes rrespeitos e outros
muitos, q aquy sam escusados dapomtar, que esta obra sse deue
fazer como esta devisada, sallvo se vos outros quiserdes obrar do
custume que sempre teueram os offiçiaes desa cidade, que, como
allguem qr fazer allguua bemfeytoria, loguo a embarguavam, e vos
asy ho podees fazer. E pr q apomtaes que nam há hy drrº das
rrendas da cidade pª a despesa desta obra, Ruy lobo tem çem mill
Rs, de cabos de comtas, com esta obra e outras mais se pode fazer,
e certo nos Reçeberiamos comtemtameto e vos agradeçeryamos de,
com toda a deligemçia, esta cousa se fazer sem delongua.»


Continua…
In Memorias das Aguas de Alfama de Carlos Manuel Barros Martins Beirão de Oliveira

Tenda Marroquina em Alfama




Já abriu a loja Pontos Étnicos - Tenda Marroquina em Alfama. No dia 2 de Julho abriu a primeira loja Pontos Étnicos -Tenda Marroquina, loja de artesanato e de decoração de interiores de artigos exclusivos de Marrocos.
O local escolhido para a abertura da Loja Pontos Étnicos - Tenda Marroquina foi Alfama junto ao Rio, na Rua Cais de Santarém, nº 30 (perto da Casa dos Bicos)
Alfama é das zonas com mais origens árabes em Lisboa, cujo nome deriva também do árabe al-hamma, que significa banhos ou fontes.
Os Pontos Étnicos - Tenda Marroquina terá à venda artigos marroquinos de decoração e de moda tais como:
- poufs em pele e tecido
- conjuntos de serviço de chás
- túnicas, calçado e malas
- conjuntos de pintura de Henna
- candeeiros e lanternas
- cerâmica variadas (tajines, potes, etc)
- espelhos de vários tipos (madeira, estanho, osso, etc..)
- tapetes bèrberes
- bijutaria em prata, osso e resina
- cosméticos tradicionais
- caixas em madeira Thuya
- e muito mais!


Todos os artigos são importados exclusivamente de marrocos e fabricados por artesões. A loja Pontos Étnicos - Tenda Marroquina, providencia ainda aos seus clientes, caso o desejem um serviço completo de decoração de interiores.
Sobre a abertura da loja Pontos Étnicos — Tenda Marroquina, Katia Amaro, mentora deste projecto refere que “A minha paixão pelo exótico e pela decoração e principalmente pelo artesanato marroquino, fez com que tomasse a decisão de abrir a loja e tentar trazer um pouco do artesanto e da cultura Marroquina para Portugal, e partilhar a minha paixão com mais pessoas.“


Para mais informações, por favor contacte:
Kátia Amaro
Gerente dos Pontos Étnicos
Tlm.: 93 821 96 43
Pontos Étnicos
Rua Cais de Santarém, nº 30
1149-035 Lisboa
Telef./Fax: 21 888 6535

Petição "Salvem o Lusitano Clube de Alfama"


À atenção: Do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Dos Srs. Vereadores da Câmara Municipal de Lisboa

Da Comunicação Social


Considerando que nos últimos meses, temos sido confrontados pela constante presença de forças da autoridade que são chamadas a este espaço centenário da capital por uma única pessoa da freguesia que se queixa permanentemente do ruído inerente às actividades culturais que se desenrolam no Lusitano Clube; Considerando, com a humildade que nos é reconhecida, que a Cultura da Cidade de Lisboa saiu favorecida desde Maio do ano passado com o rejuvenescimento do Lusitano Clube; Considerando que desde essa data proporcionámos a Lisboa um espaço inclusivo e multicultural, facto esse que é reconhecido por diversas entidades públicas bem como pelas centenas de pessoas que nos fazem o favor de visitar semanalmente; Considerando por último que não faria sentido fazer parte dum projecto em que a cultura não tivesse um papel destacado e acreditando que não será uma voz isolada, que a fazer denúncias, a perseguir e a caluniar, poderá impedir a realização de acontecimentos neste espaço de Lisboa. Assim, demonstram os abaixo assinados, a sua total solidariedade para com a actual direcção do Lusitano Clube, que tudo tem feito para que este espaço seja útil para o desenvolvimento da Cultura na Cidade de Lisboa, e repudiam completamente a intensa perseguição que nos é feita. Mais solicitam os abaixo-assinados, que a Câmara Municipal de Lisboa licencie a utilização deste espaço até à 1:00h, de forma a que assim se possa prosseguir com as actividades culturais que o Lusitano Clube promove, nomeadamente a actuação dos grupos musicais residentes, sem as quais esta Associação Centenária não sobreviverá.

16 de Julho de 2009


A direcção do Lusitano Clube
Os Peticionários


Assembleia Municipal de Lisboa inviabiliza empréstimo camarário para reabilitação urbana - Deputados do PSD, BE e CDS-PP abstiveram-se


A Assembleia Municipal de Lisboa acabou de inviabilizar um empréstimo de 120 milhões de euros que a câmara tinha negociado com a banca e com o Banco Europeu de Investimento para obras de reabilitação urbana.

A lei exigia que um empréstimo deste género fosse aprovado por maioria absoluta na assembleia, uma vez que se prolonga pelos próximos mandatos camarários, mas a abstenção dos deputados municipais do PSD, BE e CDS-PP fez chumbar as propostas dos socialistas.

Os 120 milhões destinam-se entre outras coisas a terminar obras em bairros históricos como Alfama, paradas desde o mandato anterior por causa de dívidas da autarquia aos respectivos empreiteiros. O PSD designou este plano de reabilitação urbana como uma mistificação. Entre os sociais-democratas, apenas a presidente da assembleia municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz, votou a favor .

Por Ana Henriques in Publico


Nota do Blogger: O PSD, Bloco de Esquerda e CDS, podem considerar este plano uma mistificação. Mas o facto de não terem votado contra, mas terem-se abstido, quando isso equivale ao mesmo, apenas pode indica uma coisa. Estes partidos, tendo eu já votado em todos eles, estão a brincar á democracia. Não votaram contra para não dizerem claramente aos munícipes que as obras dos seus prédios vão ter de esperar mais um ano para ser terminada ou mesmo começada. Mas sabendo que era necessária uma maioria absoluta estavam a impedir que tudo possa começar e continuar. Estranhamente o PSD que aprovou o túnel do marques que todos nós temos de pagar em algumas décadas, impediu que fosse aprovado a melhoria de dezenas de prédios em alfama e na restante cidade.

Posso não gostar do modo como a Câmara está a ser dirigida pelo António Costa, mas PSD, Bloco de Esquerda e CDS-PP, não terão o meu voto.

Muito menos pretendo votar num candidato que quer ser presidente da câmara, pois não tem outro local onde cair e pretende fazer túneis para esconder o que está por de cima.

III MARATONA DE FOTOGRAFIA DIGITAL




OS SENTIDOS DE ALFAMA
SÁB 4 JULHO 09 10h00 – 22h00
Passear em Alfama, percorrer as suas ruelas e becos, prende o nosso olhar fascinado pelo desequilíbrio dos edifícios, pela diversidade de estilos arquitectónicos, pela riqueza patrimonial. Mas também o nosso ouvido é invadido pelos sons do bairro, seja a música que sai de uma janela ou uma conversa animada entre vizinhos. O cheiro do peixe grelhado à porta de casa, o balde de água suja despejado na rua, as flores plantadas em vasos ou nos quintais improvisados, despertam-nos sensações agradáveis ou repulsivas. Por vezes o cheiro incentiva a experiência do gosto e as sardinhas assadas tornam-se irresistíveis… O passeio continua, enquanto sentimos o contraste da rugosidade das paredes em ruínas com a suavidade dos edifícios pintados de novo.
Alfama estimula todos os nossos sentidos e activa sensações e memórias para além do campo da visão. Assim, queremos proporcionar aos participantes na Maratona a oportunidade de viverem uma experiência multi-sensorial e desafiamo-los a utilizarem a fotografia não apenas como prolongamento do olhar, mas de todos os sentidos.
INSCRIÇÕES
de 15 Junho a 2 de Julho
PREÇO: 15€ (15-25 Junho) / 20€ (26 Junho-2 Julho)
http://www.app-alfama.org/

Podem consultar o regulamento aqui

Ou ver os premios aqui

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