Imagens de Alfama

Fundação Ricardo Espírito Santo: Restaurar e conservar a História com "saber fazer"

"Restaurar e preservar é palavra de ordem para mestres e aprendizes que há cinquenta anos asseguram diariamente a arte de 'saber fazer' nas oficinas de Arte e Ofícios da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, tornando-se o seu "património imaterial".
Em 1953 o banqueiro e coleccionador Ricardo Espírito Santo doou o Palácio Azurara e parte da sua colecção privada ao Estado Português. Este foi o princípio da fundação com o seu nome, criada como Museu-Escola com as finalidades de proteger as Artes Decorativas Portuguesas e os ofícios tradicionais com elas relacionadas.
Cinquenta e seis anos depois, a Fundação Ricardo Espírito Santo (FRESS) encontra-se no Palácio da Azurara, Alfama, e dispõe de 18 oficinas ligadas a ofícios tradicionais, relacionadas com a arte de trabalhar a criação e recuperação de objectos de madeira, metais, têxteis, papéis e peles, vindos de outras épocas em que não eram utilizados materiais como a cola ou os pregos de hoje em dia.
"Todo o trabalho é feito com muito rigor e muita mestria como se fosse feito há 200 anos. É esse 'saber fazer' que é a ideia inicial desta casa: criar um Museu de Artes Decorativas que funciona como Museu-Escola", disse à agência Lusa a directora do Museu de Artes Decorativas Portuguesas, Conceição Amaral.
Foi com este rigor e mestria que se restaurou recentemente o acervo e pintura do Hotel Palácio Seteais, em Sintra, numa obra que envolveu 13 oficinas de artes e ofícios e 40 trabalhadores na recuperação de duas mil peças, na sua maioria datadas do século XVIII, incluindo mobiliário, tapeçarias, luminárias, pinturas murais, gravuras e porcelanas.
A trabalhar na oficina da Talha há quase uma década, José Durão já perdeu a conta ao número de peças que tem restaurado e criado e garantiu à Lusa que, para se trabalhar nesta área, tem de se ter "paixão pela profissão".
"Trabalho na Fundação há oito anos, tirei o curso cá e continuei, como bastantes outras pessoas que vão ficando e fazendo a ponte entre os mais antigos que vão saindo por razões de reforma. Nós ficamos para dar continuidade e para ensinar os próximos de forma a que estas artes não se percam", disse.
Actualmente, José Durão encontra-se a recuperar uma estatueta de Jesus Cristo à qual o tempo se encarregou de retirar um dos dedos, e que, após intervenção na oficina da Talha, seguirá para a Pintura, de forma a concluir o restauro.
A Mestre e chefe da oficina da Encadernação e Decoração de Livros, Graça Jordão, orgulhosa da colecção de mais de dois mil ferros (utilizados para decorar os livros, alguns deles datados do século XVI), trabalha no seio desta "família" há 43 anos e após ter passado por diversas oficinas da Fundação especializou-se na recuperação de livros.
"Com os mestres que passaram pela fundação adquirimos um saber diferente que me valeu para estar agora aqui", disse a Mestre, que dá formação e pequenos cursos a "gente mais nova", de forma a garantir a continuidade deste ofício que já lhe "colocou" nas mãos "algumas pequenas relíquias", como um exemplar dos Lusíadas do século XVI.
Segundo o presidente da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, Luís Calado, as oficinas "são uma componente importante para o projecto global da Fundação, que tem três grandes núcleos".
São eles "o Museu de Artes Decorativas Portuguesas, que foi por aí que nasceu a Fundação, e duas escolas que ensinam as artes tradicionais e é daí que saem os futuros mestres oficinais".
"As oficinais são uma componente importantíssima quer do suporte às escolas quer na política de implementação de conservação e restauro que esta casa tem", sublinhou, adiantando que a Fundação é uma "instituição do Estado inserida da orgânica do Ministério da Cultura".
Segundo o responsável, "há aqui 'saber fazer' do ponto de vista da intervenção da conservação e restauro e conhecimento técnico da ciência da conservação e restauro".
"A Fundação tem competência, capacidade e organização capazes de liderar a conservação e restauro do país, quer no mercado quer em termos da formação profissional", afirmou ainda."


In Agencia Lusa

1 comentário:

Anónimo disse...

chamo me nuno rocha é de louvar o vosso trabalho na area do restauro de moveis. Informo que conheço quem tem folha de madeiras raras ex.pau rosa olho de pedriz pau santo entre outras. com os maiores comprimentos.

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