Imagens de Alfama

José Claudino Rodrigues Miguéis

José Claudino Rodrigues Miguéis nasceu em Alfama no dia 9 de Dezembro de 1901, na famosa Rua da Saudade. Rua já famosa por ter sido a ultima morada de outro grande poeta (José Carlos Ary dos Santos). Durante a sua vida auto-exilou-se nos Estados Unidos. A saudade que o fez voltar a Portugal durante toda a vida procurando ficar, mas acabando sempre por regressar aos Estados Unidos da América, a sua segunda pátria. A saudade por Lisboa e especialmente por Alfama é reparada nos seus escritos, como em “A Escola do Paraíso”, publicado em 1960: “Os paquetes atracam logo em baixo, ao cais, e a rua deve talvez o nome à saudade que para sempre ficou flutuando no sítio: a saudade dos que ficam, e a dos que partem e querem prender-se à terra, de braços, olhos e almas alongadas.”
Filho de pai galego e de mãe Beirã frequentou o Colégio Francês e o Liceu Camões.
Esteve inscrito, frequentou e concluiu o curso de direito na Universidade de Lisboa, fez colaboração com várias publicações, como “Seara Nova”, que se apresentava como meio doutrinário e crítico, com fins pedagógicos e políticos. Integrou ainda a redacção de jornais como a “República”, “O Sol”, “O Diabo”, e a revista “Alma Nova”. É nesta época que faz amizades marcantes, nomeadamente com Raul Brandão e Bento de Jesus Caraça. É com este matemático que irá fundar, em 1932, o semanário “O Globo”, suspenso no mesmo ano pela censura.
Começa, entretanto, a sua vida profissional como advogado, após a conclusão da licenciatura, em 1924. No ano seguinte, é nomeado procurador da República delegado em Setúbal. Regressa a Lisboa em 1926, tornando-se professor no Liceu Gil Vicente, o liceu da zona da sua antiga residência.
Desgostoso pela falta de liberdade de expressão, a par de um longo rol de restrições provocadas pela instituição da ditadura em 1926 -, leva a que José Rodrigues Miguéis aceite uma bolsa de estudo da Junta de Educação Nacional e parta para Bruxelas, na Bélgica, em 1929, para aprofundar os estudos na área das ciências pedagógicas. Se o objectivo era afastar as suas ideias “subversivas” do País, foi bem conseguido. É no estrangeiro que termina a primeira obra publicada, “Páscoa Feliz” (1932). Recebe, por ela, o Prémio Literário da Casa da Imprensa. Neste mesmo ano casa com a professora russa Pecia Cogan Portnoi.
Regressa a Lisboa em 1933, mas não consegue viver na capital, a falta de liberdade e a censura tolhe os movimentos deste defensor da liberdade. Parte, então, para Nova Iorque. Da viagem que faz aos Estados Unidos guarda imagens valiosas, que irá partilhar com o público na crónica “Gente da Terceira Classe”, editada em 1962.
No ano de 1940, casa em segundas núpcias com a luso-americana Camila Pitta Campanella. No mesmo ano publica um dos seus contos mais conhecidos: “Léah”. Mais tarde, integra-o num conjunto de textos aos quais dá o nome de “Léah e Outras Histórias”, pelo qual receberá em 1959 o Prémio Camilo Castelo Branco, da Sociedade Portuguesa de Escritores. Estabelece fortes laços com as comunidades portuguesa e hispânica nos EUA e em 1960 é eleito académico correspondente da Hispanic Society of America. Visita Portugal por diversas vezes, chegando a permanecer durante dois anos, entre 1957 e 1959.
Continua a publicar até ao fim da vida. “Nikalai! Nikalai!” (1971), “O Espelho Poliédrico” (1973), “Comércio com o Inimigo” (1973) e “O Milagre Segundo Salomé” (1975), recentemente adaptado ao cinema pelo realizador português Mário Barroso, são disso exemplo. Em 1976 é escolhido para membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e em 1979 recebe um dos graus da Ordem Militar de Santiago de Espada. É um dos escritores mais significativos do século XX. Sem se inserir no movimento neo-realista, revelou dar particular atenção às questões sociais, explorando os temas da emigração e do exílio, descritos com grande realismo. Quando morre, em Outubro de 1980, deixa uma vasta obra e uma influência marcante na literatura portuguesa.

2 comentários:

Anónimo disse...

foi um grande HOMEM

Anónimo disse...

grande HOMEM

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