Imagens de Alfama

Alfama e as eleições autarquicas

Alfama é um bairro esquecido pelos políticos municipais e nacionais, excepto em alturas de eleições. Nessas alturas é normal sabermos que se vai fazer algo pelo Bairro e que quatro anos depois ninguém vai reconhecer o bairro, de tão diferente que ele irá parecer.
Já tivemos todo o tipo de promessas:
  1. O Bairro iria receber obras de beneficiação totais e que dentro de 5 anos estaria totalmente recuperado (Já passaram 20 anos);
  2. As obras estarão concluídas até 2009 (e a Câmara não deve nada a ninguém, já agora).
  3. Foi condicionado o transito em Alfama com a promessa de termos mais estacionamento para habitantes e comerciantes (e hoje, mais de dois anos depois 90% das pessoas têm o carro a mais de 300 metros de casa e demoram 15 minutos para arranjar lugar).

Mas pelo menos e por pouco dinheiro já existe menos criminalidade em Alfama. Pelo menos, os próprios habitantes sentem essa segurança.

Por isso, e pelo bairro mais histórico de Lisboa solicito aos 12 candidatos à câmara Municipal de Lisboa que não desperdicem promessas, preferimos que em troca façam algo pelo bairro, pela preserverança histórica, arquitectónica, social do bairro. Alfama não é museu nem expositor de promessas eleitorais. Tratem o bairro do modo que ele merece - com respeito, nem que não seja pelos muitos anos de existência.

Critica (positiva e inteligente) da 1ª Maratona Fotografica de Alfama



Um dos maratonistas da 1ª Maratona Fotográfica Digital de Alfama mandou uma critica em relação à mesma. Deve ser lida e pensada, mais uma vez obrigado pela critica e obrigado a todos os que participaram, produziram e realizaram.


"Maratona da Fotografia Digital de Alfama."

"A APPA – Associação do Património e da População de Alfama é uma instituição criada para isso mesmo, para a defesa e dinamização das gentes e das coisas daquele bairro histórico de Lisboa. Liderada por gente jovem, uns naturais do bairro e outros, novos residentes, mas amantes do acervo humano e patrimonial daquele emaranhado de vielas, pátios, escadinhas e recantos indeléveis, daquele traçado urbano, a APPA decidiu, em boa hora, lançar-se na meritória tarefa de reconquistar os laços de Alfama com a sua população e também com todos aqueles que a querem melhor conhecer, elegendo as pessoas, as pedras e as cores de Alfama, como um processo de revitalização daquele local tão típico de Lisboa.




Esta Maratona da Fotografia Digital de Alfama foi o mote para fazer percorrer a sua urbe por dezenas de fotógrafos amadores e apaixonados, em percursos mais ou menos sugeridos, dando-lhes oportunidade para pintarem um painel colectivo, colorido e afectivo de Alfama. O concurso que lhe está adjacente, terá sido apenas um atractivo, mais um, porque o essencial mesmo, foi o passeio, o contacto com aquela realidade aqui mesmo à mão de semear, para residentes e visitantes que, por um dia inteiro, mais de doze horas, se propuseram explorar todos os recantos possíveis do bairro, olhar de outra forma a complexidade surpreendente daquele traçado e sentir o povo que ali vive há gerações e também aperceber-se da nova realidade dos jovens que entretanto ali se fixaram, movidos por uma irreverente e sadia fome de repovoar um espaço que começava a correr o risco de se despovoar ou envelhecer mais do que as pedras e memórias do seu património secular.
Foi uma jornada revigorante, compensadora e saudável. O descobrir de cada esquina, o calcorrear de vielas e desdobramentos intermináveis de becos e escadinhas, de largos e pequenos terraços floridos pelo verde de árvores sem idade e o multicolor de vasos e canteiros, o cruzar os olhos e a conversa com personagens vivas daquele cenário típico e ao mesmo tempo real. As subidas e descidas, a irregularidade intrigante do desfiar de curvas, um desenho tão casuístico e ao mesmo tempo tão óbvio, que tem a ver como a forma desordenada e caótica do espaço urbano conquistado pelas necessidades das gentes e da urgência de se vencer o acidentado do terreno. Tudo isto, num dia solarengo, preenchido por sons e odores muito ao ritmo dos santos populares. Uma sardinha assada em cada esquina, um mar de manjericos polvilhados pela calçada, as cores e desenhos das fitas penduradas entre varandas, lampiões e portais de pedra centenária, tudo disposto num cenário ideal para a festa da fotografia e da criatividade de cada participante.
E as pessoas. Os rostos e as poses duma vida e não do momento de cada imagem. As crianças. Os animais, os gestos, o som daquela cor esfuziante de vida agarrada àqueles espaços de gerações ali criadas. A disponibilidade de cada pessoa, sempre receptiva a um retrato. Mais um e sempre o mesmo captar das rugas, de corpos ali sentados, qual estátuas vivas e serenas do imenso quadro ali criado, desde há séculos. Alfama virada ao Tejo, com o castelo nas suas costas e encostas, redescobrindo-se em cada nova esquina e preservando o sentido das coisas simples e complexas, como são as vidas das pessoas, os seus universos, os seus usos e costumes e a sua crença na eternidade dos espaços que os ajudaram a crescer.
A APPA está de parabéns! Assim se preserva a memória e se projecta o futuro, mesmo daquilo que se pensa ser velho. Assim se partilha o espaço que a todos deve pertencer e se responsabilizam os outros pelo respeito que nos devem merecer os sinais e as realidades que recebemos dos nossos antepassados. Tudo pertence a todos e a cada um compete estar reconhecido pelo que as gerações passadas nos legaram. Respeitar e manter vivos espaços como este, é um dever de todos e que não compete só aos residentes, mas a todos. Porque tudo é de todos e todos somos de toda a parte, cidadãos da identidade local, regional ou global a que pertencemos."


Ernani Balsa

Fronteiras de Alfama

Uma das grandes questões que é colocada ás pessoas que moram na fronteira de Alfama é se fazem ou não parte do Bairro.

E a conclusão a que chegam tem a ver com a impressão que têm do mesmo.

Se perguntarmos a uma pessoa que goste de Alfama e que mora do Pátio do Carrasco se vive em alfama, obviamente que diz que sim e tem muitos argumentos:


  1. O pátio característico de Alfama,

  2. A arquitectura,

  3. O ambiente e a convivência que se vive, típica do Bairro.

No entanto, se perguntarmos a alguém que mora no mesmo local mas que tem uma visão negativa do Bairro vem logo dizer que não. porque:



  1. Vive na Freguesia de Santiago,

  2. Alfama fica do outro lado da Rua;

  3. E que está mais perto da Freguesia do Castelo, fazendo parte deste.

Ora tal discussão para além de não ter muito sentido, serviu para ver melhor onde termina o Bairro.


Tendo em conta, a arquitectura, a história, e a sociedade penso que poderemos delimitar Alfama nestes parâmetros.


Engloba a parte central do Bairro, freguesias de Santo Estêvão e São Miguel, a parte de Lisboa existente dentro da muralha moura, sem contar com o Castelo, freguesia da Sé e Santiago e a parte oriental de Santo Estêvão, que tem as mesmas características arquitectónicas e de sociedade, freguesia de São Vicente de Fora.


Assim, Alfama comporta 5 freguesias:

  1. São Miguel

  2. Santo Estêvão

  3. Santiago


  4. São Vicente de Fora

Igreja de Santo António


A Igreja é de fundação medieval e com influência manuelina, a Igreja dedicada a Santo António é hoje um monumento pós-terramoto. Tendo sido este mais uma das vitimas do malogrado terramoto de 1 de Novembro de 1755. Edificado entre 1767 e 1787, segundo um projecto de Mateus Vicente de Oliveira, cujo arco contracurvado da fachada principal lhe é tão característico.


No entanto, existiu algumas dificuldades financeiras para a conclusão do mesmo. Existindo um peditório onde se solicitava um "tostãozinho para o Santo António" - ou seja, um peditório para a Igreja. Costume que ainda hoje se vê no Bairro de Alfama, onde é muito fácil no mês de Junho encontrar uma criança a pedir um "Tostãozinho para o santo António".
O produto final da igreja conjuga elementos díspares como o portal ainda filiado no barroco joanino e a cartela rococó na fachada sul. A Igreja é de nave única com cobertura em abóbada de berço e utilização abundante de mármores. Salienta-se igualmente a riqueza pictórica das capelas, concebida por Pedro Alexandrino, o programa azulejar da sacristia que data da 2º metade do século XVIII e as grades neo-medievais do Arquitecto Vasco Regaleira que imitam a célebre grade da Sé de Lisboa.


Junto à Igreja encontram-se o Museu Antoniano onde é possível ver as ruínas da casa da Família Bulhões, onde nasceu Fernando Martins de Bulhões -Nome original do Santo António.


Hoje o Santo António é o santo favorito dos Lisboetas, colocando em segundo lugar o santo padroeiro da cidade - São Vicente de Fora. Talvez por este ter sido um santo de origem espanhola e por ter tido como devotos os Reis Filipes de Espanha, entre 1580 e 1640, veio criar algum afastamento dos portugueses e essencialmente de Lisboetas.


É apenas mais uma das coisas a conhecer em Alfama.

Alfama II

Conforme tinha dito noutro texto, Alfama não foi um bairro estrategicamente pensado, as casas foram sendo construídas de acordo com as necessidades e com o desnível do terreno.
Ao contrário do Bairro Alto, outro bairro histórico de Lisboa, que foi planeado com ruas paralelas e perpendiculares, Alfama cresceu e sobreviveu com base nas necessidades das pessoas. E, por isso, mantêm as suas características.
Já dizia o Poeta "Alfama é uma casa sem janelas" (Ary dos Santos). Alfama não é um bairro. se tomarem atenção, quando entrarem em Alfama entram numa casa, com muitas assoalhadas, e com prós e contras de todas as casas.
Como vantagens, toda as pessoas conhecem todas as outras em Alfama. Quando acontecer algum imprevisto irá ter sempre ajuda de um vizinho. O sentido de pertencer ao Bairro é maior em Alfama do que em qualquer outro local na cidade. Por isso vão ver muitas casas com as portas abertas em Alfama, por um lado, as casas são escuras e pequenas e por isso a porta aberta para entrar luz e a rua como extensão da casa, por outro lado, e como é normal na nossa casa, não fechamos a porta de uma assoalhada, costuma ficar aberta.
Como desvantagens temos o facto de que nada se passa na nossa vida que os outros não saibam. Não podemos fazer uma pequena festa em casa sem que no outro dia alguém, que pensamos que nunca tínhamos visto, nos venha dizer algo como "grande festa vizinho!"
Mas isto é mais uma das características de Alfama.
Mas não me achem saudosista eu gosto da arquitectura e da fisionomia das rua, mas detesto como grande parte das casas estão.
Gostar de Alfama não é gostar de ver os prédios a cair de existirem casas sem WC completo. Pois, é verdade, até ao século XVIII, pelo menos, as pessoas não tomavam banho em casa. Até os ricos com grandes palácios tinham a casa de banho separada. Lembrem-se que não existia rede de esgotos. Os ricos tinham a casa de banho separada com uma fossa por baixo, os pobres e classe média tinham uma pia. E para tomar banho iam aos balneários públicos. Estes ainda existem em Alfama, bem como os Lavadouros públicos.
na freguesia de Santo Estêvão temos um Balneário público na Calçadinha de Santo Estêvão, n.º19 e dois Lavadouros um na Rua dos Corvos e outro no Beco do Mexias.
Mas é preciso melhorar as habitações em Alfama.
É com pessoas novas que Alfama pode vencer o futuro. jovens que não se importam de ter uma casa pequena e de subir as escadas a pé. Mas é necessário que o preço das casas seja justo. E que não esteja inflacionado pelo facto de estar no centro da Cidade.
Uma casa em Alfama não pode estar sujeita à especulação imobiliária, pois assim, vemos cada vez mais casas para venda que não se compram devido ao valor que pedem por elas.
Saber que existe um T1 em Alfama de um prédio do SEC. XVIII, apesar de estar recuperado por 85.000€, quando eu posso comprar em Santa Maria dos Olivais um T1 de 1994 por 53.000€, vem afastar as pessoas de Alfama e não trás pessoas para proteger e desenvolver o Bairro.

Alfama

Alfama é o bairro mais antigo da cidade de Lisboa. mas tal não quer dizer que foi onde começou a cidade. A cidade começou junto a Alfama ou, sendo mais concreto, também em Alfama. Mas a parte central do bairro era fora da cidade. Obviamente por questões de segurança Lisboa começou junto ao rio. Perto da actual zona da Baixa Pombalina, que não existia - era um braço de rio que se estendia até ao actual Rossio - e obviamente na Zona do Castelo - por questões de segurança. No tempo dos romanos e de certeza no tempo dos árabes foi feito uma muralha de segurança que se estendia por estes sítios.
  • Circundava o castelo, descia pela actual Calçada do Correio Velho até ao rio -que ficava onde hoje é a rua dos bacalhoeiros e subia junto ao Chafariz d'el Rey até ao castelo.

Grande parte de Alfama ficava no arrabalde oriental da cidade. O outro arrabalde ficava a praia - actual Baixa pombalina.

Alfama, como em todas as cidades que se desenvolveram começou logo a crescer por fora das muralhas. Havia a necessidade de habitação para a população. assim, criou-se Alfama.

Tem uma forma típica de bairros árabes, com ruas estreitas, becos, pátios, e as escadas e patamares como modo de superar a inclinação natural do bairro.

Ao contrário do que muitos pensam, o bairro não é assim desde o inicio. O bairro era, como naturalmente, uma bairro de pisos térreos. A falta de espaço é que foi aumentando a dimensão do bairro em altura. Tal é visível em prédios cujo rés do chão é do SEC. XV ou XVI e tem pisos superiores do SEC. XVIII.

Mas tal fica para outra oportunidade.

Prisão do Aljube



A prisão do Aljube, foi uma das prisões do antigo regime, fechada a seguir ao 25 de Abril de 1974, sendo hoje a sede do Instituto de Reinserção Social.

A prisão do Aljube, devido ás suas características nunca foi uma prisão para cumprimento de penas, mas uma prisão onde os presos ficavam quando estavam a ser interrogados na sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso.

O local onde a prisão estava facilitava a comunicação dos presos que não estavam na solitária de comunicar com os vizinhos do pátio com o mesmo nome, mandando e recebendo informações dos familiares.

O terraço da Sé catedral facilitava que os presos que se encontravam nas celas da frente do mesmo pudessem ver os familiares, que ao domingo depois da missa iam para o terraço para comunicar com os detidos.
Chegou a existir presos que a primeira vez que viram os filhos foi através das celas em cima do terraço.
A tortura mais usada nesta prisão era a tortura da solidão nos "curros" - celas com o cumprimento do corpo a a largura do tronco, mais um braço estendido. Onde não existia luz natural e a luz eléctrica praticamente não se acendia. os presos, em nome da resistência física, inventaram jogos para se distraírem e resistirem. Jogos de futebol com os botões das camisas, jogo da batalha naval com o companheiro da cela do lado onde as jogadas eram transmitidas através de batidas nas paredes.
Quando estavam juntos havia a "ida ao cinema" - um dos presos contava a história de uma filme que tinha visto cá fora.
Muitos sucumbiram e muitos resistiram. Todos foram heróis. hoje temos a liberdade que muitas vezes não sabemos usar. Nunca se esqueçam a Liberdade custou a ser ganha mas perde-se num estante. Mas acima de tudo e apesar de a Liberdade ser um direito, A MINHA LIBERDADE TERMINA ONDE COMEÇA A TUA E VICE VERSA.

Centro de Estudos Judiciários

É longa e rica a história do local onde se situa, actualmente, o Centro de Estudos Judiciários.
Sabe-se que nesse lugar existiu o paço real (morada do Rei) que terá servido no tempo de D. Afonso III.
Esse edifício teve, ao longo da história - por vezes, em simultâneo - várias denominações.
Foi "Paços de a-par-de S. Martinho" por se situar em frente da igreja paroquial que tinha como orago o referido santo, tida por uma das mais antigas de Lisboa. O Paço e o templo estavam ligados por um arco ou passadiço, passando por cima da actual Rua Augusto Gil.
Foi "Paço dos Infantes", por ter sido nela que habitou os filhos de D. João I. Mas, Júlio de Castilho, ilustre olisipógrafo e ao qual deram o nome do jardim ao lado do Miradouro de Santa Luzia, sustentou ser outra a origem da denominação. Defendendo que os Infantes que deram nome ao paço devem ser os filhos do Rei D. Pedro I e de D. Inês de Castro, os célebres D. João e D. Dinis. Esta tese encontra apoio no cronista Fernão Lopes que, referindo-se a factos do tempo do Rei D. Fernando, diz que o soberano "pousava estomçe nos paaços que chamavom dos Iffantes, que som açerca dessa egreija". A ser verdade, como parece resultar do texto do nosso ilustre cronista, que já no reinado de D. Fernando o paço era conhecido como "dos Infantes", esta denominação não poderia referir-se aos filhos do Mestre de Avis e de D. Filipa da Lencastre.

Lembrem-se que D. João I foi o primeiro rei da segunda dinastia e que que D. Fernando foi o ultimo da primeira dinastia. Eram ambos meios irmão, pelo lado paterno. sendo que D. João I era filho ilegítimo.
Outra denominação foi a de "Paços da Moeda". É sabido que a oficina dos moedeiros, no tempo de D. Dinis, funcionava no Campo da Pedreira, no Bairro de Alfama, junto às casas da Universidade. Hoje Pátio dos Quintalinhos. Com a transferência para Coimbra, no ano de 1308, do Generale Studium, os moedeiros ficaram a ocupar-lhe o lugar. Regressada a Universidade a Lisboa, em 1338, a oficina de fabrico de moeda foi instalada nos "Paços de a-par-de S. Martinho – em parte deles ou em edifício contíguo -, o que originou a nova denominação "da Moeda".
Presumindo-se que os moedeiros estiveram instalados nos Paços entre 1338 e pelo menos 1354, admite-se ter sido esse o local de realização das Cortes de 1352, cujos capítulos gerais atestam que a assembleia teve lugar "nos moedeijros".
O Rei D. Pedro I, nas suas deslocações à cidade de Lisboa, pousava nos Paços a-par de S. Martinho, preferindo-os aos da Alcáçova.
O sucessor de D. Pedro revelou idêntica predilecção, tendo o referido Paço Real servido de residência a D. Fernando e D. Leonor Teles.
Durante a crise de 1383-1385, o Paço Real de a-par-de S. Martinho foi o cenário de acontecimentos dramáticos, narrados magistralmente pelo cronista Fernão Lopes.
Referimo-nos à tarde de 6 de Dezembro de 1383 e ao assassínio de João Fernandes Andeiro, conde de Ourém, às mãos de D. João, Mestre de Avis, e de Rui Pereira, que teve lugar no referido paço, numa sala contígua à câmara régia. Seguiu-se um verdadeiro tumulto na cidade de Lisboa, orquestrado pelos partidários do futuro D. João I, pelo que, só na calada da noite e em segredo, a Rainha D. Leonor Teles mandou sepultar, na Igreja de S. Martinho, o corpo do conde assassinado. Desta história também é de recordar a morte do Bispo da Cidade de Lisboa, que foi mandado pela torre norte da Sé Catedral ao não ter obedecido ás ordens dos partidários de D. João I, Mestre de Avis, de por os sinos a tocar para chamar a atenção do povo do perigo que ele tinha ás mão do Conde Andeiro.
O novo monarca utilizou o paço como residência durante algum tempo, enquanto não acabavam as obras que mandara realizar nos Paços da Alcáçova. No entanto, no início do século XV, o local já ganhara mais uma denominação: a de "Paços do Infante herdeiro", por ser local de residência do infante D. Duarte.
Por essa altura, numa parte das dependências do paço, estavam instaladas as Comendadeiras do Mosteiro de Santos-o-Velho, de que era superiora Inês Pires, de quem D. João I tivera, fruto de amores juvenis, dois filhos: D. Beatriz de Portugal e D. Afonso, que veio a ser conde de Barcelos e 1º duque de Bragança.
Há notícia de que, em meados do século XV, residiram neste paço as irmãs de D. Afonso V – uma delas a infanta D. Leonor, futura imperatriz da Alemanha pelo seu casamento com Frederico III.
No tempo de D. João II, o Paço de S. Martinho, sede do Desembargo do Paço, já funcionava como cadeia e ganhara um novo nome: Paço do Limoeiro ou, mais simplesmente, Limoeiro, em alusão a uma árvore que existia – supõe-se - no local e caracterizava o sítio.
D. Manuel I empreendeu importantes obras no paço. Conta Damião de Góis, referindo-se ao monarca: "Fez de novo em Lisboa junto da igreja de São Martinho os Paços da Casa da Suplicação e do Cível, e cadeia do Limoeiro, obra muito magnífica, e sumptuosa, onde dantes fora a casa da moeda (...)."
Foi assim, com esta dupla função de cárcere (em baixo) e de Tribunal (nos pisos superiores), que o Limoeiro se manteve até ao século XVIII.
Ao Limoeiro eram conduzidos todos os condenados ao degredo nos territórios ultramarinos, a fim de aguardarem nas suas prisões o dia do embarque.
Saliente-se que no Limoeiro existiam duas cadeias: a Cadeia da Cidade e a Cadeia da Corte, que eram distintas.
No tempo de D. João V, o Limoeiro recebeu beneficiações.
No fatídico dia 1 de Novembro de 1755, pelas nove da manhã, a terra tremeu violentamente em Lisboa. O grande terramoto semeou destruição e morte. O Limoeiro ficou seriamente danificado, produzindo-se a derrocada total da Cadeia da Cidade e parcial da Cadeia da Corte, havendo notícia de que os presos puseram-se todos em fuga. Apesar da severidade dos danos, o prior da paróquia de S. Martinho, respondendo ao inquérito efectuado, em 1758, aos diversos párocos da cidade, indicou terem morrido na área da sua paróquia, vitimadas pelo terramoto, apenas trinta pessoas. Na mesma resposta, o prior informa que a Cadeia da Corte já estava, ao tempo, reabilitada.
Do edifício do Limoeiro foram retirados os tribunais da Casa da Suplicação, transferidos para as casas históricas dos condes de Almada, junto ao Rossio.
No século XIX, pensou-se, segundo Júlio de Castilho, "na edificação de uma boa cadeia pública, segundo as normas da higiene, e as prescrições da boa polícia moderna".
Realizadas as obras, o edifício ficou, a partir daí, com uma configuração exterior já próxima da actual. Do magnifico paço medieval, coroado de torres e coruchéus, de que nos falam algumas crónicas e estampas antigas, só restou a memória histórica e a evocação romântica de Herculano no seu Monge de Cister.
O poeta Pedro Correia Garção (em 1771), o poeta Barbosa du Bocage (1797), o pintor Domingos Sequeira (1808) e o escritor Almeida Garrett (1827) foram algumas das personalidades de vulto que conheceram os cárceres do Limoeiro. Também Hipólito da Costa, fundador, em 1808, do Correio Brasiliense (ou Armazém Literário), primeiro órgão da imprensa brasileira (ainda que publicado no exterior), foi um dos infortunados que passaram pela célebre prisão.
É negro o quadro traçado por Oliveira Martins, reportando-se ao Limoeiro no tempo do terror miguelista: "Os homens eram amontoados, empurrados a pau para a sociedade dos assassinos, nessas salas imundas, habitação de misérias informais. Davam-lhes sovas de cacete miguelista, e por dia um quarto de pão e caldo, onde flutuava, raro, alguma erva" (Portugal Contemporâneo).
Nos finais do século XIX e inícios do século XX, multiplicaram-se as críticas ao funcionamento da cadeia do Limoeiro, referida por Francisco de Melo e Noronha como "a escola repugnante de todos os vícios, a nódoa imunda que envergonha a nossa capital aos olhos dos estrangeiros (...)".
Atingido por diversos incêndios, como os de 1918 e de 16 de Maio de 1933, as obras de reconstrução e remodelação do edifício prolongaram-se pela década de 1940.
A cadeia ainda se manteve em funcionamento durante breves meses, após 25 de Abril de 1974. Em Julho desse ano, com a transferência dos presos que aí se encontravam para outro estabelecimento prisional, encerrou-se um longo capítulo da história do Limoeiro.
Tendo acolhido, transitoriamente, alguns portugueses retornados das antigas colónias africanas, as instalações do Limoeiro estiveram durante alguns anos desocupadas, até que, em Dezembro de 1979, foram atribuídas ao Centro de Estudos Judiciários.
Iniciou-se, então, uma nova história. Hoje já não se prende ninguém, mas ensinam-se os jovens para dar justiça á nossa sociedade e nalguns casos para prender quem não cumpre as regras da sociedade.

Arco de Jesus


Este arco situado na Rua do Cais de Santarém, ao lado do número 66 e dá acesso à Rua de S. João da Praça.Das primitivas doze portas da cerca moura esta é a única que se manteve até aos nossos dias,embora bastante alterada. Mas pelo menos sabemos que ali existia uma porta do tempo da cerca moura ou romana. Daí a sua classificação como Monumento Nacional. Supõe-se que esta passagem foi utilizada pelos Cruzados quando auxiliaram D. Afonso Henriques,por altura da tomada de Lisboa em 1147. Após ter assumido várias denominações, tais como Porta do Mar (a S. João), Postigo Gil Eanes da Silva, Postigo do Conde de Linhares, adoptou a designação de Arco de Jesus, que se manteve inalterada desde 1588. A origem deste nome reside provavelmente no painel com a imagem do Menino Jesus que exibiu na abóbada, sobre o fecho do arco, do lado interior, até 1627. Aí existiu, também, um outro painel, este de Sto. António, colocado dentro de um oratório por cima do vão da travessa que conduz a S. João da Praça. Resultante do arco surge uma rua pública com 3,3 m de largura e 9 m de comprimento, cujo piso da via se apresenta metade em rampa e metade em escadaria.

Maratona no Jornal de Noticias

O histórico bairro lisboeta de Alfama foi ontem invadido por mais de uma centena de fotógrafos amadores, que durante cerca de 12 horas procuraram captar das mais diversas formas o ambiente peculiar do local. Cerca de 120 pessoas , que se inscreveram na I Maratona de Fotografia Digital de Alfama, percorreram, de máquina fotográfica em punho, as ruas do bairro, com muita vontade de o conhecer e de passar um dia diferente.Na Rua do Salvador, frente ao mais antigo sinal de trânsito da capital - data de 1686 e dá prioridade aos coches que sobem a rua, excepto se for o real, que tem sempre prioridade -, Ana Pires, Daniela Romão e Heike Himmel apontavam as suas câmaras. Depois de fotografada a curiosidade, que a muitos passa despercebida, os três jovens explicaram ser colegas de escola, na António Arroio, em Lisboa, e que nenhum reside na capital. Além da paixão pela fotografia, foi a possibilidade de poderem conhecer melhor o tradicional bairro alfacinha que os levou até à maratona. Heike é o mais velho dos três, com 18 anos, e pretende fazer do mundo da fotografia a sua vida futura. A participação na iniciativa vai servir para aplicar o que já aprendeu e também para aprofundar conhecimentos. Ana, de 17 anos, pretende seguir as pisadas e seguir a mesma carreira. Foi também para melhor conhecer o bairro que Rui Soares atravessou o Tejo e foi ver 'in loco' as ruas de Alfama. "Moro de frente para o bairro e vejo-o do outro lado do rio, mas esta é uma maneira de conhecer o local", explicou, o bancário de 43 anos.A I Maratona de Fotografia Digital de Alfama foi organizada pela Associação do Património e da População de Alfama. Marta Martins, explicou que o principal objectivo é alertar os participantes para a população e património do bairro. "Pretendemos que percebam Alfama, que não é um museu, mas que se pode cá viver e é preciso dinamizar". Até 15 de Agosto os nomes dos vencedores serão publicados no site da APPA e quem ganhar terá direito a prémios monetários e a ver as suas fotos expostas.
Monica Costa
Fotografia de Bruno Simões Castanheira

Vidas de Alfama

Alfama, apesar de ser um bairro a preservar, tem alguns problemas que não podem ser descurados.
Desde logo, a toxicodependência, o alcoolismo, a gravidez juvenil, a falta de escolaridade dos habitantes, e , até há bem pouco tempo, a pequena criminalidade.
Começando pela parte boa, o facto de existir dois policias que andam de motorizada em Alfama, que andam por todos as ruas, becos e escadinhas e por falarem com os habitantes veio dar um certo ar de mais segurança. Que, na realidade já é verdade.
Fico contente por ver que o meu bairro está mais seguro, que poderá dar mais segurança a quem o visita, a quem vive nele, a quem o adora.
Por outro lado, a falta de escolaridade da população, especialmente a mais nova, veio trazer todos os outros problemas. O alcoolismo, a toxicodependência, a gravidez juvenil, no fim, o fado das habitantes de Alfama.
Penso, e penso não estar errado, que a grande solução de Alfama não passa só pela recuperação habitacional. Passa pela recuperação da população e pela sua maneira de pensar. É necessário que a população invista mais nela própria. Queira ser melhor do que é. Queira progredir. Só querendo melhor do que os nossos antepassados poderemos melhorar as nossas vidas.
E isto não é ofender os nossa ascendentes é dar-lhes orgulho. Eu quero que os meus filhos sejam melhores do que eu. Assim, melhorando a vida, olhando para ela de outro modo eu vejo o meu bairro de outro modo. Já não ponho grafite nas paredes, pinto-as; já não roubo os azulejas, protejo-os; já não ofendo os visitantes, sou simpático com eles, já não ofendo o meu bairro, divulgo-o.
Por muito que adore este bairro fico triste quando vejo que alguns dos meus companheiros de infância já morreram. Vitimas de uma promessa de vida fácil que provocou a sua morte por Sida.
Fico triste quando dou uma moeda por estacionar o meu carro a um amigo de infância que tinha o sonho de ser piloto e, de sonho em sonho, entrou no pesadelo da droga.
Fico triste quando vejo uma adolescente que conheço desde que nasceu, trocar o seu sonho por duas crianças indesejadas, que irão sofrer o resto da vida duas noites não pensadas.
Mas a esperança é a ultima a morrer. Todos juntos poderemos mudar as coisas. Uma de cada vez, e uma só longo prazo. devemos dar informação sobre as consequências da droga e de doenças sexualmente transmissíveis. Apesar de existir muitas campanhas de informação, nunca nenhuma será demais. Ter um local onde, discretamente a população se poderá dirigir e colocar as suas duvidas, sem que o resto da população possa veja os seus problemas.
E no fim, dar instrução para que, pelo menos a próxima geração não cometa os mesmos erros que a minha.

Casa dos Bicos

A Casa dos Bicos é um monumento localizado em Alfama. A casa foi construída em 1523, a mando de D. Brás de Albuquerque, filho natural legitimado do Governador da Índia, Afonso de Albuquerque, sendo destinada à habitação. É situada a oriente do Terreiro do Paço, perto de onde ficavam a Alfândega, o Tribunal das Sete Casas e a Ribeira Velha (mercado de peixe e de produtos hortícolas, com inúmeras lojas de comidas e vinhos), na Rua dos Bacalhoeiros, frente ao Campo das cebolas.
Sua fachada está revestidas de pedra aparelhada em forma de ponta de diamante, os "bicos", sendo um exemplo único de arquitectura civil residencial no contexto arquitectónico lisboeta. Os "bicos" demonstram uma clara influência renascentista italiana. Na verdade, o proprietária da Casa dos Bicos mandou-a construir após uma viagem sua a Itália, onde terá visto pela primeira vez o Palácio dos Diamantes ("dei diamanti") de Ferrara e o Palácio Bevilaequa, em Bolonha. No entanto, sendo naturalmente menor que este palácios, a distribuição irregular das janelas e das portas, todas de dimensões e formatos distintos, conferem-lhe um certo encanto, reforçado pelo traçado das janelas dos andares superiores, livremente inspiradas nos arcos trilobados da época.
Na sua planta inicial tinha duas fachadas de pedras cortadas em pirâmide e colocadas de forma desencontrada, onde sobressaltavam dois portais manuelinos, o central e o da extremidade oriental, e ainda dois andares nobres. A fachada menos importante, encontrava-se virada ao rio. Sendo aquela que, parte dela, sobreviveu ao terramoto. Apesar de extremamente conhecida, nem era a fachada principal do edifício.
Com o terramoto de 1755, tudo isto se destruiu e desapareceram estes dois últimos andares. A família Albuquerque vendeu-a em 1973. Em 1983, por iniciativa do comissariado da XVII Exposição Europeia de Artes, Ciência e Cultura, foi reconstruída e foi reposta a sua volumetria inicial (foram acrescentados os dois andares que haviam desaparecido na tragédia). Algo que é visível a olho nu.Com esta reconstrução, a Casa dos Bicos funciona hoje como local de exposições e da vereação da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, tendo já sido utilizada como armazém e como sede de comércio de bacalhau.

SOS Azulejo

O Projecto “SOS Azulejo” é de iniciativa e coordenação do Museu de Polícia Judiciária (MPJ), órgão do Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais (ISPJCC), e nasceu da necessidade imperiosa de combater a grave delapidação do património azulejar português que se verifica actualmente, de modo crescente e alarmante, sobretudo por furto, mas também por vandalismo e incúria.
Tem os seguinte Objectivos:
  • Sensibilizar fortemente para o problema da crescente delapidação do património azulejar, a diversos níveis, e para a necessidade imperiosa da tomada de medidas a curto, médio e longo prazo;
  • Identificar e divulgar as principais causas de perdas de azulejos históricos e artísticos a nível criminal e de conservação;
  • Identificar, implementar, incentivar e divulgar medidas eficazes (e tanto quanto possível simples) de prevenção criminal e conservação, que impeçam o furto, o vandalismo e a ausência de cuidados de conservação de azulejos históricos e artísticos (nomeadamente: normas e medidas de segurança, fiscalização de antiquários e feiras, inventários, normas e medidas de conservação preventiva, etc).
  • Contribuir para o desenvolvimento e divulgação da investigação científica e práticas profissionais de conservação e restauro de azulejos históricos e artísticos mediante a elaboração e publicação de um Manual de Conservação e Restauro de Azulejos Históricos e Artísticos para profissionais e estudantes desta área disciplinar;
  • Criar as ferramentas e os suportes de divulgação necessários à disseminação dos vários tipos de conteúdos deste Projecto, nomeadamente página da internet, spots televisivos, brochura(s) informativa(s), exposição multimédia itinerante, DVD pedagógico e de apresentação;
  • Organizar e/ou promover a organização de eventos sobre a problemática do Projecto, nomeadamente: seminário(s), workshops e acções de formação, exposição multimédia itinerante, pedipaper e concurso de fotografia, etc;

Se pretender saber mais siga o link:

http://www.policiajudiciaria.pt/htm/diversos/sosazulejo.htm

1ª Martona Fotografica de Alfama


Decorreu durante o dia 23 de Junho, a 1ª Maratona Fotográfica de Alfama. Teve a participação de cerca de 100 pessoas que puderam conhecer Alfama e ver as suas gentes.
Foi uma experiência que agradou aos participantes, organizadores e aos moradores de Alfama.
Foram apresentadas surpresas aos concorrentes durante o dia todo. No final do dia, puderam ver a Marcha de Alfama que desfilou e fez a sua apresentação no Rossio de Alfama - Largo de Chafariz de dentro. No final da Maratona todos os concorrentes trocaram experiência, descansaram e puderam comer na Colectividade Adicense. A festa durou até cerca das 2 da manhã.
Os concorrentes quiseram saber para quando a segunda Maratona, pois grande parte pretende inscrever-se novamente.
os meus parabéns a Alfama, à Associação do Património e População de Alfama e aos concorrentes que agora já podem dizer que conhecem Alfama.

Cerca Antiga e Lisboa


Diz a lenda popular e romântica que a cidade de Lisboa foi fundada pelo herói grego Ulisses. No entanto, está provado que nessa época os Fenícios viajavam até às Ilhas Scilly e à Cornualha, na Grã-Bretanha, para comprar estanho. Foi fundada uma colónia, chamada Alis Ubbo, que significa "enseada amena" em fenício. Essa colónia estendia-se na colina onde hoje estão o Castelo e a Sé, até ao rio, que chamavam Daghi ou Taghi, significando "boa pescaria" em fenício. Com o desenvolvimento de Cartago, também ela uma colónia fenícia, o controlo de Alis Ubba passou para essa cidade.
Os Gregos antigos tiveram provavelmente na foz do Tejo um posto de comércio durante algum tempo, mas os seus conflitos com os Cartagineses por todo o Mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono devido ao maior poderio de Cartago na região nessa época.
Após a conquista a Cartago do oriente peninsular, os Romanos iniciam as guerras de pacificação do Ocidente. A cerca 205 a.C., Olissipo alia-se aos Romanos, lutando os seus habitantes ao lado das legiões. É absorvida no Império e recompensada pela atribuição da Cidadania Romana aos seus habitantes, um privilégio raríssimo na altura para os povos não italianos. Felicitas Julia, como a cidade viria a ser reconhecida, beneficia do estatuto de Municipium, juntamente com os territórios em redor, até uma distância de 50 quilómetros, e não pagava impostos a Roma, ao contrário de quase todos os outros castros e povoados autóctones, conquistados. Foi incluída com larga autonomia na província da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta, a actual Mérida (na Extremadura Espanhola).
No tempo dos Romanos, a cidade era famosa pelo garum, um molho de luxo feito à base de peixe, exportado em ânforas para Roma e para todo o Império, assim como algum vinho, sal e cavalos da região.
No fim do domínio romano, Olissipo seria um dos primeiros núcleos a acolher o cristianismo.
Lisboa foi então tomada no ano 719 pelos Mouros provenientes do norte de África. Em árabe chamavam-lhe al-Lixbûnâ. Construiu-se neste período a cerca moura. Só mais de 400 anos depois os cristãos a reconquistariam graças ao primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques e ao seu exército de cruzados, em 1147. O primeiro rei português concedeu-lhe foral em 1179. A cidade tornou-se capital do Reino em 1255 devido à sua localização estratégica. A seguir à reconquista, foi instituída a diocese de Lisboa que, no século XIV, seria elevada a metrópole (Arquidiocese).
No entanto, descobriu-se que a famosa Cerca Moura foi construída sobre um muralha mais antiga, a muralha Romana. Pois, já os romanos amuralhavam as cidades. Tal é visível na muralha da Rua Norberto de Araújo, pelas pedras que parece que têm “barriga”. É uma maneira de fazer muralhas romanas e não árabes. Estes aproveitaram a muralha existente e melhoraram-na, acrescentaram-na, para se protegerem.

Miradouro de Santa Luzia II

Houve tempos em que o Miradouro de santa Luzia era assim.






Tinha azulejos, estátua do Dr. Júlio Castilho, espaços verdes e sombras:

No entanto, como começaram a roubar os azulejos e, tendo em vista recuperar em pleno o Miradouro, foram começadas obras, para dar mais prazer a quem o visitasse. Conforme fotografia que se vê a seguir.



Já não sei há quantos anos foi, mas as obras ainda não acabaram e hoje mete dó ir visitar este local mais bonito do que as imagens conseguem transparecer. temos pouca vista da cidade e de Alfama, não existe sombra e o local parece um estaleiro de obras.

Hoje está assim:




Para quando a devolução do Miradouro aos Lisboetas, Turistas e de quem o visitar.




Isto faz lembrar os versos do poeta:




"Alfama não cheira a fado




Mas não tem outra canção"




Ary dos Santos




Largo do Chafariz de Dentro




O Largo do Chafariz de dentro foi construído no SEC. XIII, junto à praia. Foi durante muitos séculos o Rossio do arrabalde ocidental de Lisboa conhecido como Alfama.

O Largo tem este nome por se encontrar dentro da muralha Fernandina e existir outro chafariz que ficava do lado de fora da muralha, conhecido por chafariz da Praia. Tal pode ver-se através da diferença de calçado que está no largo do chafariz de dentro que para quem observar repara que existe uma diferença entre a calçada normal e umas pedras que mostra o local onde estava a muralha. Tal colocação de pedras difrentes foi uma situação recente depois de se descobrir que existia resquicios da muralha nesse local.

Por outro lado, existe um prédio, vejam a fotografia seguinte:
As escadas para o prédio são por detrás e conforme se nota pelo telhado são de seguida. Acresce que foram feitas fora do prédio.

Isto demonstra que se aproveitou as escadas que davam acesso à muralha, para um prédio quando a mesma deixou de ter utilidade e foi mandada a baixo.

O Chafariz chamava-se de dentro pois existia junto ao actual museu do fado outro chafariz, fora da muralha, denominado Chafariz da Praia. Conforme imagem que junto

O chafariz também foi e é chamado de tanque do cavalos. Tal existe por duas razões, devido ao tanque que tem no meio para dar de bebida aos animais. Na grande maioria cavalos, mulas e vacas e porque, quando foi feito, as bicas de agua tinhas cabeças de cavalos em bronze.
Alfama, do árabe Al-hama, teve durante muito séculos muitas fontes, tanto mais que quando se instalou a estação elevatória era para recolher a água das fontes que existiam, e ainda existem (apesar de estarem fechadas), em Alfama.

Museu do fado - Estação Elevatória de Alfama


Com o objectivo de solucionar o problema da falta de água em Lisboa em 1868/1869, edificou-se este reservatório com sistema elevatório que captava as águas de Alfama.

Em 1880,o edifício converte-se num simples ponto de apoio da estação principal dos Barbadinhos. Foi alvo de uma profunda reabilitação através de um projecto do arq. Santa-Rita, de acordo com o Projecto Integrado do Chafariz de Dentro, lançado pelo município, para aí instalar a Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa, inaugurada em Setembro de 1998.

Este museu contém um riquíssimo acervo documental constituído por colecções discográficas, fotografias, filmes,cartazes, periódicos, repertórios, partituras, programas, troféus, adereços, instrumentos e objectos diversos. Através de uma sucessão de ambientes recreados por meios audio-visuais, o visitante é convidado a conhecer a história do fado, os ambientes onde se cantou ao longo dos tempos a canção de Lisboa, os instrumentos e documentos diversos. O museu possui um espaço de exposições temporárias,um centro de documentação,um auditório e uma loja temática. No Auditório, podem ouvir-se actuações, bem como é utilizado como auditório para actividades diversas autorizadas pela EGEAC.

Alfandega de Lisboa




A Alfândega Municipal de Lisboa foi criada 1852 (decreto de 11 de Setembro), pela reunião das Alfândegas das Sete Casas e do Terreiro Público, sendo regulado o seu funcionamento pelo decreto de 7 de Dezembro de 1864.

Em 1868 foi agregada à Alfândega de Lisboa (decretos de 12 de Janeiro de 1868 e de 23 de Dezembro de 1869) e assim se manteve até 1875, data em que foi separada a fim de formar a Alfândega do Consumo.
Tinha a sua sede no edifício do extinto Terreiro Público, no largo do Terreiro do Trigo, onde hoje se situa a Direcção das Alfândegas de Lisboa
Este imponente edifício público pombalino, construído entre 1765-68 para Celeiro Público, com cais privado, já desaparecido, conforme se vê nas fotografias.

Este imóvel desenvolve-se em forma de uma gigantesca cruz. Apesar de ter sofrido obras posteriores que, de certa forma, alteraram a percepção do conjunto, os princípios da funcionalidade e regularidade pombalinas estão aqui presentes num grau muito elevado. De destacar a fachada sul, de grande solidez para suportar a pressão da carga e descarga das toneladas de cereais que aí eram deixadas pelos barcos que desciam o estuário.

Palácio Azurara

O Palácio Azurara, classificado como Imóvel de Interesse Público, data do séc. XVII e terá substituído ou integrado algumas construções pré-existentes, encravadas na muralha da Cerca Moura ou Cerca Velha, entre duas torres. De planta irregular, destaca-se o seu portal nobre seiscentista, ladeado por pilastras e encimado por florão decorativo entre volutas, coroado por frontão triangular. Já nas mãos dos Viscondes de Azurara foi objecto de alterações no séc. XVIII. Adquirido, em 1947,por Ricardo Espírito Santo Silva, no sentido de o restaurar como uma casa aristocrática do séc. XVIII, decorando-o com peças da sua colecção particular, alberga actualmente o Museu-Escola de Artes Decorativas Portuguesas da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva. O acervo do museu é constituído por colecções de mobiliário, ourivesaria, têxteis, pintura, cerâmica e porcelana dos sécs. XVII a XIX, apresentadas num contexto interpretativo através da organização dos vários espaços por épocas e funcionalidades, numa encenação de ambientes de uma casa fidalga portuguesa.

Alfama - por Ary dos Santos

Alfama

Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas
Alfama toda parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece.

É numa água furtada
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto
Quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade

Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade.
Alfama não cheira a fado
Cheira a povo, a solidão
A silêncio magoado
Sabe a tristeza com pão

Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção.

(José Carlos Ary dos Santos)

Palácio Azevedo Coutinho



Situado no Largo de Santo Estêvão, 12-17, Largo do Chanceler, 1 e Rua de Santo Estêvão, 24-38 o Palácio têm uma origem polémica. Para uns defendem que remonta ao séc. XIV, quando o Chanceler-Mor do Rei D. Dinis, Pedro Salgado, proprietário de umas casas nobres sitas ao Arco do Chanceler, mandou construir o seu próprio palácio, uma construção gótica com uma ala residencial e torreão, em íntimo diálogo com a Igreja de Sto. Estêvão e sobre o referido Arco;

Para outros defendem que data do séc. XVII, ás mãos de Simão Gonçalves Preto, também Chanceler-Mor do reino, época em que o Arco terá sido integrado na edificação. Certo é o facto de pertencer à família dos Azevedo Coutinho a partir de meados do séc. XIX, o que se verifica ainda em meados do séc. XX.

Por essa altura,o palácio,já de fisionomia setecentista, em virtude de ampliações e intervenções sofridas ao longo do tempo, rasga-se em varandas setecentistas, todas de sacada, emolduramento simples de cantaria e remate superior com cornija recta, também, de cantaria. Do seu núcleo primitivo, o palácio manteve a sua frontaria, muito alterada no séc. XIX pelo acrescento de dois pisos superiores,o terraço de gaveto, cujas paredes de fundo surgem decoradas por belos azulejos historiados, e o portal aberto na sua fachada à direita do Arco do Chanceler. Este imóvel encontra-se Em Vias de Classificação.

Nota:

Chanceler-Mor: Era como o segundo ofício da casa real, subordinado ao Regedor e Governador da Casa da Justiça da Corte de El-Rei.

Tinha como função o exame se destinava a impedir que as decisões contrariassem as Ordenações ou o Direito. Caso se verificasse a colisão de alguma carta contra o direito vigente, o chanceler-mor não a mandaria selar e redigiria sobre ela a sua "glosa"ou parecer negativo, posteriormente julgada em Mesa pelo chanceler e desembargadores do Paço, sendo imediatamente anulado o diploma em causa.
Se nada de ilegal estivesse contido no diploma, o chanceler-mor mandá-lo-ia selar com o selo régio e fá-lo-ia entregar às partes interessadas, que o levantariam, mediante o pagamento de certos direitos.
Outra função cometida ao chanceler-mor era a da publicitação das leis: estas eram registadas e anunciadas no próprio dia da sua emissão, enviando-se o respectivo traslado, com o sinal do chanceler-mor e selo régio, aos corregedores das comarcas, passando as mesmas leis a vigorar plenamente três meses depois da respectiva publicação na Chancelaria-Mor.
Competia ao chanceler-mor fazer registar os actos públicos de especial relevância, receber o juramento dos mais altos funcionários do Estado, entre os quais o de condestável, de regedor da Casa da Suplicação, de vedores da Fazenda, de almirantes e de marechal, de bem e fielmente cumprirem seus ofícios, e julgar possíveis ilegalidades ("suspeições") cometidas por desembargadores do Paço, vedores e conselheiros da Fazenda, conselheiros Ultramarinos, e ainda de outros funcionários.
Por costume, desde o século XVI, era chanceler-mor do Reino o mais antigo desembargador do Paço.
À Chancelaria-Mor da Corte e Reino foi dado Regimento em16 de Janeiro de 1589.
Era repartição responsável por uma considerável fonte de receita, uma vez que a passagem e autenticação das cartas pela Chancelaria-Mor obrigava ao pagamento de direitos. O Regimento da Chancelaria-Mor da Corte e Reino especifica que as partes interessadas haviam de pagar determinados direitos pelas cartas de dignidades e ofícios, pelas cartas de doações, tenças e outras mercês, pelas cartas de padrão, pelas cartas de confirmação, por sucessão em bens da Coroa, por cartas de privilégios e liberdades, e, ainda, os direitos de mercês e doações (proporcionais aos valores doados) e os direitos das cartas de justiça (cartas de citação, cartas testemunháveis, cartas de inquirição, ou de exame).
Finalmente, as partes condenadas pagavam a dízima das sentenças que passassem pela Chancelaria-Mor da Corte e Reino. Registe-se que o pagamento da dízima das sentenças condenatórias se estendia a todos os tribunais em que as mesmas fossem proferidas.
Na designação de Chancelaria-Mor da Corte e Reino está presente o primitivo sentido de Chancelaria da Corte do Rei e, por consequência, da mais alta chancelaria do Reino. A permanência da expressão Corte gerará, nos séculos XVII e XVIII, ambiguidades relativamente à Chancelaria da Casa da Suplicação, nesse período entendida também como Chancelaria da Corte, fazendo notar José Anastácio de Figueiredo, já em 1790, e a propósito de uma Ordenação de D. Sebastião, de 2 de janeiro de 1560, na qual por Chancelaria da Corte se deveria entender a Chancelaria-Mor, por oposição à Chancelaria da Casa da Suplicação. No entanto, na época de José Anastácio de Figueiredo, por Chancelaria da Corte estava implícita a referência imediata à Chancelaria da Casa da Suplicação.

Fonte: Wikipédia e Lisboa Interativa

Igreja de Nossa Senhora dos Rémédios ou do Espirito Santo



A Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, na Rua dos Remédios em Alfama, tem a sua história ligada aos pescadores de Alfama e ao culto do Espírito Santo. Construída no século XVI, por volta de 1517, a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios foi sede de uma das mais ricas confrarias de Lisboa, sobretudo a partir da segunda metade do século XVII, quando a primitiva confraria de Nossa Senhora dos Remédios se fundiu com a irmandade do Espírito Santo, até então instalada na Igreja de São Miguel de Alfama. A ermida terá saído remodelada no reinado de D. João V e restaurada na sequência do terramoto de 1755. A porta da fachada lateral indica que aquela entrada terá sido, provavelmente, aberta nessa altura, sendo também indicadora das obras de reedificação. A fachada principal, sobre a Rua dos Remédios, é limitada por dois espessos cunhais em cantaria, de maior largura na base. Em leitura ascendente, o eixo central é composto por portal Manuelino definido pela intersecção de arco trilobado com arco em cortina (no lóbulo central do primeiro encontra-se a pomba do Espírito Santo, lavrada sobre escudo); janelão gradeado, com moldura em cantaria de gramática decorativa setecentista e janela de peito de moldura curva no topo superior, forma que a caixilharia em madeira acompanha. No interior destacam-se os azulejos historiados (Séc. XVII-XVIII) e as pinturas (Séc. XVI), atribuídas à escola e a Gregório Lopes. Na fotografia seguinte, apresentamos uma porta instalada no primeiro piso nas traseiras do edifício utilizado para distribuir alimentos aos pobres.

Janela Florida






Alfama já teve durante os anos 60 e 70 um concurso da Melhor Janela Florida. Apesar de ser um bairro pobre, tinha orgulho nas suas casas e gostava de mostrar que as janelas podiam ser bonitas.


Assim, existiu um concurso de Janela Florida.


Porque não voltar a alegrar as janelas do Bairro de Alfama?


Podemos florir as janelas, mostrá-las ao mundo e ter orgulho no Bairro.


Vejas as fotografias e vejam o que podemos fazer de futuro.

Miradouro de Santa Luzia





No Miradouro de Santa Luzia, para além de uma excelente paisagem de Alfama existiu o seguinte:

1 - Uma Biblioteca para as pessoas poderem ler e ver jornais.

2- Um jardim, de denominado de Júlio de Castilho, onde as pessoas podiam estar num dos poucos espaços verdes de Alfama. Local onde eu cheguei a namorar.


3- Uma Igreja - de Santa Luzia - Igreja implantada sobre a cerca moura, intimamente ligada aos Cavaleiros da Ordem de Malta, cuja origem parece remontar ao séc. XII. Primitivamente,era uma igreja-fortaleza avançada sobre os arrabaldes da zona oriental da cidade. Objecto de várias reedificações, este templo traduzia, após o terramoto de 1755, uma arquitectura chã com uma fachada principal de linhas simples e inspiração clássica, exibindo, na sua fachada lateral virada para o miradouro, dois painéis de azulejos, representando a conquista de Lisboa e a Praça do Comércio antes do terramoto, executados na Fábrica Viúva de Lamego. O interior,de planta em cruz latina e nave única, destaca-se por conservar 10 sepulturas, em forma de lápides ou monumentos funerários, com inscrições em português ou latim, classificadas como Monumento Nacional


4- Um espaço público onde todos nós, residentes ou não de Alfama, podíamos aproveitar esta nossa cidade.


Hoje temos um estaleiro de obras, onde mal se pode ver a paisagem. Do jardim e da estátua de Júlio de Castilho nada existe. Quanto às obras dos prédios vizinhos, continuam paradas e não se sabe quando vão começar. Quanto aos azulejos, os poucos que ainda restauram, foram levados para o Museu da Cidade.


Triste sina a de Júlio de Castilho e de Norberto Araújo. O primeiro com uma obra vasta sobre Lisboa e Lisboa Antiga, se soubesse que nisto iria se tornar este largo, nada teria escrito. Talvez por isso a sua estátua, no jardim com o seu nome esteja cada vez maiss coberta por uma selva de plantas que o irão cobrir e fazê-lo chorar pelo bairro. O segundo se soubesse que nisto iria ficar o Bairro de Alfama, não teria lutado para que 0 bairro não fosse destruído e feito de novo, conforme era intenção na época. Um Olicipografo como Norberto de Araújo não merecia. Como não merecem todos os que conhecem e Amam Alfama.


Para quando a conclusão das obras, para quando podermos ver Alfama a descoberto sem andaimes e sem véus que lhe tapam a beleza.



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