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Eleições Autarquicas II

Realizaram-se as eleições autárquicas e para que não esteve atento (e curiosamente muitas lisboetas não sabiam que havia eleições para a Câmara Municipal de Lisboa) estes foram os resultados:


Mas, curiosamente o vencedor deste dia eleitoral não foi o PS ou do Dr. António Costa, foi algo muito maior que venceu as eleições por larga maioria absoluta. A abstenção.
A abstenção venceu as eleições por 62,61% das pessoas inscritas. Apenas 37,39% dos votantes foram exercer o seu direito de voto. Tal situação vem revelar graves problemas:
Em primeiro lugar e olhando para a participação das pessoas nas eleições é de que o povo não acredita nas eleições.
Que a necessidade, destas eleições em particular, não foram compreendidas pela população.
Que, os políticos e os novos grupos de cidadãos independentes, não têm uma linguagem para a população, para os problemas desta.

Tais conclusões vêm criar outras conclusões:
1. Em primeiro lugar, tendo esta democracia só 33 anos, é muito desagradável que a população já não se interesse em ser parte da resolução dos problemas.
E ser parte dos problemas, não é só votar. E não poderá ser só criticar nos cafés ou em conversas com os amigos. É participar em reuniões onde os problemas do seu bairro, da sua rua podem ser discutidos. Por exemplo, nas assembleias de freguesia – onde no final de cada uma é dada voz à população. E para tal não poderá ser só criticar os membros da junta ou da assembleia. É necessário ter ideias para podermos todos resolver o problema.
2. Em segundo lugar, a população achou que as eleições foram feitas porque uns senhores não conseguiram manter o poder e outros (iguais) conseguiram marcar eleições. Sendo assim, porque é que a população tem de ser metida nisto. Porque é que me vou chatear em ter o meu domingo para ir perder uns minutos a votar? – Foi este o pensamento da população. Tal vem revelar, por um lado, como a população acha que são os políticos. Por outro lado, o interesse que a vida politica tem para estes. É necessário que os políticos mudem de discurso e entrem em contacto pessoal com as pessoas. Que cada pessoa saiba qual o politico que elegeu e que possa pedir contas a este. Sistema uninominal –Não sei? Precisamos de pensar. Se eu soubesse que politico elegi e visse que ele não cumpria o programa politico, da próxima vez votava noutro.
3. Os políticos continuam a ter uma linguagem anterior às eleições e outra posterior. Mas em Portugal tudo é considerado normal. Vejam o que aconteceu a um presidente dos Estados Unidos da América que prometeu: “Reed my lips – No more taxes” (George Bush) – Nas próximas eleições não foi eleito. Ou a um pais da antiga “cortina de ferro” onde o primeiro-ministro disse numa conversa gravada que “Fizemos merda, não um bocado, mas muita. Ninguém na Europa fez disparates semelhantes [nas contas públicas]. É evidente que mentimos ao longo dos últimos 18 meses", diz Gyurcsány, na gravação. E, mais à frente: "Não fizemos nada durante quatro anos, nada. Não podem citar uma única medida de que possamos orgulhar-nos, excepto o facto de termos saído da merda no fim [a vitória eleitoral]".
O povo saiu á rua e quase que houve uma revolução. Será que isso poderia ocorrer em Portugal ou conforme já foi dito o “povo é sereno”.
Voltando a citar outra pessoa (existente ou não):
“Algo vai mal no Reino da Dinamarca” William Shakespeare
E de Portugal acrescento eu.

Nota: Um amigo meu disse que o que tinha dito sobre os políticos de não visitarem os locais estava errado. No entanto só tenho algo a dizer. Não vi referido ou publicitado como normalmente costuma acontecer nas campanhas eleitorais. Mas para além do mais o que disse é verdade. Falta reuniões semestrais ou anuais com a população para saber o que está errado. Não basta ser séria como a mulher de César, é preciso parecer.

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